15 novembro, 2006

IESB 2


O que um candidato a uma vaga numa universidade ou faculdade espera de uma prova que avalia sua competência? Coerência, correção, precisão? Os candidatos dessa prova do IESB não tiveram nada disso. Antes de tudo, quero esclarecer que não duvido que as instalações da faculdade sejam as melhores de Brasília, mas uma faculdade se faz menos com tecnologia e mais com cérebros. E cérebros, a julgar pela prova de vestibular do IESB, anda faltando na comissão que elabora a prova.

Alguns amigos me dizem que essas faculdades, IESB, UPIS, Uni-Ceub não estão preocupadas com a seleção, o que querem é ter alunos que possam pagar a mensalidade. Não acredito muito nisso. Alguns amigos que lecionam nessas faculdades são muito sérios e me recuso a acreditar que entrem nesse tipo de patifaria.

Reclamo como professor de História do texto que abre a prova do IESB. Os itens da questão 11 baseados nesse texto deveriam ser anulados, não por apresentarem algum erro em si, mas porque o texto traz um erro tão grosseiro que na hora em que li fiquei corado de vergonha. Vejam o texto:

A eleição de Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), para presidente da República em 15 de novembro de 2002, apresentou-se como um fato inédito na história política do Brasil, pois colocou no poder um líder operário de esquerda apoiado por grupos sociais que clamavam pela necessidade de mudanças, especialmente quanto à distribuição de riquezas.

Entretanto, a divisão entre posições de esquerda e de direita não se limita à política brasileira, tendo marcado a história em diversas partes do mundo, a partir de vários movimentos, muitos dos quais deflagrados em verdadeiras revoluções.

Em primeiro lugar o texto incorre num erro grotesco. Informa que o presidente Lula foi eleito em 15 de novembro de 2002, quando na verdade ele foi eleito em 27 de outubro de 2002, no segundo turno. É um erro tolo? É, mas o mínimo que se exige de uma avaliação é precisão nos dados que fornece. O texto não tem assinatura, não sei quem o produziu, mas com certeza meus alunos do 3º ano redigiriam com mais precisão e clareza do que esse autor fantasma. Prosseguindo: ele diz que a eleição de Lula foi inédita porque pela primeira vez um “líder operário de esquerda” (será que ele acredita que existam líderes operários de direita?), chegou à presidência da República. No outro parágrafo usa a conjunção adversativa entretanto, mas não entendi porque ela foi usada no texto, muito menos o que o primeiro parágrafo tem a ver com o segundo. Nesse segundo parágrafo ele fala uma obviedade sem tamanho: Que a divisão ideológica entre direita e esquerda não existe só no Brasil. É óbvio, o que ele esperava? Que nós tivéssemos criado essa divisão ideológica e a espalhado pelo mundo? A última linha do texto é digna das piores redações de um aluno de Ensino Médio: “muitos dos quais deflagrados em verdadeiras revoluções”. Eis um primarismo difícil de superar! Esse “verdadeiras” é uma figura retórica absolutamente dispensável, só mostrou que o autor fantasma quis terminar um texto primário, impreciso e medíocre, de forma pomposa.

Faço um apelo aos candidatos ao vestibular de todas às faculdades: Exijam provas melhores, reclamem quando a comissão que elabora a prova abusa de sua inteligência e de suas capacidades. Não se deixem medir pela régua da incompetência e da imbecilidade. Não é possível e eu duvido sinceramente mesmo, que os professores do IESB sejam incompetentes para elaborarem uma prova de qualidade. Do contrário, antes de ensinarem, precisariam aprender muita coisa.

2 comentários:

Luís Ricardo disse...

Tem outra inverdade: os grupos sociais que apoiaram Lula e lhe deram a vitória (leia-se classe média e empresariado) não estavam preocupados com a distribuição de renda (a não ser na distribuição para o bolso de alguns deles, mas não creio que a intenção do texto seja essa), a necessidade de mudança que se desejava era ÉTICA.
Outra coisa: como está redigido, o texto indica que as "verdadeiras revoluções" deflagraram os movimentos, quando sempre são os movimentos que culminam em revoluções.
Em tempo, não poderia deixar de aproveitar para dizer que com o fracasso ético do governo de Lula, parte do grupo que o apoiava o deixou, mas foi substituído pela parcela da população que passou a acreditar na balela de sua política de distribuição de renda. OU seja, esse cara fala da eleição de 2002, mas parece estar explicando a eleição de agora.

SSRJ disse...

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