30 novembro, 2006

Mais um canalha escapa

A canalhice, a cafajestagem, a corrupção não têm ideologia. Canalhas, cafajestes e ladrões existem pra todos os gostos e credos, sejam políticos, professores, médicos, burocratas, ou mesmo religiosos. Contudo, nossa classe política se esmera na canalhice.

Não é surpresa, mas é preciso noticiar: O deputado Pedro Henry que está envolvido em 11 de cada dez casos de corrupção, que pertence ao PP, mas que com tamanha folha corrida não seria um estranho no ninho se migrasse para o PT, será, segundo o Globo, mais um absolvido no Conselho de Ética da Câmara. Como já foi dito aqui, os envolvidos admitem crimes, mas não se julgam criminosos!

Nenhum parlamentar será punido pela Câmara ou pelo Senado no caso dos Sanguessugas. Para mim cometeram o mais abominável dos crimes: Roubar dinheiro público! Defendi, fui um dos primeiros, talvez o primeiro, a considerar crimes contra o erário público como crime hediondo. Cuja punição deveria ser cassação de direitos políticos até a 3a geração e confisco de todos os bens. As comissões de Ética tanto no Senado quanto na Câmara, talvez considerem a mentira, o cinismo, a ladroagem, o locupletar-se, como comportamentos éticos, por isso, não viram em deputados e senadores qualquer atentado a esse tipo de Ética. Os relatores dessas comissões das mais variadas matizes políticas, mas om um espiríto de corpo e também de porco, ao lado dos demais membros do conselho, talvez porque tenham o rabo preso também, decidiram absolver canalhas, dar atestado de idoneidade a crápulas e a justificar a imoralidade e ensinar aos jovens que o crime, o cinismo, a falta de vergonha na cara, são compensatórios.


28 novembro, 2006

As "marcas" de Lula

Há algum tempo encontrei o senador Cristovam Buarque numa confeitaria famosa de Brasília que fica na 213 norte, e numa conversa agradável ele me disse que faltava ao governo Lula uma "marca". Sarney, dizia ele, marcou seus intermináveis 5 anos de governo com a redemocratização; Collor com a abertura da economia - eu diria também com o confisco da poupança e das contas correntes do cidadão - Itamar foi um governo de transição; a grande marca de FHC foi a estabilidade econômica e o controle da inflação. E a "marca" de Lula? O senador, que à época ainda era petista, perguntava, mas não via "marca" nesse governo.

Acabo de encontrar a "marca" ou as "marcas" de Lula e de seu governo: admitir o crime, mas desconhecer o criminoso, diria até, duvidar que ele exista. Depois das crises do Mensalão, dos Sanguessugas e do Dossiê fajuto, o fim será o mesmo: A impunidade! Houve desvio de dinheiro público das estatais para pagar parlamentares da base de apoio do governo Lula? houve, sim senhor! Deputados e seus assessores próximos foram comprovadamente flagrados recebendo dinhiro no Banco Rural? foram, sim senhor! Parlamentares, empresários, burocratas do partido mentiram deslavadamente e com proteção da justiça nas CPI? sim senhor! Mas então... onde estão os criminosos? Não existem, o que existe é o crime senhor.

Falta de provas, foi o argumento dos senadores Demóstenes Torres do PFL de Goiás e Paulo Otávio, do PFL do DF, futuro vice-governador de Brasilia. O Conselho de ética do senado aprovou por expressiva maioria o arquivamento das denúncias contra os senadores Ney Suassuna (PMDB-PB), Serys Slhessarenko (PT-MT) e Magno Malta (PL-ES), falta de provas... mas espere um pouco? houve o superfaturamento das ambulâncias? Houve. As emendas não foram pediadas e assinadas pelos senadores? foram. O senador Magno Malta não andou com um carro de presente dos Vedoim por um ano configurando um crime? Verdade! Então... existe o crime, mas não existe o criminoso? O senhor aprendeu rápido!

Fiquei com pena do senador Ney Sanguessuga Suassuna. Perdeu o mandato, ficará fora dos grandes assuntos nacionais, sugiro a ele um trabalho voluntário de motorista de ambulância na Paraíba. Ele recebeu a punição mais dura do conselho: reprimenda verbal, pois a cassação, conforme pediu o senador do PDT do Amazonas, Jefferson Perez, sequer foi considerada. Sabe quem fez um voto em separado dando inicio a impunidade? O senador Wellington Salgado (PMDB-MG). Sabe quantos votos esse senhor de cabelos longos e cacheados recebeu do povo mineiro? nenhum! É suplente de Hélio Costa, ministro das comunicações. Esse senador biônico, dono da UNIVERSO, é um grandalhão, meio pateta, um tipo de gente que ao encontrar na rua é bom se prevenir com as mãos no bolso.

Aloprados, mensaleiros, vampiros e sanguessugas eis as "marcas" do governo Lula, o que têm em comum? Participaram dos crimes, mas não são criminosos

26 novembro, 2006

Quando estive em Campos do Jordão

Essa foto foi tirada em 06 de setembro, no primeiro dia que chegamos a Campos do Jordão. Fui com um grupo de professores e coordenadores do colégio Santa Dorotéia de Brasília para um encontro chamado CADOR (Caminhada doroteana).

Fazia 5ºC às 16:00 h. Nesse dia a temperatura de madrugada ficou próxima a -1ºC, um frio que doía, mas a paisagem valia muito a pena!

25 novembro, 2006

30 anos e Fernando Pessoa

Ontem, completei 30 anos e desde os 12 não havia tido uma comemoração tão especial quanto a de ontem. Amigos que fiz no Planalto Central e que não via há tempos, prestigiaram esse dia. Outros, que vejo com mais freqüência, também não se furtaram de me homenagear seja com a lembrança seja com a presença. Sei que muitos, e isso não é uma vaidade, garanto, em lugares distantes, também relembraram da efeméride, guardaram-na no coração, que é sem dúvida o lugar mais importante para ser guardado dias como esse.

Há em todo aniversário um quê de reflexão. Uma espécie de imposição da data paraum balanço da vida. Quando se faz 30 anos, essa imposição apresenta uma força maior. Foi aos 30 anos que Santo Agostinho, na distante Tagasta, no igualmente distante século IV, abandonou o homem velho e se revestiu do homem novo. A Tradição diz que foi por volta dos 30 anos que Cristo começou sua meteórica e indispensável vida pública. Não é portanto uma data qualquer. Por isso, escolhi postar uma poema de Fernando Pessoa, através de Álvaro de Campos, que faz uma análise sobre dias de aniversário. A análise é melancólica, concordo, mas nem por isso menos verdadeira. Ei-la!

Aniversário

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...




22 novembro, 2006

Meu Aniversário!



A música que está postada é do Led Zeppelin, e a ouvi pela primeira vez em 1992 quando fazia o curso de Química na ETFPE. Meu colega, Lucas Flor, era um aluno negligente, mas um diligente tocador de violão. Foi através do violão de Lucas Flor que ouvi pela primeira vez essa música.

Ao fazer 30 anos no dia 24 de novembro decidi relembrar esse sucesso do Zeppelin. Espero que gostem.

21 novembro, 2006

Formiguinhas PT






























Quando fiz a 7a série, e isso foi em 1988, estudei uma disciplina chamada Moral e Cívica, resquício do Regime Militar. Nessa disciplina, o professor se chamava Silvio, dublê de ator e diretor de teatro, ouvi pela primeira vez a famosa frase de Voltaire: "Posso não concordar com nenhuma de suas palavras, mas defenderei até a morte o direito que você tem de dizê-las". Anos mais tarde, descobri que Voltaire se referia aos seus pares e não à canalha, como ele se referia à patuléia. Se Voltaire não fosse um liberal, e sim um jacobino ou bolchevique, e na versão atual, um petista, ele talvez pronunciasse outra frase: " Se você não reza pelo nossa cartilha, não defende nossas idéias e ousa no criticar e apontar nossos erros, cuidado: Nós, militantes, porque somos uma legião, acabaremos com você, seu porco reacionário!"
A maior prova do autoritarismo do PT e de seus militantes é considerarem como inimigos, passíveis de fuzilamento moral, toda e qualquer pessoa que tenha a ousadia de dizer o que pensa, sobretudo se o que ela pensa for contra o partido. São formigas, formiguinhas, verdadeiras "trincas cunhão", implacáveis contra os inimigos.

Para as operárias desse formigueiro chamado PT, defender a colônia passa necessariamente pela destruição do inimigo. E para destruí-lo todas as armas são válidas, sobretudo as imorais. A ética que move essa legião de demônios dementados, é a ética da difamação, da destruição moral, da patrulha.

Se um dia encontrarem o Diogo Mainard sem emprego ou a Ana Maria Braga careca por causa do câncer, vão se refestelar numa alegria mórbida e doentia, por terem visto a desgraça de seus inimigos. A imbecilidade dessa gente é tão grande que elevaram a loira Ana Maria Braga à inimiga número 1 do partido porque após a reeleição do presidente "Burla" ela apareceu de preto. Deduziram que ela estava de luto. E se estivesse? não teria direito? Para essa petralhada, o único direito que temos e aderir à ética totalitária do PT.

PS: Foi a própria petralhada que no orkut se comparou a uma formiguinha e se vocês quiserem mais detalhes sobre essa metáfora, acesse o podscat do Diogo Mainard. eis o endereço:

www.veja.com.br

20 novembro, 2006

teste




Esse post é apenas um teste, escolhi a nona de Beethoven, o quarto movimento. Mesmo que não gosta do estilo, se parar para ouvir sem preconceito, vai se emocionar.

A inculta e bela

As provas do PAS (Programa de Avaliação Seriada da UNB) para alunos do Terceiro Ano de Ensino Médio, ocorreram sábado e domingo últimos. Na parte que me interessa mais de perto,os itens de história, uma coisa que venho falando há muito tempo e que às vezes sou tachado de chato ou de exibicionista, ficou compravada mais uma vez: sem conhecer a inculta e bela, a Língua Portuguesa, não se chega muito longe.
Um dos itens revelou muito bem isso: Logo na primeira linha do item se falou em "estertores da Segunda Guerra Mundial". Imagino como muitos alunos podem ter compreendido a palavra estertores como sinônimo de extintores, outros talvez imaginassem tratar-se de algum tipo de estrangeirismo, em suma: podem ter erradoo item porque desconheciam a palavra estertores.
A escola até tenta ensinar, aumentar o arquivo léxico do aluno, tenta mostrar para ele que existem no reino de nossa língua muita coisa além das gírias: "tô de boa", legal, "na hora" etc. Que adjetivos e advérbios de intensidade são muitos e não podem ser reduzidos a um palavrão muito comum na boca de meninos e meninas, aquele que lembra um baralho.
O prazer pela leitura resolveria grande parte desse problema, mas hoje os pais, e com tristeza, também muitos professores, não têm pelos livros uma grande atração, então como exigir dos filhos e dos alunos que leiam?
Por isso vou insistir, nas minhas aulas, nas palavras pouco usuais, quer os alunos gostem quer não. Não é exibicionismo, nem chatice, é apenas o trabalho quixotesco de um professor que ainda sonha com um aluno mais dedicado a leitura, a um bom texto, enfim, a conhecer bem seu idioma.

19 novembro, 2006

Meus heróis negros

Meus alunos sabem que detesto a postura do politicamente correto, sobretudo quando essa política flerta com a mentira e a desonestidade. Muitos não concordam comigo, ainda bem, a unanimidade é coisa de stalinista ou de fascista, não quero o apoio dessa gente. No entanto, eles sabem minha posição, não tergiverso, não enrolo, vou ao ponto.

O post que está abaixo só deixa dúvida nos mal intecionados. Não sou racista! Entendo racismo como uma ideologia que pretende eliminar um povo, um grupo de pessoas, uma etnia, por considerá-la nefasta e inferior. Se eu fosse racista não teria amigos negros, e os tenho, e não são poucos! Se eu fosse racista deveria renegar minha origem, e isso não faço nem nunca farei!

Zumbi é um herói, um símbolo da resistência contra a maldade dos brancos. Não aceitou o acordo de Ganga Zumba com os brancos em 1678, com branco não se negocia, ele pôde ter dito. Pouco depois Zumba morre envenenado e Zumbi vira o líder de Palmares. Ele é mesmo um herói. Não aceitou o acordo que dava liberdade aos negros nascidos em Palmares, além de terras na região, preferiu a resistência. Palmares acabou incendiado e Zumbi sem cabeça, e os negros de Palmares mortos ou escravizados, de novo. O sonho de liberdade foi maior que a chance de liberdade. Os negros perderam e Zumbi virou um herói.

Os negros que admiro são outros, e não é Pelé! Admiro André Rebouças que no século XIX realizou uma obra de engenharia que engenheiros brancos e europeus diziam ser impossível de realizar! Admiro Luiz da Gama que venceu a pobreza, assim como José do Patrocínio, pela dedicação aos estudos e se tornaram referências no Movimento abolicionista no final do século XIX. Numa sociedade que ainda convivia com a escravidão, eles, negros e pobres, estudaram e, sem cotas, com os próprios méritos e capacidades, provaram que eram tão e em muitos casos, até mais capazes que muitos brancos. Se os militantes do Movimento Negro deixassem um pouco de lado a cultura da reclamação e estudassem mais e se espelhassem nos exemplos de Rebouças, Luiz da Gama e Patrocínio, fariam um bem muito maior a si e ao Movimento.

É a educação estúpido!

O Dia 20 de Novembro está chegando e o Movimento Negro se agita nessa data. Some-se a isso a decisão do governo do povo, do presidente “Burla”, de promover com afinco a idéia de que somos racistas e a de que os negros são vítimas de um sistema de opressão que os discrimina por serem... negros.

Uma pesquisa divulgada pelo IBGE apresenta dados que vistos por cima, sem acuidade ou mesmo relativismo, reforça a tese de que somos uma nação racista. O governo do GDF promoverá no dia 20 de novembro, amanhã, um evento onde se discutirá a “promoção da igualdade racial” no Brasil. Quantos brancos foram chamados? Não sei, mas os nomes citados no evento que “discutirão” o assunto são todos do Movimento Negro. Em tempo: Em 20 de novembro de 1694 o herói do Movimento Negro, Zumbi dos Palmares, foi morto pela ação do bandeirismo de contrato de Domingos Jorge Velho. Para o Movimento Negro, essa data é mais significativa que o 13 de maio que eles consideram uma data dos brancos. Aliás eles até deram um nome pomposo para o 20 de novembro. Dia da Consciência Negra.

O assunto central desse post é como os números desvirtuam e mesmo deturpam a realidade social no Brasil. Segundo a pesquisa do IBGE os negros e pardos pesquisados em 6 regiões metropolitanas receberam, em média, no mês de setembro R $ 660,45, e os brancos receberam no mês de setembro, em média, R $ 1292,19. As regiões metropolitanas pesquisadas foram Recife, Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Os números que parecem indicar racismo revelam mais as desigualdades regionais. Os salários do nordeste são menores do que em São Paulo e do jeito que os números estão, parece que um branco pobre em São Paulo vive tão bem, em termos de salário, quanto um branco pobre em Recife. Além do mais, as diferenças nos números também provam outra realidade óbvia que os incautos não vêem: é na escolaridade que reside a verdadeira diferença de renda entre negros, pardos e brancos. A mesma pesquisa do IBGE revela que entre os brancos os anos de estudo em média, são de quase nove anos, já entre os negros e os pardos os anos de estudo, em média, são de pouco mais de 7 anos. No local de seu trabalho, um negro, um pardo, um branco, um amarelo, que executa a mesma função que você recebe menos? É evidente que não. Dizer que os negros são discriminados porque recebem menos não é só ignorância é vigarice.

Mas essa gente do governo “Burla” em conluio com o Movimento Negro está decidida a instituir o racismo no Brasil. A secretária especial para a promoção da igualdade racial Matilde Ribeiro diz que somos racistas sutis. O que ela quis dizer com isso? Que somos racistas, ma non troppo? Ela chega afirmar, e a repórter da Folha de São Paulo em Brasília concorda, que "Ninguém vai dizer que não contratou alguém porque era negro, até porque racismo é crime. A sutileza do racismo no Brasil dificulta identificar quem é o agente do racismo", disse. Segundo ela, é por isso que, mesmo quando se qualificam tanto quanto os brancos, os negros continuam em posições e com renda piores. Não foi isso que a pesquisa divulgada pelo IBGE revelou. Os números indicam que os que se consideram brancos têm em média mais tempo de estudo dos que se declaram negros ou pardos. A Secretária diz que é difícil identificar o racismo porque somos racistas sutis, sugiro a ela uma forma simples. Em qualquer lugar desse país escolha um branco e um negro que trabalhem na mesma empresa e executem a mesma função e constate se o branco recebe mais que o negro, se receber, é racismo, pronto, pode prender o dono da empresa.

18 novembro, 2006

As bandeiras



Amanhã não é apenas aniversário de seu Givaldo, padrinho de meu casamento, nem mesmo de Simone Araújo, minha colega de trabalho, professora de inglês em Recife, também é dia da bandeira nacional ou como diriam os mais saudosos, do pavilhão nacional.

O que pouca gente sabe é que essa bandeira que nos lembramos com mais frenquüência em copas do mundo ou em competições esportivas, não foi a primeira de nosso país. Ela, a bandeira atual, nasceu com a República em 1889 e naquela época tudo que lembrasse o império deveria ser rechaçado. Lembro que certa vez, era criança ainda, entrei numa briga teórica sobre aquela estrela solitária que fica no alto da circunferência. Meu opositor dizia tratar-se do estado do Pará e eu da altura dos meus 10 anos dizia tratar-se do Distrito Federal, e acreditem, seja porque meu opositor estivesse inseguro, seja porque eu tivesse uma fama exagerada de acertar sempre, todos acreditaram em mim. Eu estava errado. Crianças não devem mesmo ser levadas muito a sério.

Quando Castro Alves escreveu os mais belos versos de nossa língua na parte 6 de Navio Negreiro se referia a uma outra bandeira, a do império, criada por decreto em 1822 e desenhada por J.B. Debret, os versos? são esses:

Auriverde pendão de minha terra
que a brisa do Brasil beija e balança.

Quando o exército brasileiro avançava sobre as terras paraguaias na Guerra do Paraguai(1864-1870) ainda era a bandeira do império que os brasileiros defendiam. Assim como a atual, a bandeira do império também tinha as cores verde e amarela, cores da família Bragança, a qual pertencia D Pedro I e D Pedro II. A República manteve as cores, mas trocou os símbolos e para gravar na história a influência do positivismo que tanto animou nosso militares nas vésperas da República, pôs a seguinte divisa: Ordem e Progresso, um lema positivista.

Qual das duas é a mais bonita?

Seria tão bom...





Hoje, assim como ontem e antes de ontem, e, segundo a TV, também amanhã e depois, Brasilia em novembro está com o clima de agosto e setembro. Um calor que derrete, um mormaço que não dá ânimo para nada, e eu que sou de Recife, mesmo com os tubarões, sinto uma falta sem tamanho do mar de Boa Viagem ou de qualquer outra praia do litoral de Pernambuco. Nessas horas, onde uma pilha de papéis e compromissos me escravizam, ouço Beatles e recorro a essa utopia em forma de versos escrita por Fernando Pessoa. Ei-la:

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer !
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não !

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...


15 novembro, 2006

IESB 2


O que um candidato a uma vaga numa universidade ou faculdade espera de uma prova que avalia sua competência? Coerência, correção, precisão? Os candidatos dessa prova do IESB não tiveram nada disso. Antes de tudo, quero esclarecer que não duvido que as instalações da faculdade sejam as melhores de Brasília, mas uma faculdade se faz menos com tecnologia e mais com cérebros. E cérebros, a julgar pela prova de vestibular do IESB, anda faltando na comissão que elabora a prova.

Alguns amigos me dizem que essas faculdades, IESB, UPIS, Uni-Ceub não estão preocupadas com a seleção, o que querem é ter alunos que possam pagar a mensalidade. Não acredito muito nisso. Alguns amigos que lecionam nessas faculdades são muito sérios e me recuso a acreditar que entrem nesse tipo de patifaria.

Reclamo como professor de História do texto que abre a prova do IESB. Os itens da questão 11 baseados nesse texto deveriam ser anulados, não por apresentarem algum erro em si, mas porque o texto traz um erro tão grosseiro que na hora em que li fiquei corado de vergonha. Vejam o texto:

A eleição de Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), para presidente da República em 15 de novembro de 2002, apresentou-se como um fato inédito na história política do Brasil, pois colocou no poder um líder operário de esquerda apoiado por grupos sociais que clamavam pela necessidade de mudanças, especialmente quanto à distribuição de riquezas.

Entretanto, a divisão entre posições de esquerda e de direita não se limita à política brasileira, tendo marcado a história em diversas partes do mundo, a partir de vários movimentos, muitos dos quais deflagrados em verdadeiras revoluções.

Em primeiro lugar o texto incorre num erro grotesco. Informa que o presidente Lula foi eleito em 15 de novembro de 2002, quando na verdade ele foi eleito em 27 de outubro de 2002, no segundo turno. É um erro tolo? É, mas o mínimo que se exige de uma avaliação é precisão nos dados que fornece. O texto não tem assinatura, não sei quem o produziu, mas com certeza meus alunos do 3º ano redigiriam com mais precisão e clareza do que esse autor fantasma. Prosseguindo: ele diz que a eleição de Lula foi inédita porque pela primeira vez um “líder operário de esquerda” (será que ele acredita que existam líderes operários de direita?), chegou à presidência da República. No outro parágrafo usa a conjunção adversativa entretanto, mas não entendi porque ela foi usada no texto, muito menos o que o primeiro parágrafo tem a ver com o segundo. Nesse segundo parágrafo ele fala uma obviedade sem tamanho: Que a divisão ideológica entre direita e esquerda não existe só no Brasil. É óbvio, o que ele esperava? Que nós tivéssemos criado essa divisão ideológica e a espalhado pelo mundo? A última linha do texto é digna das piores redações de um aluno de Ensino Médio: “muitos dos quais deflagrados em verdadeiras revoluções”. Eis um primarismo difícil de superar! Esse “verdadeiras” é uma figura retórica absolutamente dispensável, só mostrou que o autor fantasma quis terminar um texto primário, impreciso e medíocre, de forma pomposa.

Faço um apelo aos candidatos ao vestibular de todas às faculdades: Exijam provas melhores, reclamem quando a comissão que elabora a prova abusa de sua inteligência e de suas capacidades. Não se deixem medir pela régua da incompetência e da imbecilidade. Não é possível e eu duvido sinceramente mesmo, que os professores do IESB sejam incompetentes para elaborarem uma prova de qualidade. Do contrário, antes de ensinarem, precisariam aprender muita coisa.

IESB 1

Lá vou eu entrar numa seara perigosa e sujeita a retaliações. Tenho uma aluna do 3º ano que conseguiu ser aprovada em primeiro lugar no vestibular do IESB para o curso de Direito e na classificação geral ficou entre as 10 primeiras colocações. Todos na escola, com justa razão, parabenizaram a aluna pela performance, mas acredito que assim como outros alunos dessa turma, minha aluna nasceu mesmo foi para ser Pop Star, explico-me: Há uma propaganda do IESB que exibe várias pessoas, todas jovens, demonstrando pouco talento naquilo que se propuseram a fazer, no final da propaganda vem o slogan: “nem todo mundo nasceu para ser Pop Star”. Concluo que se você é medíocre no que faz, faça IESB, lá sua mediocridade será reconhecida.

Tive acesso à prova do grupo II e logo na primeira página me deparei com um texto obscuro, ininteligível. Um texto em que ou o aluno perde de vez o prazer pela leitura ou tem a sensação de que é um analfabeto funcional porque não consegue entender o que o autor quis dizer. Para piorar, o texto usado como referência para os itens da prova de Língua Portuguesa não tinha qualquer importância contextual. Foi, para ser magnânimo, um péssimo pretexto para se cobrar questões de gramática e de redação. Vou reproduzi-lo abaixo, apenas um trecho, porque vocês, meus 12 leitores fiéis, não merecem tanto sofrimento.

Montesquieu Desmontado

“Há um ponto em comum entre a ditadura nas democracias atuais: o goevrnante quer manter o poder em suas mãos.

Na ditadura, a administração do Estado é sempre piramidal: há o poder central uno, que se divide em níveis (ou tentáculos). Nestes, a força é diluída na dupla proporção de sua distância do centro e do maior número de executores das ordens emanadas do alto ou da exacerbação delas, ante a menor expressão daqueles sobre os quais a opressão recai.” (atenção Luís Ricardo você me ajudaria a compreender essa parte sublinhada? Confesso minha limitação.


Como vocês já perceberam, o título do texto é Montesquieu Desmontado. Li, reli, li outra vez e não vi qualquer referência ao filósofo iluminista. Quem assina essa patifaria textual é um respeitável advogado e graças a Deus ex-professor de Direito da PUC de São Paulo. Com todas essas referências é preciso dizer: Ele escreve mal e no texto citado, provou conhecer muito pouco de teoria política. Em seu obscurantismo textual ele diz que todo governante tem como principal interesse se manter ou mesmo se perpetuar no poder, essa idéia não é original, no século XVI Maquiavel com muito mais talento literário e teórico já nos explicava isso, mas o autor avança na tolice teórica: ele confunde governante, pessoa; com partido, instituição. Numa democracia de cunho liberal os governantes cumprem um mandato que pode ser renovado. Numa democracia séria, as eleições são livres e sem fraudes de modo que a vontade popular se impõe de forma soberana e o governante e o seu partido são julgados pelo povo periodicamente. Que um partido busque o poder e tente mantê-lo o máximo de tempo possível é próprio da natureza dos partidos numa democracia, mas isso não quer dizer que um governante de um determinado partido procure se eternizar no poder, se ele procura não é democrático. É finalmente, é própria da democracia a alternância de poder, coisa que a ditadura não admite.

Na ditadura o povo está alijado dessas escolhas. O governo se impõe pela força e não raras vezes pela violência política e pelo cerceamento das liberdades civis. Procurar sinonímia entre um sistema e outro é atestar a ignorância absoluta sobre o tema ou oferecer uma interpretação muito tosca de teoria política.

O texto assinado pelo senhor Walter Ceneviva, desculpe senhor Ceneviva se o trecho do IESB prejudicou a compreensão de sua tese, mas do jeito que foi publicada na prova do vestibular, ela não passa de uma estultície teórica. Sugiro ao pessoal do IESB das Ciências Sociais que procurem textos melhores para contextualizar a prova de vestibular dessa faculdade. Se for difícil, escolham uma saída mais simples: usem os clássicos, eles nunca terão pobreza literária, nem patifaria teórica. Ainda volto sobre a mesma prova do IESB em outro post, As coisa vão ficar piores.

Esquerda em estado puro.

Qual a diferença prática entre direita e esquerda? Norbeto Bobbio, de quem a maioria dos petistas quando muito só ouviu falar vagamente, fez uma distinção que se tornou lugar comum, vai sem aspas mas o sentido é respeitado: os direitistas acham as desigualdades sociais naturais, já os esquerdistas combatem as desigualdades buscando um mundo sem diferenças. No campo teórico essa é apenas mais uma falácia da esquerda. Desde os jacobinos da Revolução Francesa o que a esquerda faz com mais competência é eliminar adversários. Só nessa revolução cerca de trinta mil cabeças rolaram na guilhotina, muito pouco comparado às mortes dos líderes revolucionários que queriam um mundo melhor e lutavam pelo povo: Stálin 20 milhões de mortos, por baixo; Mao Tsé Tung mais de 60 milhões. Para a esquerda, matar pela causa é um imperativo ético.

Além da ética do assassínio, a esquerda tem a ética da corrupção. O velho maniqueísmo ensinado pelos meus professores esquerdofrênicos de que a esquerda é o bem supremo e a direita a encarnação do mal é mais uma picaretagem esquerdista. Em matéria de roubo, imoralidade e mau caratismo a esquerda é muito pior porque exibe, como os fariseus da época de Cristo, o exterior limpo e caiado, mas exalam um odor fétido por dentro, em suma: a esquerda é o sepulcro caiado das ideologias políticas.

Emir Sader que adora imputar aos outros crimes que ele mesmo comete e que detesta a lei quando ela o pune, deu um exemplo de como age um típico esquerdista. Está no blog do Reinaldo Azevedo um perrengue entre Emir Sader, César Benjamin e uma tal de Ivana que é namorada de Sader. Acessem o blog do Reinaldo e vocês conhecerão em detalhes a história sórdida, aqui vou dar apenas um aperitivo, o endereço do blog é: http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

Numa ação movida na justiça, a namorada de Sader, Ivana Jinkings, processa César Benjamin que concorreu a vice-presidente na chapa do P-SOL com Heloísa Helena por calúnia e difamação. O motivo da ação é em síntese o seguinte: Um livro sobre o governo Lula seria publicado pela editora Contraponto do César Benjamin, contudo uma licitação fraudulenta determinou a vitória de uma outra editora, a Boitempo, que é de Ivana, a namorada de Sader, que tirou a coordenação do projeto das mãos de César Benjamin. Eis a esquerda em estado natural. Calma, meus amigos, o melhor vem agora: se o livro tivesse sido feito pela Contraponto custaria 10 mil reais, mas na armação movida por Sader e Ivana, o livro passou a custar 30 mil reais, a diferença vocês deduzam para onde vai.

Eis os esquerdistas em estado puro: culpam os outros de crimes que eles mesmos cometem. Arvoram-se com o monopólio da ética e da moral. Quando erram, roubam e matam, justificam que fizeram isso por uma boa causa, por exemplo: pelo paraíso na terra. A história da esquerda é também a história da eliminação dos antigos companheiros. Robespierre mandou executar Danton e Hebert, Stálin mandou executar aliados próximos, sem esquecer é claro seu antigo companheiro de revolução, Leon Tróstsky. Mentir, matar e roubar, eis os pilares sobre os quais se sustenta a esquerda no mundo.

14 novembro, 2006

Ministério remedeia e crianças ficam sem remédio

O assunto desse post não é apenas sério, é trágico! Faz três meses que as crianças portadoras do vírus HIV em Pernambuco, mas com certeza em outros estados do país também, não recebem o medicamento imunoglobulina. Esse medicamento garante a defesa imunológica das crianças infectadas pelo HIV porque elas não conseguem produzir por conta própria os anticorpos necessários para se protegerem das doenças.

O Governo do Povo, dos ideais de igualdade e da justiça social já provou pelos números que não gosta de educação, prefere oferecer esmola e incentivar a preguiça e a acomodação de milhares de famílias com a Bolsa Escola.

A nova vítima do governo do PT e do presidente Lula são as crianças portadoras do vírus HIV. O Ministério da Saúde em ofício enviado a Secretaria de Saúde de Pernambuco reconheceu o problema e fez a recomendação bem bolchevique: "Racionalizem a distribuição da medicação". Em termos práticos isso significa que os médico do IMIP (Instituto Materno Infantil de Pernambuco) teriam que escolher quais crianças receberiam a medicação e quais não receberiam. Um verdadeiro acinte à dignidade humana e aos direitos fundamentais da criança que é o direito à vida. Não caberia, caso fique provado que uma ou mais dessas crianças morram pela falta da medicação, um ação indenizatória contra o Estado? O ministro da saúde não deveria incorrer em crime de responsabilidade? e a saúde segundo o Guia Genial dos Cegos estava quase perfeita, não é Lula!

O mais trágico dessa notícia porém não é apenas o desrespeito à essas crianças e às suas famílias. O mais trágico, porque revoltante, é que antes da Era Lula o Brasil havia se tornado referência no tratamento de HIV em crianças e em soropositovos no mundo. Em 4 anos, com direito a repeteco, com a culpa do povo, o governo do presidente "Burla" relegou a saúde e a educação a um estado de miséria "nunca antes visto nesse país".

Em nome das crianças pernambucanas portadoras de HIV e de tantas outras nesse país com o mesmo problema, lanço meu anátema a um governo estulto e irresponsável! a um presidente que ao invés de cuidar da saúde dos pequenos filhos dessa nação, opta por fazer campanha para um dementado populista que lhe chuta o traseiro. Que provação meu Deus é essa que nos impuseste?

11 novembro, 2006

"Nunca Nestepaiz" se investiu tão pouco em educação!

Essa não dá para não postar. O governo do povo, dos desassistidos, dos oprimidos, foi constrangido nesse fim de semana a reconhecer mais uma lambança: Nosso IDH (índice de desenvolvimento humano) caiu, mas ainda estamos na frente do Haiti.

Lula, o guia de cegos, adora comparar os números de seu governo com os do governo Fernando Henrique, pois saibam que em educação o governo do povo investiu menos, segundo o IBGE e os dados do PNAD, menos, repito, do que FHC. O percentual de investimento do governo em educação na Era Lula foi de 1,63 % do PIB, nos anos FHC foi de 1,73%. Em ambos os casos, ressalve-se, um país que destina menos de 2% do PIB para a educação se auto-explica.

Eu votei no Cristovam Buarque pois acredito na proposta de que a mudança passa, embora não se conclua, pela educação. O senador e o seu partido me decepcionaram quando de forma nada corajosa, pensando mais no umbigo do que na história, optaram pela neutralidade no segundo turno das eleições presidenciais. É óbvio que a neutralidade na prática significou o apoio ao Genial Guia dos Cegos, aquele que não vê nada. Tudo isso, agora, pouco importa. O povo, uma vez mais, optou pelas trevas!

A mesma pesquisa em que esses números foram exibidos, elogiou o Programa Bolsa Família, informando que foi um excelente programa de transferência de renda; saibam meu amigos, que se gastou mais em Bolsa Família do que em educação. Afinal de contas, como ensinou JK em seu Plano de Metas: Entre construir Rodovias, Indústrias automobilísticas, uma nova cidade e investir em educação para melhorar a escola, todos sabem da opção feita pelo presidente mais festejado da história desse país.

Se um médico, como foi JK, um sociólogo respeitado, como é Fernando Henrique Cardoso não tiveram assim tanto interesse pela educação, porque um presidente que mal sabe usar o plural, que nunca leu um livro com mais de 10 páginas na vida e que declara com uma certa jactância (os petralhas têm que ir ao dicionário) de não ter estudado e mesmo assim ter chegado à presidência, porque investiria em educação? Ele aprendeu, como a maioria dos alunos de hoje, que a escola e o sistema educacional são um engodo. Que o que conta não é o saber, ou mesmo saber alguma coisa, mas dar a impressão de que se sabe algo, fingir mesmo, exibir um saber aparente, superficial. Assim, na país do fingimento, todos escamoteiam.

09 novembro, 2006

Aos meus 12 leitores

Já faz um certo tempo que não escrevo no blog, e não fosse pelos 12 leitores fiéis, essa falta de notícias não seria assim tão relevante. Gostaria, caso me fosse lícito ter algum sonho, de passar um bom tempo, das 24 horas do dia, dedicado ao blog, ainda que minhas opiniões só tivessem uma, ou mesmo, meia dúzia de leitores. Infelizmente a profissão que abracei e da qual não me desvencilho por absoluta incompetência de fazer outra coisa, exige de mim uma dedicação praticamente exclusiva.

Nesse tempo de ausência, tenho lido, quando posso, os jornais e os sites e tenho mantido a orelha cauta para os burburinhos da rua e quanta coisa meu Deus tem me instigado a escrever, mas o tempo, esse juiz severo dos que tem que ganhar a vida com o suor do rosto, vem me impedindo de postar o que quero e na hora que sinto vontade. Talvez chegue o dia em que, o que me impedirá de escrever seja o tolhimento da liberdade de imprensa buscada sem descanso pelo governo do povo.

Alguns amigos, a quem prezo muito, reclamaram do palavrão no título do Post que mostrava o casal Lula-Marísia. Argumentaram que não combinava comigo, consenti e mudei para um título mais familiar. Explico, contudo, que às vezes um palavrão bem colocado, tem como objetivo explicitar uma indignação incontida, mas, reconheço, pode ser mal compreendido, sobretudo por meus alunos, embora sejam raras as ocasiões em que eles acessem esse blog.

Fim de ano, com as notas do 4º bimestre precisando ser fechadas e as recuperações finais sendo cobradas, o tempo de dedicação ao blog fica mesmo comprometido, por isso, meus queridos 12 leitores - os petistas desapareceram, não se incomodam mais comigo, ainda bem! – não estranhem os poucos posts. Sempre que sobrar um tempo passarei aqui para postar algo.

PS: Os itens de História do PAS serão comentados por mim e postados no blog, pretendo começar pelo terceiro ano, cuja prova será no próximo dia 18 de novembro.

04 novembro, 2006

Chama o gerente!































Podem dizer que estou pegando no pé do presidente, não me importa. Essa foto, contudo, ilustra bem os novos tempos. Vamos a uma pequena digressão:

Trabalhava eu na Brahma, atual Ambev, no engarrafamento de refrigerantes, quando uma máquina sopradora, daquelas que produzem garrafas pet, apresentou um problema. Era carnaval, a fábrica muito próxima a Recife, e o responsável onde estava? Na folia, na praia, estava de férias, merecidas férias! O que fez o gerente da fábrica? ligou para o responsável, que respondeu: "Porra, estou de férias, arruma alguém aí!" O gerente arrumou e o responsável voltou das férias direto para o departamento pessoal. Foi demitido. Às vezes, nossas responsabilidades se sobrepõem às nossas férias!

Lula que era esperado no encontro de cúpula dos países íbero-americanos, preferiu a tranquilidade de uma praia. Como publicou uma revista uruguaia: "Macaco velho não sobe em galho podre". A imprensa uruguaia, ( nem Lula, nem Marco Aurélio, nem os outros aloprados podem controla) Abaixo vai o editoral do Jornal do Brasil, leiam e pensem no Lula de sunga... não, não pensem nisso, chega de coisa triste!

Editorial

O único brasileiro sem motivo de queixas contra as autoridades aeronáuticas é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A bordo do jato presidencial, pôde decolar incólume rumo às férias negadas a milhares de mortais comuns, driblando o suplício que, sabe-se agora, o corte de investimentos federais e a briga entre militares e civis impõem aos contribuintes. Como se tornou comum nas crises, o governo jura ter sido surpreendido. Disso não há dúvida: nada é mais eloqüente do que o olhar perdido do ministro da Defesa, Waldir Pires. Ou a decolagem do Airbus presidencial, privilégio visto de longe por quem sofria há horas.

O colapso aeroviário, finalmente reconhecido, é experimentado há mais de uma semana por passageiros em todo o país, perdidos nos terminais à espera de vôos com atrasos além do absurdo. A esses infelizes, nenhuma autoridade se sentiu obrigada a dar explicações concretas, só promessas vazias e esquivas.

Após o acidente com o Boeing da Gol, o controle aéreo foi responsabilizado por um dos envolvidos e a reação oficial foi ríspida. A acusação era uma “leviandade”. A tragédia, no entanto, se desdobrou na calamidade que vivenciamos em todas as capitais. Então, se os controladores trabalhavam além do limite - como disseram para justificar o castigo imposto à população - quem é o leviano? Quem paga pelas horas de desconforto? Quem ressarcirá dezenas de compromissos profissionais de toda sorte atingidos? Quem será responsabilizado por dinamitar a credibilidade do sistema aéreo perante as associações internacionais?

A crise é o reconhecimento da falência de gerenciamento do setor. Idealizada para reduzir a militarização da malha aérea, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) é uma nulidade. Uma sinecura para quem sonhava com as benesses do serviço público. Seus diretores se revezam em aparições desastrosas que só ajudam a aumentar a confusão.

Foi assim no atendimento descortês às famílias das vítimas do vôo 1907, na falta de coordenação com a operação de resgate da FAB, na incapacidade em dar informações claras ao público e, agora, na silenciosa omissão diante do desespero de passageiros abandonadas à própria sorte, às vezes por mais de 20 horas, sem chegar ao destino.


Se o presidente Lula disser que nada sabia sobre a gravidade do quadro, há documentos que o desmentirão. Há três anos se alerta para a carência de recursos necessários para dotar o sistema aeroportuário da capacidade de acompanhar o crescimento da demanda, em explosivos 20% ao ano. A situação lembra o apagão energético no governo Fernando Henrique, quando o país, por falta de investimentos, foi obrigado a racionar a energia. E depois pagou a conta do prejuízo das empresas.

Viaja-se como nunca e isso é bom. Mas falta muito. Num território de dimensões continentais como o Brasil, não ter uma aviação comercial à altura é um entrave ao desenvolvimento e um sinal de retrocesso - já que o país teve, depois da II Guerra Mundial, uma das maiores frotas aéreas do mundo. Os céus vazios, paralisados pela maior confusão já vista, são um diploma de incapacidade inconcebível.

Mas há do que se orgulhar. Graças à Infraero, responsável pela gerência dos aeroportos, os passageiros podem aguardar vôos atrasados dez, 12 horas, ou informações que não terão em bancos de plástico com design ultramoderno. Podem dormir no chão de granito nos elegantes salões projetados por arquitetos de renome. Podem comprar bugigangas em terminais feéricos como shopping centers. Se há uma lição na crise, é a de que a paciência do usuário acabou. Basta de incompetência.


03 novembro, 2006

Crise nos aeroportos

Meus alunos do Terceiro Ano se leram os jornais ontem ou hoje vão ter aquela sensação de deja vù. Há cerca de duas semanas, chamei atenção para um dado curioso: A aeronáutica escondia informações relevantes sobre as investigações do acidente que envolveu o Legacy e o boeing da Gol. Naquela oportunidade alertei aos meus alunos que essa atitude reforçava a suspeita de que o erro partiu dos controladores de vôo e não dos pilotos do Legacy.

Hoje o comando da aeronáutica confirmou que a gravação da torre de São José dos Campos indica que o controlador orientou os pilotos do Legacy a permanecer na altitude de 37 mil pés se dirigindo para a colisão e para o pior acidente aéreo da história de nosso país. O erro se torna ainda mais grave, quando sabemos que essa informação era conhecida pelo comando da aeronáutica desde as primeiras horas após o acidente. Por que esconderam a informação? Por que transformaram dois pilotos estrangeiros em algozes, constrangendo-os e indiretamente colocando a opinião pública contra os pilotos americanos?

Estou absolvendo os pilotos? Não! Estou apenas dizendo como as coisas se passaram. Ah, mas por que os pilotos não seguiram o plano de vôo? ora, porque havia uma orientação da torre de São José dos Campos para manter a altitude. Outros erros existiram, não há dúvida, mas o primeiro e principal ocorreu no controle de São José dos Campos.

Operaçao padrão:

Foram 7 dias de sufoco, constrangimento, indiganação e desrespeito. Passageiros nos diversos aeroportos do país foram tratados como animais. Os controladores em Brasília se apegaram a uma determinação internacional e passaram a exigir melhores condições de trabalho, maiores salários e um plano de carreira militar. O brigadeiro Bueno chamou para si a responsabilidade e aquartelou os controladores militares do tráfego aéreo, buscando com essa medida normalizar a situação nos aeroportos brasileiros que já estavam em estado de entropia.

A falta de investimento no tráfego aéreo cobrou sua conta: 154 pessoas morreram! Mas o governo só decidiu mudar sua postura em relação ao setor quando ocorreu a "greve branca" dos controladores.