31 outubro, 2006

Um pouco de história

Libero Badaró é um nome esquecido até por jornalistas! Na escola básica, os alunos, numa ou noutra aula de história, ouvem falar desse homem, mas estão, os alunos, mais preocupados com outros assuntos; ficam alheios, em sua maioria, ao que a história pode ensinar. Líbero Badaró não é apenas um nome, é um símbolo, sobretudo nos dias atuais.

Em 1829 era fundado em São Paulo o jornal Observador Constitucional de viés liberal, embora moderado, mesmo assim, os absolutistas da época, viam o jornal, e tantos outros que criticavam o governo de D Pedro I, como insolentes e subversivos. O que tanto incomodava esses absolutistas? Em primeiro lugar a liberdade de imprensa que eles não entendiam e repudiavam; em segundo lugar, a inteligência na crítica aos desmandos de D Pedro I, e finalmente, incomodava porque o jornal e o jornalista não teciam loas ao governo e ao imperador. Em um dos números o jornal de Líbero Badaró “Comentou os acontecimentos da revolução de 1830, em Paris, notícia chegada ao Rio de Janeiro em 14 de setembro, da Revolução dos Três Dias, em que Carlos X fora destronado em julho passado, exortando os brasileiros a seguirem o exemplo dos franceses. Em sua obra, Armitage diz: O choque foi elétrico. Muitos indivíduos no Rio, Bahia, Pernambuco e São Paulo iluminaram suas casas por esse motivo. Excitaram-se as esperanças dos liberais e o temor dos corcundas, e estas sensações se espalharam por todo o Império por meio dos periódicos.” Os tempos contudo, exigiam mais cautela. A liberdade e o destemor dos artigos de Badaró incomodava muita gente, sobretudo os acólitos do imperador. O desfecho foi trágico: “Na noite de 20 de novembro, o jornalista foi interpelado por quatro alemães e, recebendo a carga de uma pistola, caiu mortalmente ferido.

O O Observador Constitucional dedicou o seu número de 26 de novembro à morte de seu criador: Morro defendendo a liberdade, disse ele em seus minutos finais. A repercussão em São Paulo foi imediata. A seu enterro compareceram 5 mil pessoas e mais de 800 tochas foram acesas.”

Muitos acreditaram ter sido o imperador o mandante daquele crime. O Brasil daquela época não era o de hoje. O governante máximo não era um inculto, embora fosse também um troglodita em matéria política. A diferença principal estava no povo. No passado eles não compactuaram com o crime. Reagiram. Foram às ruas exigir punição. O resultado? Vocês verão em outro post.

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