21 outubro, 2006

Também tenho minhas metáforas

Manuel Bandeira foi um poeta que descobri tarde, confesso com certo pejo. A exuberância dos versos de Castro Alves me cativou de tal forma aos 12 anos que pensei que poesia fosse apenas aquilo que o poeta baiano fazia. Depois conheci Bilac, Casimiro e mais tarde, Bandeira, João Cabral e Fernando Pessoa. Ainda não descobri totalmente Drummond, mas ele não me é estranho. Diante das pesquisas de intenção de voto para presidente e das novas e inesgotáveis revelações de crimes cometidas pelos homens aloprados de Lula, veio a lembrança de um poeminha de Manuel Bandeira, também tenho direito às minhas metáforas.

PNEUMOTÓRAX

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi,
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.
..................................................................................................
- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo
e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Um comentário:

Luís Ricardo disse...

Tango Argentino? Arrisco um palpite: Cuesta Abajo...