21 outubro, 2006

Outra prova contra a Farsa de Carta Capital

Hoje estou sem sono, o pior é que amanhã trabalho o dia inteiro, mas fazer o quê. Acabo de ler no site Observatório de Imprensa a resposta que Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo, enviou à Carta Capital sobre a matéria farsante da semana passada. Vou postar partes do texto, mas, abaixo, vou pôr o endereço do site para quem quiser ler na íntegra.

Leitor assíduo deste Observatório, um espaço plural e aberto a todas as discussões relativas ao jornalismo, pude acompanhar o debate envolvendo a matéria de capa da revista CartaCapital. Por esse motivo, gostaria de compartilhar com os leitores do OI a longa resposta que enviei à revista. Na semana passada, recebi de Maurício Dias um questionário cujo teor não deixava dúvida de que a revista estava mal-intencionada: as perguntas partiam sempre de premissas falsas e se referiam a episódios que nunca existiram. Preferi então dar uma resposta geral, reafirmando nossa convicção de que estamos realizando uma cobertura isenta das eleições. Para minha surpresa, porém, os principais ataques da revista à TV Globo não constavam do questionário que o repórter tinha me enviado. Isso pode ser facilmente constatado a partir da leitura da "reportagem".


A TV Globo não teve oportunidade de relatar a verdade dos fatos previamente. Isto está feito no texto abaixo. É um relato minucioso e verdadeiro, não em minha defesa, mas em defesa do trabalho que nossas equipes espalhadas por todo o Brasil vêm fazendo com seriedade e compromisso com a ética.

Informações preliminares

De tudo o que foi escrito em "A trama que levou ao segundo turno", reportagem de capa de CartaCapital da semana passada (nº 415, de 18/10/2006), a insinuação mais fantasiosa é aquela sobre o acidente com o vôo 1907, da Gol. A revista afirma que, no Jornal Nacional de 29 de setembro, o noticiário eleitoral, com destaque para as fotos do dinheiro dos petistas, foi praticamente o único assunto. Depois, ao constatar que o telejornal não divulgou a notícia do desastre, a revista pergunta: "A emissora levou um furo, como se diz no jargão jornalístico, ou decidiu concentrar seus esforços no que lhe pareceu mais importante?".

A revista alega que o site Terra, às 20h10, já trazia extensa matéria sobre o desastre.

A insinuação provocou constrangimento nas nossas equipes em Rio, São Paulo, Brasília e Manaus, envolvidas na cobertura da tragédia. As primeiras informações sobre o desaparecimento de um avião nos chegaram quando o JN já estava havia muito no ar (o telejornal teve início às 20h). Imediatamente, nossas equipes saíram à cata de informações, que eram escassas e sem confirmação. Seria um avião de passageiros que estava desaparecido ou atrasado? Ele era da Gol ou da Embraer? Ele sumiu em Mato Grosso, indo para Brasília, ou no Pará, indo para Manaus? Em nossas redações, foi aquela correria, mas todos tínhamos uma convicção: só poríamos a informação no ar quando tivéssemos certeza dela.

Um telejornal como o Jornal Nacional, recordista absoluto de audiência, constrói a sua reputação assim: com notícias corretas, sem espalhar o pânico no país. Pôr no ar que um avião de passageiros da Gol "pode" estar desaparecido, sem dizer qual o vôo e qual a rota é simplesmente levar o pânico para milhares de casas Brasil afora. Não fizemos isso. Não faremos isso. Mesmo que tivéssemos conseguido confirmar a informação antes do encerramento do JN, ela seria apenas uma nota, pois todos que conhecem TV sabem que é impossível produzir um rico material com o jornal a caminho do fim, com um assunto que demanda deslocamentos grandes.

Não consegui encontrar a suposta nota das 20h10 do site Terra, mencionada pela reportagem na CartaCapital, não sei sequer se ela existiu de fato. Mas encontrei outra, tida pelo site como a primeira, publicada às 20h46 atualizada às 3h21 do sábado, em que tudo está na condicional (observem os trechos em itálico), mesmo após atualizações tão tardias:

"Um avião de passageiros da Gol, vôo 1907, que saiu de Boa Vista com escala em Manaus, Belém e Brasília e destino ao Rio de Janeiro, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), teria sumido do radar de controle do sistema aéreo nacional. As informações iniciais dão conta de que havia 155 passageiros, mas ainda não se sabe o número exato de pessoas a bordo. Segundo informações preliminares, o avião teria colidido em pleno vôo com outra aeronave de pequeno porte, modelo Legacy, fabricada pela Embraer.

"O gerente de imprensa da Infraero comunicou que logo após o desaparecimento do avião da Gol, uma aeronave de reconhecimento eletrônico da Força Aérea Brasileira, capaz de detectar metais em terra, em regiões de selva, e de voar em situações de alto risco, decolou para tentar localizar o avião.

"Segundo a Infraero a área que estão monitorando é de um raio de 30 quilômetros. A direção da Infraero está esperançosa já que moradores de São Felix do Xingu, fronteira do Mato Grosso com o Pará, avistaram um avião de grande porte voando baixo, mas não houve relatos de explosão. O avião modelo Legacy, de propriedade de uma empresa norte-americana, que teria se chocado com o avião da Gol, fez contato com a torre de controle de tráfego aéreo de Manaus para avisar do ocorrido e pousou".

Esta notícia, como disse, foi publicada às 20h46, quando o JN já tinha acabado (ele saiu do ar às 20h45). E trazia apenas possibilidades. Um site de internet deve publicar informações assim, tão preliminares (mas notem que só o fez às 20h46). Um telejornal da dimensão de um JN, jamais. Mesmo que tenha havido uma notícia sobre o assunto no Terra às 20h10, como alega a revista, o grau de imprecisão dela deve ter sido ainda maior, forçosamente, do que a que foi divulgada às 20h46.

Fonte graduada

A notícia foi divulgada pela Rede Globo tão logo obtivemos a confirmação oficial, sem possibilidade de erro, obtida junto à Gol e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Isso ocorreu poucos minutos após o término do JN. Obtivemos a confirmação de fonte segura, mas ainda antes de uma manifestação oficial e por escrito tanto da Gol quando da Anac, que só divulgaram a primeira nota oficial às 21h50.

Não nos sentimos frustrados, mas convictos de que não divulgamos boatos, não dissemos que uma aeronave estaria desaparecida, mas demos a notícia exata: o avião da Gol que fazia o vôo 1907 desapareceu quando sobrevoava a região amazônica, entre Manaus e Brasília, com 155 passageiros a bordo. E, a partir dali, a cada intervalo comercial, municiamos nossos telespectadores com notícias exatas. Foi assim no Jornal da Globo daquela noite. Foi assim no Jornal Hoje e no Jornal Nacional dos dias subseqüentes. Um detalhe: o noticiário sobre o dossiê e as fotos, três VTs e duas notas, ocupou oito dos 37 minutos do JN. Dizer que o tema foi praticamente o único do JN daquele dia é, portanto, apenas parte da fantasia.


para ler o texto inteiro o endereço é:


http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=403JDB010


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