29 outubro, 2006

Meu pronunciamento

Nenhuma surpresa, infelizmente. As pesquisas de opinião acertaram na mosca. Aqui em Brasília, mas com certeza em muitos lugares desse país, a petralhada dança, solta fogos, escuta jingles de campanhas anteriores; estão embevecidos, e, em muitos casos, também ensadecidos com a vitória do apedeuta. Exibem em seus rostos a euforia dos cínicos e a alegria dos ímpios. Estão certos de que as iniqüidades cometidas ficarão sem punição.

Numa democracia, a maioria vence. No século V aC Platão já exibia suas desconfianças em relação ao modelo político ateniense. Claro que a democracia em Atenas era bem diferente da nossa, mas a crítica de Platão tem sua relevância. O eixo principal de sua crítica era a subjetividade das discussões. Perdia-se horas em pontos irrelevantes e o que deveria ser debatido era negligenciado. Platão não gostava da ignorância, considerava-a o pior defeito do ser humano, no Brasil ela é entronizada, é sinônimo de honestidade, como se o pobre fosse por definição e a priori homem de bem, e os ricos, os abutres. Elegeu-se a república dos sindicalistas, do populismo, do cinismo e agora, escutem, também do racismo! Esse governo vai implantar o racismo no Brasil!

Vou prosseguir na luta inglória e mesmo quixotesca de denunciar a farsa do PT e do governo Lula, muitos vão me criticar, acusar-me-ão de reacionário, direitista, neoliberal, esses chavões da esquerda que se repetem aborrecidamente! Ao menos poderei revidar com outros adjetivos: lenientes, cúmplices, coniventes com a bandidagem e o atraso! É importante não esquecer que a sombra dos crimes ainda paira sobre o PT e o Palácio do Planalto, e esses devem ser investigados a fundo, mas já se prepara uma investigação à la Rio-Centro em 1981, quando o IPM (Inquérito Policial Militar) concluiu que os militares foram as vítimas e não os protagonistas do atentado a bomba.

Muitos têm esperança de que o novo mandato vai ser melhor. Acreditam inclusive que os casos de corrupção desaparecerão, como se fossem falhas de caráter de alguns petistas e não método do PT. Eu não tenho esperança, e isso não significa que torça pelo quanto pior melhor, apenas a certeza de que as condições econômicas não serão tão favoráveis quanto foram no primeiro mandato. Quando a criatividade e a competência forem exigidas para enfrentar as dificuldades que se avizinham no campo da economia, a mediocridade desse governo se revelará ainda maior. Não que ela tenha se escondido no primeiro mandato, mas passou desapercebida pelos incautos ou escamoteada pelos mal-intecionados. O que apareceu de forma inconteste, reconhecida inclusive pelo governo, foi a corrupção, que agora o presidente chama de erros do governo, mas essa, o povo, as urnas, não se incomodaram, ao contrário, reforçaram-na e adotaram o slogan do populista Adhemar de Barros, lá pelos idos de 1950, "Rouba, mas Faz!" E assim prosseguirei de cabeça erguida, ciente de que lutei o bom combate, em nome da decência e da moral, como valores indispensáveis para a boa prática política!

Um comentário:

Luís Ricardo disse...

Caro Zé Paulo, Platão reclamava, mas não tinha visto nada. Na Grécia Antiga apenas os cidadãos atenienses votavam. As demais classes (escravos, estrangeiros e mulheres) não votavam. Este modelo, aos olhos de hoje é evidentemente injusto (principalmente porque a única classe que resta, no caso, são as mulheres), mas encerra um único tom de sabedoria: os cidadãos atenienses eram os únicos que estudavam. As mulheres, que viviam enclausuradas, de nada sabiam. A democracia ateniense era feita por voto qualificado.
Afirmo sempre que a derrocada do Brasil começou na Constituição de 1988, com a demagogia cretina de se dar direito de voto ao analfabeto. Se o semi-alfabetizado (ou semi-analfabeto, como dizem alguns, que pensam qua alguém pode ter a metade de nada) já era um problema, eles resolveram piorar. Instituir, constitucionalmente, o curral-eleitoral.
Junte isso ao oportunismo da esquerda e você tem o caldo que nos trouxe (e manteve) Lula.
Platão era feliz e não sabia.