31 outubro, 2006

Eles querem um PRAVDA!


Foi o escritor britânico Erick Blair, mais conhecido por George Orwell, que escreveu em sua obra mais conhecida, 1984, o conceito de New Speak, traduzido para o portugês como Novilíngua. Segundo Orwell a Novílingua mudaria conceitos e significados de palavras para adequa-los à nova verdade do Partido.

Os bolcheviques criaram o Pravda, que significa em russo, Verdade, e nesse jornal se especializaram em escrever mentiras. O próprio Stálin reconheceu que nos meses de convalescença de Lênin, edições de Pravda eram feitas especialmente para o líder moribundo do que de pior as massas já produziram: A Revolução Comunista! Nessas edições especiais, Lênin lia um país de mentira, pois todas as notícias publicadas eram mentirosas. Se os camaradas comunistas não sentiam pejo de enganar seu líder, avaliem como eles não mentiam para essa entidade estranha que eles chamavam de povo.

O ataque do PT, sim meus amigos, não caiam na falácia de certos jornalistas que afirmam que isso são coisas de alguns poucos radicais, uma espécie nova de aloprados do PT anti-mídia. Isso é método, querem intimidar a imprensa livre, querem cartilhas de apoio ao líder e ao Partido, quem não aderir, deve ser banido.

Gilberto Dimestein por exemplo, esse jornalista cheio de boas intenções, que os alunos de Brasília que prestarão o PAS (PROGRAMA DE AVALIAÇÃO SERIADA) para ingressar na UNB são obrigados a ler, escreveu na Folha Online que repudia a ação violenta contra a mídia, mas antes, reconhece, e de alguma forma, justifica a ação totalitária desses militantes do PT, ao afirmar que alguns jornalistas exageraram nas denúncias contra o governo. Condena a ação, mas sugere sorrateiramente a censura prévia, pessoal, psicológica, dos profissionais de imprensa, numa análise ou auto-reflexão, como sugeriu o presidente do PT Marco Aurélio Garcia, para saberem se estão ou não exagerando nas tintas, sobretudo se escrevem contra o governo.

Estamos há apenas dois dias da vitória de Lula, e o obscurantismo já se mostra às claras, para usar um paradoxo.

Um comentário:

Luís Ricardo disse...

Samuel Johnson disse que "Para poder ensinar os homens a dizer a verdade, é preciso que aprendam primeiro a ouvi-la." Como essa gente se recusa a isso, não podemos esperar muito.
A imprensa livre tem sido, ao longo das sociedades democráticas, uma especie de "grilo falante" da sociedade e, indiretamente, do poder público instituído por ela. Se ela se calar, será menos incômodo fingir que se abre mão da legalidade e da moralidade em prol da governabilidade como símbolo do bem comum.
Nossos políticos são Pinóquios: por suas mentiras, por suas caras-de-pau, e até pela imaturidade que os deixa serem levados pelos prazeres e imediatismo. Mas também são um retrato do povo que os elege. Precisam do grilo para serem "meninos (homens) de verdade", mas ainda não acordaram para isso. Espero que não precisemos ficar na barriga da baleia para que aprendam a lição.