31 outubro, 2006

Eles querem um PRAVDA!


Foi o escritor britânico Erick Blair, mais conhecido por George Orwell, que escreveu em sua obra mais conhecida, 1984, o conceito de New Speak, traduzido para o portugês como Novilíngua. Segundo Orwell a Novílingua mudaria conceitos e significados de palavras para adequa-los à nova verdade do Partido.

Os bolcheviques criaram o Pravda, que significa em russo, Verdade, e nesse jornal se especializaram em escrever mentiras. O próprio Stálin reconheceu que nos meses de convalescença de Lênin, edições de Pravda eram feitas especialmente para o líder moribundo do que de pior as massas já produziram: A Revolução Comunista! Nessas edições especiais, Lênin lia um país de mentira, pois todas as notícias publicadas eram mentirosas. Se os camaradas comunistas não sentiam pejo de enganar seu líder, avaliem como eles não mentiam para essa entidade estranha que eles chamavam de povo.

O ataque do PT, sim meus amigos, não caiam na falácia de certos jornalistas que afirmam que isso são coisas de alguns poucos radicais, uma espécie nova de aloprados do PT anti-mídia. Isso é método, querem intimidar a imprensa livre, querem cartilhas de apoio ao líder e ao Partido, quem não aderir, deve ser banido.

Gilberto Dimestein por exemplo, esse jornalista cheio de boas intenções, que os alunos de Brasília que prestarão o PAS (PROGRAMA DE AVALIAÇÃO SERIADA) para ingressar na UNB são obrigados a ler, escreveu na Folha Online que repudia a ação violenta contra a mídia, mas antes, reconhece, e de alguma forma, justifica a ação totalitária desses militantes do PT, ao afirmar que alguns jornalistas exageraram nas denúncias contra o governo. Condena a ação, mas sugere sorrateiramente a censura prévia, pessoal, psicológica, dos profissionais de imprensa, numa análise ou auto-reflexão, como sugeriu o presidente do PT Marco Aurélio Garcia, para saberem se estão ou não exagerando nas tintas, sobretudo se escrevem contra o governo.

Estamos há apenas dois dias da vitória de Lula, e o obscurantismo já se mostra às claras, para usar um paradoxo.

A versão de Veja

No site de Veja há uma nota explicando o aconteceu na sede da PF em São Paulo com os jornalistas do semanário mais lido do país. Leiam e analisem o que essa gente está preparando para o nosso país.

A pretexto de obter informações para uma investigação interna da corregedoria sobre delitos funcionais de seus agentes e delegados, a Polícia Federal intimou cinco jornalistas de VEJA a prestar depoimentos. Eles foram os profissionais responsáveis pela apuração de reportagens que relataram o envolvimento de policiais em atos descritos pela revista como "uma operação abafa" destinada a afastar Freud Godoy, assessor da presidência da República, da tentativa de compra do dossiê falso que seria usado para incriminar políticos adversários do governo. Três dos cinco jornalistas intimados – Júlia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro – foram ouvidos na tarde de terça-feira pelo delegado Moysés Eduardo Ferreira.

Para surpresa dos repórteres sua inquirição se deu não na qualidade de testemunhas, mas de suspeitos. As perguntas giraram em torno da própria revista que, por sua vez, pareceu aos repórteres ser ela, sim, o objeto da investigação policial. Não houve violência física. O relato dos repórteres e da advogada que os acompanhou deixa claro, no entanto, que foram cometidos abusos, constrangimentos e ameaças em um claro e inaceitável ataque à liberdade de expressão garantida na Constituição.

Ao tomar o depoimento da repórter Julia Duailibi, o delegado Moysés Eduardo Ferreira indagou os motivos pelos quais ela escrevera "essa falácia". A repórter da VEJA, então, perguntou ao delegado Moysés qual era o sentido de seu depoimento, uma vez que ele já chegara à conclusão antecipada de que as informações publicadas pela revista eram "falácias". Ao ditar esse trecho do depoimento para o escrivão, o delegado atribuiu a palavra à repórter, no que foi logo advertido pela representante do Ministério Público Federal, a procuradora Elizabeth Kobayashi. A procuradora pediu ao delegado que retirasse tal palavra do depoimento porque tratava-se de um juízo de valor dele próprio e que a repórter nunca admitira que escrevera falácias.
Embora a jornalista de VEJA estivesse depondo na condição de testemunha num inquérito sem nenhuma relação com a divulgação das fotos do dinheiro do dossiê, o delegado Moysés Eduardo Ferreira a questionou sobre reportagem anterior, assinada por ela, que tratava do tema. O delegado exigiu, então, da repórter que revelasse quem lhe dera um CD com as fotos. A repórter se recusou a revelar sua fonte.
Durante todo o depoimento da repórter Julia Duailibi, o delegado Moysés Eduardo Ferreira a questionou a sobre o que ele dizia ser uma operação de VEJA para "fabricar" notícias contra a Polícia Federal. Disse que matéria fora pré-concebida pelos editores da revista e quis saber quem fora o editor responsável pela expressão "Operação Abafa".
O delegado disse que as acusações contra o diretor-executivo da Superintendência da PF, Severino Alexandre, eram muito graves. E perguntou "Foi você quem as fez? Como vieram parar aqui?". Referindo-se à duração do depoimento, o delegado Moysés Eduardo Ferreira disse: "Se você ficou duas horas, seu chefe vai ficar quatro"
Indagada sobre sua participação na matéria, a repórter Camila Pereira disse ter-se limitado a redigir uma arte explicativa, a partir de entrevistas com advogados, sobre como a revelação da origem do dinheiro poderia ameaçar a candidatura e/ou um eventual segundo mandato do presidente Lula. O delegado perguntou quais advogados foram ouvidos. A repórter respondeu que seus nomes haviam sido publicados no próprio quadro. O delegado, então, perguntou se VEJA pagara pela colaboração dos advogados. Diante da resposta negativa, o delegado ditou para o escrevente que a repórter respondera que "normalmente a revista não paga por esse tipo de colaboração". A repórter, então, o corrigiu, dizendo que a revista nunca paga para suas fontes
Embora os repórteres de VEJA tenham sido convocados como testemunhas, o delegado Moysés Eduardo Ferreira impediu que eles se consultassem com a advogada que os acompanhava, Ana Dutra. Todo e qualquer aparte de Ana Dutra era considerado pelo delegado Ferreira como uma intervenção indevida. Em determinado momento, Ferreira ameaçou transformar a advogada em depoente. Ele também negou aos jornalistas de VEJA o direito a cópias de suas próprias declarações, alegando que tais depoimentos eram sigilosos. A repórter Júlia Duailibi foi impedida de conversar com o repórter Marcelo Carneiro.
A estranheza dos fatos é potencializada pela crescente hostilidade ideológica aos meios de comunicação independentes, pelas agressões de militantes pagos pelo governo contra jornalistas em exercício de suas funções e, em especial, pela leniência com que esses fatos foram tratados pelas autoridades. Quando a imprensa torna-se alvo de uma força política no exercício do poder deve-se acender o sinal de alerta de modo que a faísca seja apagada antes que se torne um incêndio. Nunca é demais lembrar: "Pior do que estar submetido à ditadura de uma minoria é estar submetido a uma ditadura da maioria."

Sinais das trevas 2

Alguns amigos petista, democráticos, ficavam indignados com as matérias publicadas pela revista Veja. Até aí, tudo muito normal! Contestemos, ofereçamos outras leituras sobre fatos, denunciemos com argumentos, as supostas falsidades e mentiras de uma reportagem, mas não queiramos, porque um órgão de imprensa feriu ou maculou nossos ideais, fechá-lo.

Já está nos blogs que os repórteres da Veja, que escreveram uma matéria denunciando a estratégia do governo para tirar Freud Godoy da mira dos investigadores da PF, foram convocados à depor na sede da PF em São Paulo, e lá, foram intimidados por um delegado da PF, cujo nome é Moisés. Sabendo da intimidação, e das violações civis a que os jornalistas estavam se submetendo, o ex-presidente FHC e o senador Tasso Jereissati, ligaram para o ministro Márcio Thomás Bastos e ameaçaram ir até à sede da PF em São Paulo acompanhar o depoimento dos jornalistas, uma vez que o advogado que os acompanhava, pasmem, tinha sido proibido de falar. O ministro, claro, disse não saber de nada, e determinou que os jornalistas fossem liberados.

Eis a democracia dessa gente.

Fico imaginando quanto tempo durou e como foi o teor do depoimento à PF de Brasília do ex-presidente do PT Ricardo Berzoini. Será que ele foi também intimidado? Será que os 60,8% dos votos válidos do Lula transformaram à PF em polícia política? Os tempos escuros se revelam mais cedo que eu imaginava.

Um pouco de história

Libero Badaró é um nome esquecido até por jornalistas! Na escola básica, os alunos, numa ou noutra aula de história, ouvem falar desse homem, mas estão, os alunos, mais preocupados com outros assuntos; ficam alheios, em sua maioria, ao que a história pode ensinar. Líbero Badaró não é apenas um nome, é um símbolo, sobretudo nos dias atuais.

Em 1829 era fundado em São Paulo o jornal Observador Constitucional de viés liberal, embora moderado, mesmo assim, os absolutistas da época, viam o jornal, e tantos outros que criticavam o governo de D Pedro I, como insolentes e subversivos. O que tanto incomodava esses absolutistas? Em primeiro lugar a liberdade de imprensa que eles não entendiam e repudiavam; em segundo lugar, a inteligência na crítica aos desmandos de D Pedro I, e finalmente, incomodava porque o jornal e o jornalista não teciam loas ao governo e ao imperador. Em um dos números o jornal de Líbero Badaró “Comentou os acontecimentos da revolução de 1830, em Paris, notícia chegada ao Rio de Janeiro em 14 de setembro, da Revolução dos Três Dias, em que Carlos X fora destronado em julho passado, exortando os brasileiros a seguirem o exemplo dos franceses. Em sua obra, Armitage diz: O choque foi elétrico. Muitos indivíduos no Rio, Bahia, Pernambuco e São Paulo iluminaram suas casas por esse motivo. Excitaram-se as esperanças dos liberais e o temor dos corcundas, e estas sensações se espalharam por todo o Império por meio dos periódicos.” Os tempos contudo, exigiam mais cautela. A liberdade e o destemor dos artigos de Badaró incomodava muita gente, sobretudo os acólitos do imperador. O desfecho foi trágico: “Na noite de 20 de novembro, o jornalista foi interpelado por quatro alemães e, recebendo a carga de uma pistola, caiu mortalmente ferido.

O O Observador Constitucional dedicou o seu número de 26 de novembro à morte de seu criador: Morro defendendo a liberdade, disse ele em seus minutos finais. A repercussão em São Paulo foi imediata. A seu enterro compareceram 5 mil pessoas e mais de 800 tochas foram acesas.”

Muitos acreditaram ter sido o imperador o mandante daquele crime. O Brasil daquela época não era o de hoje. O governante máximo não era um inculto, embora fosse também um troglodita em matéria política. A diferença principal estava no povo. No passado eles não compactuaram com o crime. Reagiram. Foram às ruas exigir punição. O resultado? Vocês verão em outro post.

Sinais das trevas!


O PT é aborrecidamente previsível. Só quem não enxerga o autoritarismo do partido, sua vocação totalitária e seu apreço pela violência política, física e, não raras vezes, às regras mais comenzinhas da gramática, são os incautos ou os mal intecionados.

Ontem, segunda-feira, a petralhada esperava o apedeuta chegar em Brasília e já no aeroporto começou a hostilizar jornalistas. Isso é coisa de militante radical, diriam os incautos, antes fosse, respondo. Lula, a todo momento se trai e revela seu lado verdadeiro: Autoritário, pouco propenso à discussão, principalmente com que lhe revela as sandices e as bobagens que faz e diz. Lembram do pronunciamneto de domingo? o apedeuta esqueceu que existe o "tempo legislativo" e o tempo judiciário", muitas vezes lento, mas indispensáveis para a manutenção da democracia. Pois ele disse: "Quando as coisas forem decididas em minha mesa devem levar no máximo trinta dias para serem executadas. Se quiserem discutir, discutam antes de chegar à minha mesa!" Eis o nosso líder que aprendeu a negociar e a ouvir.

À noite no JN ele mais de uma vez revelou seu autoritarismo. Mostrou impaciência com as perguntas dos jornalistas e lançou uma das pérolas da noite: "Dunga escolhe os jogadores da seleção e quem escolhe os ministros sou eu!" Talvez ele estivesse fazendo uma paráfrase do que foi dito por João Saldanha quando o presidente Médici sugeriu a convocação de Dario, o Dadá Maravilha. Disse o jornalista João Saldanha à época: O presidente escolhe os ministros e eu os jogadores. Saldanha não foi à copa, Dario foi. Eram tempos díficieis!

Não bastasse isso, o presidente do PT, o quarto desde a crise do Mensalão, Marco Aurélio Garcia, aquele senhor esquisito, com um sorriso meio paspalho, mas que esconde uma alma stalinista, criticou os jornalista. Fosse mais pressionado, diria que a culpa foi dos agredidos e não dos agressores. Disse mais: a imprensa deveria fazer uma auto-reflexão do que escreveu na cobertura da campanha. Sugeriu inclusive, que a imprensa deveria retificar e publicar que não houe o Mensalão, essa gente não é tosca, é perigosa! Percebam que os militates foram apenas os instrumentos de uma ideologia totalitária que quer amordaçar a liberdade de expressão.

Vocês aindam lembram do quebra-quebra na Câmara? Viram como essa gente do MLST, ligada ao PT, tem respeito pela democracia? pois é, os tempos atuais não serão menos difíceis do que aqueles da era Médici.

Vou reproduzir abaixo o que considero a prova de que as trevas já chegaram para aqueles que defendem a liberdade de imprensa, o Estado de Direito e a democracia. Vejam a notícia que ontem não foi mencionada pelos grandes veículos desses país, estariam eles intimidados com os bolcheviques tupiniquins? Vejam o absurdo:

Agressões - Na segunda, militantes petistas reunidos para receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fizeram coros contra a imprensa - como a principal revista do país, VEJA, a TV de maior audiência, Rede Globo, e o jornal de maior tiragem, Folha de S. Paulo - e agrediram repórteres que acompanhavam o evento. "Vamos fechar todos os jornais", gritava um dos militantes.

Na chegada de Lula, uma militante bateu com uma bandeira na cabeça de um repórter. Outro jornalista foi cercado. Funcionários da TV Globo tiveram de se trancar em um caminhão da emissora. Garcia disse que o PT condena agressões a jornalistas. "Nós não compartilharemos de forma nenhuma com essas práticas. Muitas vezes nós divergimos com a imprensa, mas não negamos seu papel."


30 outubro, 2006

Rui Barbosa tinha razão!




Nas trevas a que nos destinamos ontem, quando a ignorância é antes sinal de prestígio do que de repúdio, onde a moral dos ímpios prevalece sobre a moral dos decentes, devemos recorrer aos clássicos! Essa atitude não é original, reconheço. Lá pelos idos do século XIV, Francesco Petrarca, abismado com a truculência e a ignorância dos homens de seu tempo declarou que se sentia mais à vontade revisitando os clássicos do que conversando com os seus contemporâneos. Um pouco mais tarde, no século XVI, Nicolo Maquiavelli, depois de um revés político em Florença, se refugia em sua casa e passa, segundo ele, a conversar com os antigos. Dessa conversa saiu Il Principe, até hoje leitura obrigatória de quem não tem horror ou desprezo aos livros. Em síntese: Quando as trevas da ignorância se impõem, quando o cinismo desmedido vira prática corriqueira, os clássicos hão de nos salvar da bárbárie que se avizinha.

Em 1910, aqui mesmo por essas plagas, ocorria de fato, a primeira campanha presidencial da República Velha. Pela primeira vez, nosso país vivenciava uma disputa eleitoral acirrada: De um lado o general Hermes da Fonseca, apoiado por Minas Gerais e outras oligarquias, e do outro, o intelectual, jornalista e filólogo, Rui Barbosa, apoiado por São Paulo. Essa campanha ficou conhecida pelo nome de Civilista e atraiu para o debate a classe média que se formava no Brasil e os estudantes, ciosos de acabar com as práticas espúrias do processo político na República Velha. Nos discursos de Rui Barbosa valores como decência, republicanismo, submissão ao império da lei, pareciam palavras estrangeiras para os eleitores do grotões, dependentes do coronel, cujos votos eram rigidamente controlados pelo cabresto do grande proprietário.

Lula não sabe quem foi Rui Barbosa. É possível apenas que ele se lembre que havia, lá pelos idos de 1984, uma cédula de 10000 cruzeiros (que o Plano Cruzado na era Sarney transformou em 10 cruzados) , que trazia a efígie de um senhor, que diziam tratar-se de um tal Rui Barbosa. Como estamos na época da ignorância e como alguns amigos petistas lêem esse blog, vou fazer o favor de esclarecer algumas coisas:

Rui Barbosa, pequeno em estatura, mas um gigante no saber, foi, desde a época do império, um intelectual festejado, chegando a receber elogios públicos do imperador D. Pedro II pela sua notável inteligência. Sua consagração se deu em Haia, na Holanda, numa conferência de Paz. Naquela época um observador que acompanhava o encontro de diplomatas escreveu: "As duas maiores forças pessoais da Conferência foram o Barão de Marschall da Alemanha, e o Dr. Barbosa, do Brasil... Todavia ao acabar da conferência, Dr. Barbosa pesava mais do que o Barão de Marschall". Ao retornar ao Brasil consagrado pela sua atuação em Haia, houve uma verdadeira manisfestação de orgulho pátrio pela performance de Rui Barbosa no exterior. Houve uma época no Brasil em que a intelectualidade era motivo de orgulho de uma nação, acreditem! Hoje, ficamos felizes e achamos até histórico, que um líder operário que teve tudo para estudar, que ganha desde os anos 80 um salário de um partido e uma pensão vitalícia do governo, se orgulhe ao dizer que tudo que aprendeu foi na vida, na lida, com a mãe analfabeta, essas parolagens... que lamenta, mas nunca fez um esforço para resolver isso, de nunca ter sentado, porque não quis repito, numa banca de universidade. Achamos lindo que o primeiro mandatário do país faça a apologia da ignorância.

Por que cito Rui Barbosa? porque no senado federal quando a capital era no Rio de Janeiro ele fez um pronunciamento que o Alckmin bem poderia ter feito ontem ao reconhecer a derrota para o apedeuta. As palavras de Rui Barbosa pronunciadas há 86 anos são espantosamente atuais e servem se ilustração para os tempos que vivemos:

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."



29 outubro, 2006

Meu pronunciamento

Nenhuma surpresa, infelizmente. As pesquisas de opinião acertaram na mosca. Aqui em Brasília, mas com certeza em muitos lugares desse país, a petralhada dança, solta fogos, escuta jingles de campanhas anteriores; estão embevecidos, e, em muitos casos, também ensadecidos com a vitória do apedeuta. Exibem em seus rostos a euforia dos cínicos e a alegria dos ímpios. Estão certos de que as iniqüidades cometidas ficarão sem punição.

Numa democracia, a maioria vence. No século V aC Platão já exibia suas desconfianças em relação ao modelo político ateniense. Claro que a democracia em Atenas era bem diferente da nossa, mas a crítica de Platão tem sua relevância. O eixo principal de sua crítica era a subjetividade das discussões. Perdia-se horas em pontos irrelevantes e o que deveria ser debatido era negligenciado. Platão não gostava da ignorância, considerava-a o pior defeito do ser humano, no Brasil ela é entronizada, é sinônimo de honestidade, como se o pobre fosse por definição e a priori homem de bem, e os ricos, os abutres. Elegeu-se a república dos sindicalistas, do populismo, do cinismo e agora, escutem, também do racismo! Esse governo vai implantar o racismo no Brasil!

Vou prosseguir na luta inglória e mesmo quixotesca de denunciar a farsa do PT e do governo Lula, muitos vão me criticar, acusar-me-ão de reacionário, direitista, neoliberal, esses chavões da esquerda que se repetem aborrecidamente! Ao menos poderei revidar com outros adjetivos: lenientes, cúmplices, coniventes com a bandidagem e o atraso! É importante não esquecer que a sombra dos crimes ainda paira sobre o PT e o Palácio do Planalto, e esses devem ser investigados a fundo, mas já se prepara uma investigação à la Rio-Centro em 1981, quando o IPM (Inquérito Policial Militar) concluiu que os militares foram as vítimas e não os protagonistas do atentado a bomba.

Muitos têm esperança de que o novo mandato vai ser melhor. Acreditam inclusive que os casos de corrupção desaparecerão, como se fossem falhas de caráter de alguns petistas e não método do PT. Eu não tenho esperança, e isso não significa que torça pelo quanto pior melhor, apenas a certeza de que as condições econômicas não serão tão favoráveis quanto foram no primeiro mandato. Quando a criatividade e a competência forem exigidas para enfrentar as dificuldades que se avizinham no campo da economia, a mediocridade desse governo se revelará ainda maior. Não que ela tenha se escondido no primeiro mandato, mas passou desapercebida pelos incautos ou escamoteada pelos mal-intecionados. O que apareceu de forma inconteste, reconhecida inclusive pelo governo, foi a corrupção, que agora o presidente chama de erros do governo, mas essa, o povo, as urnas, não se incomodaram, ao contrário, reforçaram-na e adotaram o slogan do populista Adhemar de Barros, lá pelos idos de 1950, "Rouba, mas Faz!" E assim prosseguirei de cabeça erguida, ciente de que lutei o bom combate, em nome da decência e da moral, como valores indispensáveis para a boa prática política!

28 outubro, 2006

Um pouco de cultura cristã.



























"Ora, por ocasião da festa [de páscoa], costumava o governador soltar ao povo um dos presos, conforme eles quisessem. Naquela ocasião tinham eles um preso muito conhecido, chamado Barrabás. Estando, pois, o povo reunido, perguntou-lhes Pilatos: A quem quereis que eu vos solte, a Barrabás ou a Jesus, chamado o Cristo?" O resto da história todo cristão conhece bem.

Por que recorri às palavras santas? apenas para ilustrar um fato e escrever uma hipótese provável: Vivemos tempos de uma certa lassidão com a honestidade. Admitimos com certo cinismo a mentira e a corrupção do Governo Lula que, acredito, se fosse possível reviver o julgamento mais famoso do mundo, onde a multidão preferiu um bandido e assassino ao cordeiro de Deus, certamente diante das opções: Lula ou Jesus, a quem quereis que eu solte? nossos eleitores diriam: a Lula, ele tem a cara do povo!

Essa pequena passagem do evangelho também desmascara um dos mitos da esquerda: o povo, as massas sempre têm um julgamento mais justo e sua vontade sempre será a vontade correta. Nesse caso e em tantos outros, as massas corroboraram a injustiça e foram cúmplices de assassinatos.

Amanhã, a massa que tem a chance de protestar contra a roubalheira e a mentira, fará uma apologia do crime, manterá os facínoras que ainda se mantêm de pé, e sem perceber, trará de volta ao governo aqueles que tiveram que sair pois não conseguiram esconder seus crimes!

Deu empate? Então Alckmin venceu!

Normalmente num debate a pergunta que se coloca é quem foi o vencedor da disputa. Muitos dizem não ser possível de forma objetiva determinar um vencedor, porque as análises se misturam com a torcida, de modo que os eleitores de Lula dirão que este venceu e os de Alckmin que a vitória foi do tucano. Contudo, há um dado curioso. Andei vasculhando a rede e me deparei com uma análise unânime entre a petralhada do jornalismo: Houve empate! Para mim, quando jornalistas petralhas escrevem que houve empate estão na verdade dizendo nas entrelinhas que Lula foi muito mal, e portanto, Geraldo Alckmin venceu o embate. Vocês acham mesmo que um petista admitiria, assim, na lata, que Lula perdeu o debate? claro que não! Mas Lula foi tão mal, tão atrapalhado nos números, nas palavras, nos plurais, que afirmar que ele venceu o debate seria avançar demasiadamente na falsificação da realidade, não que os petistas sejam incapazes disso, mas a petralhada do jornalismo tem certos, e cada vez mais raros, pudores em falsear a realidade de forma tão descarada.

Alguns amigos ainda acreditam numa virada, a realidade, da qual costumo não me afastar, pelo menos em termos políticos, diz o contrário. Outros suspeitam das pesquisas, eu não, apenas acho que elas não são votos apurados, apenas intenções de voto! Se o debate da Globo ou se debate decidisse eleição, Lula teria uma fragorosa derrota! Infelizmente não acredito nessa virada, acho que perdemos, todos nós que rechaçamos a desfaçatez, o cinismo e a bandidagem do PT e do governo Lula. A maioria escolheu um lado, o lado que mente, que engana, e pior: que ameaça o Estado de Direito, que pretende instalar o racismo no Brasil e que acha a corrupção de petistas e do governo Lula perdoável, até quem sabe, bonita, afinal, já disse uma petralha, professora da USP, tantos já roubaram, ao menos Lula é do povo! Vejam a moral dessa gente!



26 outubro, 2006

Perdemos, mas lutamos o bom combate!

A campanha acabou. Lula deve mesmo ser reeleito e toda a cambada que ele fingiu que puniu voltará explícita ou implicitamente ao governo. Muitos conseguiram nas urnas em 2006 o direito de responder em foro privilegiado os crimes de que são acusados. Entre eles estão: Antônio Palocci, João Paulo Cunha, Professor Luisinho e José Genoíno; outros, ficarão nos bastidores, mas nem por isso com menos poderes, caso do José Dirceu que mesmo cassado é quem manda e desmanda no PT. Outros foram punidos até de forma injusta, na medida que seus companheiros resgatados pelas urnas cometeram crimes muito piores. Ângela Guadalguinin foi punida pelos eleitores que não suportaram sua dança no plenário comemorando a absolvição de um mensaleiro do PT, para ela, contudo, a punição e a reação negativa consiste no fato dela ser gorda e mulher, eu só acrescentaria que ela é também feia, mas nisso ela não está só. Vejam o caso da senadora Ideli Salvati, quando ela aperece na TV relembro o famoso verso de Augusto dos Anjos: "que ventre produziu tão feio parto?", em alguns casos beleza não põe mesa, mas é fundamental como bem definiu o poeta Vinicius de Moraes.

O que nos resta? A lei! Se a vontade das urnas compactua com a bandidagem, a desfaçatez, o cinismo, se a vontade das urnas aceita passivamente os crimes de petistas e seus correligionários, se vê com certa simpatia a ignorância intelectual de Lula, como se dissesse: "Tá vendo, não estudou, era péssimo aluno, mal sabia falar um frase com plural sem esquecer o s, e virou presidente!" Estudar, se informar, é para os tolos! Não os culpo por isso! Acho até que muitos dos "letrados" só o são nos diplomas que ostentam, mas nas idéias que defendem são como aqueles papagaios de pirata, reproduzem o que escutam alhures, porque de ler essa gente não gosta mesmo. Pois então, a Justiça, o Estado de Direito, aquele que zela pela constituição de 1988, a mesma que o PT muito puro, não quis assinar, sabia mesmo que suas práticas no futuro seriam pouco constitucionais; o Parlamento, aquele que o atual presidente disse, quando era deputado, ser formado por trezentos picaretas com anel de doutor, ele prefere os picaretas do movimento sindical que detesta livros, mas adora dinheiro público; Todos precisam lutar para preservar a democracia, as liberdades e nos livrar do Pensamento Único, da idéia de que é preciso seguir a maioria, eu não! Quero seguir a mim mesmo, o meu próprio caminho. Detesto que me digam o que devo fazer, escrever ou pensar!

Uma lição didática se impõe aos jovens e às crianças: todos os envolvidos, todos, do maior ao menor, precisam ser punidos dentro da lei. Não podemos nos desmobilizar. Temos que exigir o cumprimento da lei! ir às ruas, mostrar que essa minoria de cerca de 40 milhões não aceita passivamente as mentiras do PT e de seu líder,Lula.

Aceito a derrota nas urnas, mas lutarei e torcerei pela vitória das leis, da liberdade e da responsabilidade com a coisa pública!

21 outubro, 2006

Também tenho minhas metáforas

Manuel Bandeira foi um poeta que descobri tarde, confesso com certo pejo. A exuberância dos versos de Castro Alves me cativou de tal forma aos 12 anos que pensei que poesia fosse apenas aquilo que o poeta baiano fazia. Depois conheci Bilac, Casimiro e mais tarde, Bandeira, João Cabral e Fernando Pessoa. Ainda não descobri totalmente Drummond, mas ele não me é estranho. Diante das pesquisas de intenção de voto para presidente e das novas e inesgotáveis revelações de crimes cometidas pelos homens aloprados de Lula, veio a lembrança de um poeminha de Manuel Bandeira, também tenho direito às minhas metáforas.

PNEUMOTÓRAX

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi,
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire.
..................................................................................................
- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo
e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

De que me vale ser filho do Lula?




Se a oposição fica com certa resistência de chamar a coisa pelo nome, a imprensa que não come na mão do PT, faz a sua parte. Essa é a capa de Veja da semana que vem, a matéria é reveladora, mas não acredito que mudará os rumos da eleição, contudo explicará para muita gente porque não nos tornamos "ronaldinhos".

A saída da petralhada será lembrar os vestidos de Lu Alckmin e esquecer os de D. Letícia, a respectiva do apedeuta, tentará misturar alhos com bugalhos, e nem será preciso, a massa quer Lula, mesmo corrupto, mesmo bandido, mesmo cínico, e assim caminhamos para a crise...

Outra prova contra a Farsa de Carta Capital

Hoje estou sem sono, o pior é que amanhã trabalho o dia inteiro, mas fazer o quê. Acabo de ler no site Observatório de Imprensa a resposta que Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo, enviou à Carta Capital sobre a matéria farsante da semana passada. Vou postar partes do texto, mas, abaixo, vou pôr o endereço do site para quem quiser ler na íntegra.

Leitor assíduo deste Observatório, um espaço plural e aberto a todas as discussões relativas ao jornalismo, pude acompanhar o debate envolvendo a matéria de capa da revista CartaCapital. Por esse motivo, gostaria de compartilhar com os leitores do OI a longa resposta que enviei à revista. Na semana passada, recebi de Maurício Dias um questionário cujo teor não deixava dúvida de que a revista estava mal-intencionada: as perguntas partiam sempre de premissas falsas e se referiam a episódios que nunca existiram. Preferi então dar uma resposta geral, reafirmando nossa convicção de que estamos realizando uma cobertura isenta das eleições. Para minha surpresa, porém, os principais ataques da revista à TV Globo não constavam do questionário que o repórter tinha me enviado. Isso pode ser facilmente constatado a partir da leitura da "reportagem".


A TV Globo não teve oportunidade de relatar a verdade dos fatos previamente. Isto está feito no texto abaixo. É um relato minucioso e verdadeiro, não em minha defesa, mas em defesa do trabalho que nossas equipes espalhadas por todo o Brasil vêm fazendo com seriedade e compromisso com a ética.

Informações preliminares

De tudo o que foi escrito em "A trama que levou ao segundo turno", reportagem de capa de CartaCapital da semana passada (nº 415, de 18/10/2006), a insinuação mais fantasiosa é aquela sobre o acidente com o vôo 1907, da Gol. A revista afirma que, no Jornal Nacional de 29 de setembro, o noticiário eleitoral, com destaque para as fotos do dinheiro dos petistas, foi praticamente o único assunto. Depois, ao constatar que o telejornal não divulgou a notícia do desastre, a revista pergunta: "A emissora levou um furo, como se diz no jargão jornalístico, ou decidiu concentrar seus esforços no que lhe pareceu mais importante?".

A revista alega que o site Terra, às 20h10, já trazia extensa matéria sobre o desastre.

A insinuação provocou constrangimento nas nossas equipes em Rio, São Paulo, Brasília e Manaus, envolvidas na cobertura da tragédia. As primeiras informações sobre o desaparecimento de um avião nos chegaram quando o JN já estava havia muito no ar (o telejornal teve início às 20h). Imediatamente, nossas equipes saíram à cata de informações, que eram escassas e sem confirmação. Seria um avião de passageiros que estava desaparecido ou atrasado? Ele era da Gol ou da Embraer? Ele sumiu em Mato Grosso, indo para Brasília, ou no Pará, indo para Manaus? Em nossas redações, foi aquela correria, mas todos tínhamos uma convicção: só poríamos a informação no ar quando tivéssemos certeza dela.

Um telejornal como o Jornal Nacional, recordista absoluto de audiência, constrói a sua reputação assim: com notícias corretas, sem espalhar o pânico no país. Pôr no ar que um avião de passageiros da Gol "pode" estar desaparecido, sem dizer qual o vôo e qual a rota é simplesmente levar o pânico para milhares de casas Brasil afora. Não fizemos isso. Não faremos isso. Mesmo que tivéssemos conseguido confirmar a informação antes do encerramento do JN, ela seria apenas uma nota, pois todos que conhecem TV sabem que é impossível produzir um rico material com o jornal a caminho do fim, com um assunto que demanda deslocamentos grandes.

Não consegui encontrar a suposta nota das 20h10 do site Terra, mencionada pela reportagem na CartaCapital, não sei sequer se ela existiu de fato. Mas encontrei outra, tida pelo site como a primeira, publicada às 20h46 atualizada às 3h21 do sábado, em que tudo está na condicional (observem os trechos em itálico), mesmo após atualizações tão tardias:

"Um avião de passageiros da Gol, vôo 1907, que saiu de Boa Vista com escala em Manaus, Belém e Brasília e destino ao Rio de Janeiro, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), teria sumido do radar de controle do sistema aéreo nacional. As informações iniciais dão conta de que havia 155 passageiros, mas ainda não se sabe o número exato de pessoas a bordo. Segundo informações preliminares, o avião teria colidido em pleno vôo com outra aeronave de pequeno porte, modelo Legacy, fabricada pela Embraer.

"O gerente de imprensa da Infraero comunicou que logo após o desaparecimento do avião da Gol, uma aeronave de reconhecimento eletrônico da Força Aérea Brasileira, capaz de detectar metais em terra, em regiões de selva, e de voar em situações de alto risco, decolou para tentar localizar o avião.

"Segundo a Infraero a área que estão monitorando é de um raio de 30 quilômetros. A direção da Infraero está esperançosa já que moradores de São Felix do Xingu, fronteira do Mato Grosso com o Pará, avistaram um avião de grande porte voando baixo, mas não houve relatos de explosão. O avião modelo Legacy, de propriedade de uma empresa norte-americana, que teria se chocado com o avião da Gol, fez contato com a torre de controle de tráfego aéreo de Manaus para avisar do ocorrido e pousou".

Esta notícia, como disse, foi publicada às 20h46, quando o JN já tinha acabado (ele saiu do ar às 20h45). E trazia apenas possibilidades. Um site de internet deve publicar informações assim, tão preliminares (mas notem que só o fez às 20h46). Um telejornal da dimensão de um JN, jamais. Mesmo que tenha havido uma notícia sobre o assunto no Terra às 20h10, como alega a revista, o grau de imprecisão dela deve ter sido ainda maior, forçosamente, do que a que foi divulgada às 20h46.

Fonte graduada

A notícia foi divulgada pela Rede Globo tão logo obtivemos a confirmação oficial, sem possibilidade de erro, obtida junto à Gol e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Isso ocorreu poucos minutos após o término do JN. Obtivemos a confirmação de fonte segura, mas ainda antes de uma manifestação oficial e por escrito tanto da Gol quando da Anac, que só divulgaram a primeira nota oficial às 21h50.

Não nos sentimos frustrados, mas convictos de que não divulgamos boatos, não dissemos que uma aeronave estaria desaparecida, mas demos a notícia exata: o avião da Gol que fazia o vôo 1907 desapareceu quando sobrevoava a região amazônica, entre Manaus e Brasília, com 155 passageiros a bordo. E, a partir dali, a cada intervalo comercial, municiamos nossos telespectadores com notícias exatas. Foi assim no Jornal da Globo daquela noite. Foi assim no Jornal Hoje e no Jornal Nacional dos dias subseqüentes. Um detalhe: o noticiário sobre o dossiê e as fotos, três VTs e duas notas, ocupou oito dos 37 minutos do JN. Dizer que o tema foi praticamente o único do JN daquele dia é, portanto, apenas parte da fantasia.


para ler o texto inteiro o endereço é:


http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=403JDB010


20 outubro, 2006

Conversa de Matuto

























Patativa do Assaré, o de chapéu, poeta popular cearense, cego, semi-analfabeto, mas com um talento invejável para os versos, escreveu Conversa de Matuto. Decidi reproduzi um trecho dessa poesia que fala de dois amigos sertanejos conversando sobre eleição: Zé Fulô tenta convencer João Moiriço a votar no candidato que lhe prometeu várias benesses se eleito. Deixemos de prosa e vamos aos versos:

Zé Fulô:

No comiço ele falou
Que depois que ele vencê,

Vai com gosto protegê

A cada um inleitô.
O povo trabaiadô

Que padece no roçado

Pode votá sem coidado
Que depois das inleição

Com a sua proteção

Vai tudo recompensado


Aquele é home de bem,

Quando desceu do palanco,

Falô com preto, com branco,

Com rico e pobre também;

Ali não ficou ninguém

Pra ele não abraçá,

Veve sempre a conversá,

É alegre e satisfeito,

Num homem daquele jeito
Faz gosto agente votá


Isto que eu tou lhe falando

É bom para nosso futuro,

Nóis tamo num grande escruro

E uma ESTRELA vem briando;
Veja que você votando

Neste home de tanto brio,

Em quem com gosto confio,

É um negoço importante
Vai havê de agora em deante

Escolas pra nossos fio!


João Moiriço:

Meu amigo Zé Fulô,
Vou lhe dizê a verdade:
É véia a nossa amizade
Porém você se enganou.
Pode pedi, que eu lhe dou
Uma quarta de feijão
Uma arroba de argodão
E cinco metro de fumo,
Tudo com gosto lhe arrumo,
Porém o meu voto, não!

Lhe dou se você quisé
Minha boa lazarina
E o meu galo de campina
Que eu amo com muita fé,
Dou minha porca Baié
E o meu cachorro Sultão,
Maria dá um capão
E o Chico dá um cabrito,
Isso tudo eu admito
Porém o meu voto, não!

Portanto, vá se aquetá
Não entre nesse curtiço,
Não vá dexá seu serviço
Pra sê cabo eleitorá.
Vá sua casa zelá,
Vá cuidá de seu trbaio,
Não pegue nesse baraio,
Se não você perde o jogo
Água é água e fogo é fogo
Cada macaco em gaio.

Os homens do presidente ou "os aloprados"

Vejam esse filme e entenderão tudo!





Sou de Recife, moro em Brasilia desde 2004. Lá em Monsenhor Fabrício, periferia do Recife, a casa de meus pais está a cerca de 500 metros do rio Capibaribe. Aliás, recifense tem obrigatoriamente uma relação próxima com os rios. Nossos maiores poetas, Bandeira e João Cabral, não cansaram em suas poesias de cantá-los. Sugiro ao leitor, os petistas podem ler também, Evocação ao Recife de Bandeira e O Rio, de João Cabral, vale a pena se alma não for pequena. Por que esse intróito? Lembrei do rio, porque lembrei de um ditado de pescador que diz: Peixe morre pela boca.

Acaba de sair no JN: o chefe do gabinete da presidência da república, Gilberto Carvalho, o mesmo que está envolvido e sabe mais do que diz sobre a morte de Celso Daniel, confirmou, vejam o verbo, não é uma versão ou ilação, mas uma confirmação de que ligou sim, no dia 15 de setembro para Jorge Lorenzetti por duas vezes. Foi nesse dia que ficamos sabendo da prisão dos petralhas Valdebran Padilha e Gedimar Passos pela Policia Federal com quase 2 milhões de reais levados em malas por outro petralha, o Hamilton Lacerda, coordenador de imprensa do candidato petista Aloizio Mercadante. Vamos à cereja do bolo: Nesse dia 15, o nome de Jorge Lorenzetti, prestem atenção nesse detalhe, ainda não havia aparecido nas investigações. Hoje, o relatório parcial da Policia Federal acusa Lorenzetti de ser o principal articulador da compra do dossiê fajuto, mas no dia 15, ninguém, nem à PF nem a imprensa, sabiam do envolvimento de Jorge Lorenzeti.

Gilberto Carvalho confirmou que ligou no dia 15 para o churrasqueiro do presidente porque são amigos e ele queria saber mais detalhes sobre a prisão dos petralhas no hotel IBIS, o estranho e muito suspeito é por que Gilberto Carvalho imaginaria que Jorge Lorenzetti pudesse ter alguma informação sobre as prisões, a não ser, e isso é uma ilação possível, que o gabinete presidencial soubesse do que estava acontecendo e do risco que se corria. O chefe de gabinete do presidente disse mais: Disse que só falou com o presidente Lula à tarde, e segundo consta Lula, que não sabe de nada, ficou indignado, mas não quis saber de mais detalhes.

Observem os fatos: Gedimar Passos, preso, disse que quem mandou comprar o dossiê fajuto foi Freud Godoy, assessor especial da presidência, depois, confirmou isso na acareação, mais tarde após uma reunião secreta com o próprio Godoy, mudou seu depoimento. Quando ninguém sabia do envolvimento de Jorge Lorenzetti que também é o churrasqueiro do Lula, o tutor de Lurian, filha do Lula, membro da diretoria de um banco estatal de Santa Catarina e chefe da "inteligência" da campanha pela reeleição, o secretário da presidência, Gilberto Carvalho, ligou para o dito cujo para saber das prisões efetuadas pela Policia Federal em São Paulo. Por quê?

O que resta aos petistas? Buscarem o apoio das massas, e claro, satanizar a imprensa e as forças conservadoras que estão mancomunadas para impedir a reeleição de Lula.

Isenção e imparcialidade, sei...

Quem me conhece, mesmo que seja há pouco tempo, sabe que neutralidade e imparcialidade são duas palavras nas quais não acredito. Essa minha postura me traz muitos problemas, vivemos a época do politicamente correto, deve existir algum manual secreto dizendo como as pessoas de bem devem se comportar, o que elas devem dizer, que bandeiras elas devem levantar e defender. Não leio esse manual nem estou preocupado com ele, minhas idéias e minhas opiniões só podem fazer mal a mim mesmo, não exijo que me sigam, muito menos que me leiam, como diria Fernando Pessoa " Não quero ser da companhia...".

Essa semana os petistas exibiram como troféu a capa e a respectiva matéria de capa da revista Carta Capital. Não polemizei, o debate seria inútil, seria o direitista, o neoliberal, o tucano - os petistas acham que sou tudo isso, quando na verdade sou apenas ANTI-PT e ANTI-LULA - falando e tendo a ousadia de contestar uma revista séria e imparcial como Carta Capital.

No debate que mantive com os petistas eles tentaram me convencer que a Revista Veja por exemplo, só mostra um lado, o da classe dominante, não dá espaço para o contraditório, já a Carta Capital, não, exibe os dois lados, é isenta e imparcial. Já descontruí nos posts abaixo a falsa isenção e imparcialidade de Carta Capital, inclusive já divulguei o site onde provo minha afirmação. Abaixo vou reproduzir um post do blog da Tereza Cruvinel, colunista do Globo e petralha do jornalismo, que sempre que pode defende o chefe do bando com paixão, nem mesmo ela foi capaz de defender a farsa montada pela Carta Capital, veja o que ela escreveu: (segue abaixo)

Sobre venenos no ar: Saiu a íntegra da fita que registra a conversa entre o incrível delegado Bruno e os repórteres. Vê-se que a matéria da revista Carta Capital fez uma reprodução parcial, induzindo àquilo que chamei demonização da TV Globo. Presentes representantes de uma emissora de rádio e dos 3 maiores jornais, o delegado manifesta sua preocupação em fazer com que o CD com as fotos chegasse também aos telejornais, e não apenas à TV Globo e ao Jornal Nacional. Fala na Band e no SBT também. Mas prevaleceu a versão que reduz o vazamento em off - operação cotidiana do jornalismo - a uma conspiração para forçar o segundo turno, tendo toda a imprensa e em particular a Globo como
grande conspiradora. Veneno, muito veneno no ar.

No trecho abaixo, Cruvinel deixa registrado seu DNA petralha e tenta se esquivar da acusação de ter defendido Freud Godoy, o segurança do Lula, cada vez mais enrrolado no caso do dossiê fajuto. Petralha é assim: Quando os amigos caem em desgraça, afasta-se deles, é a ascendência bolchevique do partido.

Sobre as cobranças quanto ao Freud: eu registrei mesmo a informação de que ele foi citado por Gedimar para proteger Lorenzetti e os aloprados. O Governo vem bancando que ele entrou nesta história de gaiato. Mas não pus a mão no fogo por ele. Vamos ver se aparecem indícios ou provas contra ele, agora que o sigilo foi aberto.

19 outubro, 2006

Não custa ouvir.

A matéria de Carta Capital precisa ser revista. O portal G1 das Organizações Globo, certamente para se defender da acusação do Mino Carta de que a rede Globo em conluio com a aposição, criou a trama para o escândalo do dossiê e das fotos do dinheiro guardado na mala dos petistas, pois bem, nesse portal está a íntegra da gravação em que o delegado Edmilson Bruno conversa com diversos jornalistas, nenhum da TV Globo, sobre a divulgação das fotos do dinheiro sujo do PT para a compra do dossiê fajuto. Acessando o portal é possível ouvir os 10 minutos da gravação e acompanhar a transcrição da conversa. A conversa é reveladora e destrói a teoria conspiratória de Carta Capital.

O endereço é: http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,AA1317305-5601,00.html

Acessem e julguem!

Aos meus leitores petistas!

Leandro é um jovem que admiro! Rapaz decente, cristão, humano, que faz a caridade, sempre que pode, de postar em meu blog algum comentário. Aliás, ele e o professor Saulo, são em termos de comentários, meus principais leitores, ainda que os motivos que os levem a ler o meu blog talvez sejam: O que esse direitista está pensando agora ou qual terá sido a última sandice de Zé Paulo.

Assim como Leandro e tantos outros acreditam, um dia também acreditei no PT, confesso esse pecado meu Deus! oro para que jovens como ele e Saulo, pois só um milagre, uma estrada de Damasco mesmo, podem livrá-los desse mal, descubram a farsa que é o PT e Lula. Sugiro o livro Stálin, a corte do Czar Vermelho, esse posso emprestar, ou mesmo O Imbecil Coletivo de Olavo de Carvalho, os dois volumes por favor!

O debate político no Brasil é tão esquisito, esquisito porque os petistas só admitem uma versão, a deles! a dos outros é farsa, manipulação, é o mal. Se a Rede Globo fala bem do governo é isenta, se fala mal está conspirando, eis a lógica e a metafísica dos petistas. O dossiê fajuto não foi tentativa de golpe nas oposições, mas exigir o cumprimento da lei, seria um golpe da oposição! Quando em janeiro de 1999, o atual ministro Tarso Genro defendeu em artigo na Folha de São Paulo que FHC deveria renunciar, acabava de ser eleito em Primeiro Turno, para novas eleições, aquilo não era golpe, mas a oposição protocolar pedidos de investigação contra as tramóias do PT e de Lula nessa campanha, é golpe! Tergiversei demais...

Ser contra o PT, para os petistas, é ser de direita, como se ser de direita representasse o mal e ser de esquerda, o bem. Qualquer um que investigue, estude, pesquise, a quantidade de mortes provocadas pela direita e pela esquerda nos governos de todos as épocas, perceberá que a esquerda totalitária sempre teve uma atração pelo genocídio! Comparem os dois facínoras do século XX! Hitler e Stálin, vejam quem foi mais letal para a vida humana e para os Direitos Humanos. Não sou de direita, mas não vejo mal algum que alguém seja. O que sou é ANTI-PT e ANTI-LULA! Sou um liberal em política e economia, isso não me torna um direitista, mas se me tornasse, assumiria o rótulo com muito orgulho.

Leandro em seu comentário me adverte para tomar cuidados com expressões como "todos" e "nunca", concordo com ele, é mesmo perigoso usá-las, mas no caso do PT, que ele ainda sonha que pode se repurificar, como se algum dia o partido tivesse sido puro, (não Leandro, o PT é e sempre foi isso que todos vemos, ardiloso, mentiroso, corrupto e totalitário! É o único? infelizmente não, mas é de longe o que mais ameaça o que mais prezo: a liberdade, o Estado de Direito e a inteligência!)

Não se zanguem comigo, a incompetência da oposição facilitará a reeleição do apedeuta, e vocês, deverão estar felizes dia 30, com mais quatro anos de governo popular, de aparelhamento do Estado, de desculpas esfarrapadas... meu consolo é triste confesso, historicamente o segundo governo é sempre pior do que o primeiro. A nós, os derrotados, resta exigir o cumprimento da lei, será um bom exemplo, aliás, em homenagem ao meu amigo Saulo, vou postar a história de uma cidadão que preferiu a morte a descumprir a lei.

17 outubro, 2006

Nunca mais voto no Lula e no PT!

Dos 11 leitores que fazem a caridade de acessar o meu blog, uma parte, cerca de 3 ou 4, já se decidiu desde o primeiro turno a votar em Lula. Sabem que aqui não vão encontrar qualquer concessão ao apedeuta, antes, vão encontrar duras críticas não só a corrupção do governo e aos negócios estranhos dos "homens do presidente" ou os aloprados na linguagem metalúrgica de Lula, como também aos equívocos do governo. Eles, os petralhas, não mudarão o voto, (será que eles imaginam que mudarão o meu?), por isso estranho que eles aindam percam tempo comigo e com o meu modesto blog.

As pesquisas indicam vitória de Lula, paciência, como democrata me submeto a vontade das urnas, mas como democrata e liberal, acredito no Estado de Direito e no bom debate, sem mentiras ou falsificações, por isso, caso o PT e Lula se enrrolem nas explicações do Dossiê fajuto ou mesmo das esquecidas cartilhas - há indícios que houve desvio de dinheiro público - a oposição e a justiça devem fazer prevalecer a lei e o Estado de Direito ainda que as urnas elejam os envolvidos nos crimes. Urna não é tribunal!

A Revista Carta Capital traz uma capa que desqualifica o bom jornalismo. Lendo a matéria do início ao fim a teoria da revista só se sustenta se dermos bola à teoria conspiratória. Em síntese a revista diz que foi a Rede Globo, o JN e o PSDB que criaram a situação de escândalo sobre a compra do falso dossiê e que levou a eleição para o segundo turno. Até ler a revista pensava que foram os votos de quase 40 milhões de eleitores que levaram a eleição para a segunda fase.

Algumas perguntas simples desqualificam a matéria: a compra do dossiê fajuto foi uma mentira? O PT e os petistas estavam ou não estavam envolvidos? A imprensa, não só a Globo, criou uma farsa ou informou um fato? A imagem do dinheiro dois dias antes do pleito foi decisiva ou não para mudar o voto do eleitor? Será que Lula não foi ao debate da Globo porque estava convencido de que a Globo estava mancomunada com a oposição? Então sua carta explicando a ausência foi uma farsa? não seria a primeira desse governo.

A Revista do Mino Carta tem todo o direito de declarar voto em quem quiser o que não pode, em nome do bom jornalismo, é tentar dar ares de farsa a fatos reconhecidos inclusive pelos próprios petistas. Quem foram as pessoas que caíram após a descoberta da tramóia? todos, sem exceção eram do PT. Aliás, gente muito próxima ao presidente. Quem da oposição caiu?

Os petistas não descansam. Outros diziam que era preciso investigar Serra, que ele também estava envolvido na máfia dos sanguessugas, usando para isso sua nova moral: Somos todos bandidos! Hoje o deputado Biscaia do PT do Rio de Janeiro e presidente da CPI dos Sanguessugas, que não foi reeleito, declarou: “Na minha opinião, no dossiê não há nada que possa chegar ao ex-ministro José Serra”, e foi ainda mais incisivo contra a operação abafa que o seu partido está engendrando: “Espero que o PT não só procure apurar internamente, como afastar do partido aqueles que têm se desviado da conduta. Mas parece que essa não é a postura. Lamentavelmente não percebo, desde outros escândalos, algum tipo de correção interna”. Até os petistas, pelos menos os mais sérios ou os que têm alguma vergonha na cara, não fazem a defesa que a Carta Capital fez em sua matéria de capa dessa semana. "Você não leu Zé Paulo, a matéria critica o PT", diriam os mais entusiastas, li, e a crítica é um despiste. Fala-se do crime, cita algumas pessoas, mas isenta o principal beneficiado, caso a tramóia funcionasse, de culpa ou de responsabilidade: o presidente Lula!

Não voto no Lula por vários motivos, mas acredite, minhas divergências com seu governo são hoje mais programáticas que éticas. Até porque a ética do PT está no lixo, hoje os petralhas justificam as falcatruas dizendo que os outros também fazem, logo TODOS SÃO BANDIDOS! Para mim o PROUNI é uma farsa, já escrevi sobre isso no blog. O Bolsa Família não elimina a pobreza, ao contrário, a sustenta, isso é tão verdade que o número de beneficiados do Programa ao invés de cair só faz aumentar, chega a 11 milhões de familias. Não sou a priori contra a privatização , mas hoje precisamos é desprivatizar a Petrobrás, o BB, a Caixa Econômica, a PF, essas instituições foram privatizadas e aparelhadas pelo PT. Hoje elas fazem o jogo sujo do partido, deixaram de ser órgãos públicos e passaram a ser órgãos partidários.

Ainda haverá mais três debates. Alckmim precisará vencer uma certa teimosia, deve ser ainda mais contundente, chamar as coisas pelo nome. O bom mocismo só serve ao PT. Se o partido precisar partir para a baixaria, não já partiu? ele não se acanhará nem terá pudores para exercê-la.


13 outubro, 2006

Bater, bater e bater!

As primeiras pesquisas de intenção de voto já saíram. Em todas elas, o chefe da quadrilha, também conhecido pela alcunha de presidente Lula, aparece com uma significativa vantagem em relação ao seu opositor Geraldo Alckmim. Vários analistas interpretaram esses números como sendo uma reação do eleitorado à postura mais ofensiva de Alckmim no debate da Band. Essa versão, plantada no mesmo dia logo após o debate pelos jornalistas da Band, prosperou, e, o que era apenas uma impressão, transformou-se na VERDADE. "Alckmim perdeu porque bateu".

Desconfio dessa explicação, mas ainda que fosse verdadeira, acho que Alckmim deve continuar batendo, e com mais indignação! Neste blog defendi no dia 20 de agosto que os ataques deveriam ser diretos, claros e objetivos, veja o post do dia 20 de agosto:

Se é para perder a eleição Alckimin ao menos seja com dignidade. Nem você, nem os demais candidatos, têm o direito de não expor as coisas como elas são. O eleitor precisa saber que esse governo foi indiciado pela Procuradoria Geral da União, ao formar uma quadrilha, a expresão não é minha, mas do procurador, com o objetivo de usar dinheiro público, aquele dos nossos impostos, para corromper parlamentares e se perpetuar no poder. Para usar a linguagem direta das massas: Esse governo roubou o Estado, e quem rouba é ladrão! A imoralidade foi tão grande, que o congresso a exemplo do executivo, achou que em tempos de PT e de Lula, locupletar-se não era crime, mas método. Veja o caso dos Sanguessugas!

O eleitor precisa saber que ele é livre, se quiser para os próximos 4 anos, isso se não houver um golpe, um ladrão para governar o Brasil, mas tem de fazê-lo saber que está elegendo cínicos e facínoras!

O que mais irrita na candidatura Alckimin é esse bom mocismo, não é assim que se lida com os bolcheviques do PT. A urbanidade só beneficia o mau caratismo do politburo petista. Não é baixaria, mas a verdade que deve ser mostrada no guia, nua e crua! pode perder? claro! mas prestará um favor ao país e a História.

A questão agora não é vencer ou perder a eleição. Muitos analistas consideram a fatura liquidada a favor de Lula, mas a de deixar registrado a corrupção, a inépcia, a frouxidão moral, a irresponsabilidade com a coisa pública, para que depois o povo, os eleitores, os formadores de opinião, não utilizem a desculpa cínica de que nada sabiam dessas maracutaias.

Por isso sr. Alckmim, defendo que o senhor deve continuar na linha contundente. Talvez o senhor perca as eleições, mas no debate, ali, frente a frente ao corrupto, o senhor precisará encarnar o desejo de milhões de brasileiros que se pudessem diriam na cara de Lula: Ladrão! Cínico! Mentiroso! então faço um apelo governador: Não se deixe contaminar por essa marola que diz que a contundência no debate e as acusações contra Lula, foram as responsáveis pelo crescimento do petista.

A nós, resta ainda uma saída. A lei! Deixem que nos acusem de golpistas! Para a petralhada tudo que contraria sua cartilha de submissão e cinismo, é golpe. A oposição precisa agir, não dá uma hora de trégua aos corruptos do PT e seus aliados. É preciso que na tribuna, no senado, na imprensa, a população seja lembrada, de que elegeu corruptos confessos, para continuar conduzindo o Brasil. O PT deve ser combatido sem descanso e sem vacilo.


12 outubro, 2006

Você é um pouco PT?

Se você acha que o PROER no governo Fernando Henrique foi um escândalo porque socorreu banqueiros falidos e não correntistas que poderiam perder seu dinheiro, caso houvesse uma quebradeira do sistema financeiro nacional, mas acha natural e até um sinal de responsabilidade que nos últimos três anos bancos como o BB, Itaú e Bradesco tenham tido os maiores lucros da história, você pode até não saber, mas no fundo no fundo, você também é um pouco PT.

Se você acha que as privatizações dilapidaram o patrimônio público, que as "TELES" foram vendidas a preço de banana, ainda que hoje a universalização da telefonia móvel, o acesso cada vez mais abrangente à internet só foi possível graças à privatização, mas acha normal que a TELEMAR, empresa surgida com a privatização das "Teles", tenha injetado na empresa do filho do Lula (GAMECOP), o Lulinha, um capital de 5 milhões reais, transformando um ex-estagiário de zoológico num empresário milionário em tempo recorde, você pode até não saber, mas no fundo no fundo, você também é um pouco PT.

Se você acha finalmente, um infâmia, que em 1997, o governo FHC tenha comprado deputados para aprovar a emenda da reeleição, emenda que era apoiada por 10 entre 10 políticos com cargo executivo na época, tornando a compra de votos uma sandice, mas acha que o mensalão não existiu ou, se existiu, tudo bem, pois governar é meter a mão na merda, como disse o petista histórico, Paulo Betti, você pode até não saber, mas no fundo no fundo, você também é um pouco PT.

08 outubro, 2006

E a tese se difunde!

A tese prossegue. Pior, prospera! O velho Josias Gomes, jornalista, cujo bolg está hospedado na Folha Online, insiste na farsa petista de que todos são iguais. O que me irrita em Josias Gomes não é o seu petismo ou petralhismo, mas a sua pseudo isenção. Fingindo bater no PT ele reforça e difunde a idéia de que PT e PSDB são iguais em matéria de Ética e Moralidade com a coisa pública.

Em seu blog ele procura ser erudito, chega a citar o velho Karl Marx e o genial Webber, chega inclusive a citar a tese de Webber sobre a Ética das Convicções e a Ética da Responsabilidade, tudo muito bonito. Não acredito que Josias Gomes tenha lido Webber, nem mesmo o livro de FHC, A ARTE DA POLÍTICA, onde o ex-presidente distingue essas duas éticas, talvez tinha lido uma entrevista de Fernando Henrique dada à VEJA, onde ele se refere a essas éticas. Aliás, foi nessa entrevista que o ex-presidente declarou que a Ética do PT era roubar!

A parte central do post de Josias Gomes é dizer que a fisiologia é uma práxis na política brasileira, e se é uma práxis, não importa o governo, não importa o partido, a corrupção e a bandidagem estarão presentes. Lula e o PT portanto estão absolvidos! A culpa não foi deles, mas do sistema. Josias avança, ele está cada vez mais explícito. A semelhança entre o PT e o PSDB está justamente nos escâdalos, na corrupção, mas ele ressalva, não por culpa dos partidos a priori, mas porque as forças políticas corruptas acabam se impondo ao governo e este se submete à essas forças para poder governar.

A Ética da Responsabilidade Josias, obriga qualquer governo a fazer alianças com outras forças políticas, mas não abre mão de seu projeto de governo, do norte, do objetivo de onde se quer chegar. Os petistas criticam as privatizações, mas não falam nada das contas públicas quando se decidiu pela privatização. Criticam o Proer, mas escondem que hoje os banqueiros na Era Lula ganharam mais do que receberam pelo Proer na era FHC.

A oposição, seja de esquerda, de centro ou de direita, precisa desmascarar essa tese. Ela vem prosperando porque muita gente na imprensa, nas salas de aula, em tantos lugares, são petistas, mas se dizem isentos.

Abaixo vou postar a síntese do pensamento do Josias, ele deixa claro que PT e PSDB são iguais porque lenientes com a corrupção. Repito, essa tese só interessa ao PT!

"Impossível antecipar a essa altura o nome do próximo presidente. Algo, porém, pode ser previsto com segurança: seja quem for, tão logo passe a euforia da vitória, o eleito estará enredado pela fisiologia de sempre. A mesma fisiologia que produziu mensalões, sanguessugas, vampiros, Sudans, Sudenes... Diz-se que não há outro modo de governar senão reunindo essa tropa, remunerada à base de privilégios, verbas e cargos. Até quando?"

06 outubro, 2006

A nova moral do PT.


Confesso que tenho saudades da época em que o PT afirmava que era um partido diferente. Lembram que os petistas propagavam que a honestidade, a decência, as boas intenções, a pureza, tudo era monopólio do partido? Depois do Mensalão a nova moral do PT é dizer que todos são iguais.

Quando o mensalão veio à tona, Lula se apressou a explicar tudo pelo Caixa Dois, justificando o crime com a desculpa cínica de que todo mundo fazia isso no Brasil. É claro que aqui o PT nos mostrava outra faceta: quando um petista assume um crime ou apresenta um criminoso é porque está escondendo tanto um crime quanto um criminoso de maior envergadura. Se vocês repararem bem, toda vez que o PT é pego com a mão na merda, como diria Paulo Betti, o partido, seus militantes ou simpatizantes, os famosos "petralhas", como diria o Reinaldo Azevedo, logo procuram exemplos na oposição de crimes cometidos. Por exemplo: Eduardo Azeredo do PSDB de Minas foi igualado a João Paulo Cunha, Professor Luisinho, José Genoíno, como se tivessem cometido o mesmo crime, nada mais falso. A oposição caiu na armadilha e a versão do Caixa dois prosperou, pelo menos na imprensa.

O mais novo argumento dos petralhas é dizer que em Boa Vista, alto sertão de meu Pernambuco, foram apreendidos santinhos mostrando a imagem de Lula, mas indicando o voto no número 45, de Geraldo Alckmin. Assanhados como se encontrassem a prova definitiva de que todos são iguais, os petralhas estão espalhando pela rede, com ajuda da imprensa "independente" e "isenta", a imagem com a prova do crime, e pior, comparando o fato à compra do Dossiê fajuto pelos petistas para incriminar tucanos e dar um golpe na oposição.

Vamos aos dados objetivos (coisa que petista ignora, ele prefere números do Caged). Lula recebeu 70% dos votos em Pernambuco, talvez quisesse os 100 %, sei lá. A cidade onde foram encontrados os "santinhos" adulterados tem 35 mil habitantes, eleitores, bem menos; logo, não dá para dizer que Lula foi prejudicado por esse artifício. Além do mais, o sertanejo dos rincões, pode não ter instrução, mas a imagem de Lula ele conhece bem e na hora que teclasse o 45 e visse o Alckmin estranharia. Agora, comparar esse caso com o Dossiê fajuto é mau caratismo. Documentos falsos, dinheiro ilegal, quase dois milhões de reais, que ninguém sabe de onde veio, petistas envolvidos até o pescoço nessa tramóia, em tudo esse caso é muito mais grave do que os do "santinho" de Boa Vista.

A nova Moral do PT e dos petralhas é dizer, mais: é justificar as falcatruas do partido e do governo dizendo que todos são iguais.

05 outubro, 2006

Sobre previsões.

Só vou escrever esse post para que os meus 10 leitores fiquem sabendo que esse blog tão modesto de audiência e de recursos, tem acertado na mosca em vários pontos.

Foi aqui que defendi, em julho, que corrupção deveria ser crime hediondo, pois não é que o professor Cristovam pôs isso no seu plano de governo. Foi aqui, antes da Grande Imprensa publicar, que atentei para o fato de o PT esconder seus símbolos, sobretudo a estrela, mudando inclusive a tradicionl cor vermelha nessa campanha. Não é que o Lula teve que justificar que o PT não escondia nada? Foi aqui, no sábado, antes do Primeiro Turno, que escrevi que haveria Segundo Turno, preciso dizer? Finalmente foi aqui que eu disse que Geraldo Alckmin foi tolo e caiu na cilada de Garotinho. Pois vejam o que ele disse, conforme noticiou a Folha Online:

O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, admitiu, ontem, em conversas, que se precipitou ao posar ao lado do casal Garotinho. À noite, numa audiência com o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia, disse que, se soubesse que daria tanto problema, não teria concordado com a foto. Mas alegou que foi 'atropelado': o ex-governador Anthony Garotinho foi quem insistiu.

Pois é, esse blog não é pasarela, mas antecipa tendências.

04 outubro, 2006

Quem com porcos se junta, farelo come!

Garotinho, o fabricante de polêmicas está de volta. Primeiro fez o circo da greve de fome, será que ele não se envergonha revendo as imagens? agora num lance de esperteza política e se aproveitando da insanidade da equipe de campanha de Alckmin declarou o apoio mais indesejado dessa eleição, vai ser amador assim lá em Pindamonhagaba.

Vou votar no Alckmin no Segundo Turno porque acredito que uma nova vitória do Lula e do PT é dar sopa para o totalitarismo. Voto, portanto, na democracia que a vitória de Alckmin representa.

Hoje a grande notícia política foi o apoio do casal garotinho à candidatura Alckmin. As críticas, de todos os lados, não deram trégua: O JN criticou. A juíza Frossard com um certo desequilíbrio declarou voto nulo para presidente,. O PFL do Rio fez cara feia; até Jarbas Vasconcelos, que esconde Alckmin em Pernambuco, reclamou do tucano.

Alckmin errou mesmo, não por causa do apoio em si, mas porque foi amador em política: No Rio de Janeiro, com um Segundo Turno apertado, ele deveria respeitar os aliados de primeira hora. Ele não poderia esquecer que candidato em campanha só tem compromisso com a vitória, deveria ter feito como HH, agradecido educadamente, mas não posando para fotos, numa provocação aos adversários políticos do casal Garotinho que pasmem são aliados do tucano desde o Primeiro Turno.

Fernando Henrique Cardoso tentou minimizar, foi pior: "Apoio não se discute. Voto não se enjeita", Reforçou a tese de Lula de que políticos canalhas desde que tenham votos podem posar ao meu lado, até subir no palanque comigo. Ai, ai. Se os petistas não fizerem outra lambança como a do Dossiê-fajuto, sei não... o Segundo Turno terá sido em vão!

03 outubro, 2006

Lula em Boa Viagem



É apenas uma brincadeira ou como diria Lula, uma metáfora!

Parabéns Senador!

Sou eleitor de Cristovam Buarque. Muita gente em Brasilia, principalmente funcionários públicos, têm uma certa resistência ao seu nome. Muitos criticam suas idéias por considerá-las utópicas. Quando tiver mais tempo explico porque admiro e voto em Cristovam, por enquanto vou dizer uma coisa: O senador, a quem chamo de professor por hábito, foi o único dos presidenciáveis que gentilmente aceitou ser entrevistado por esse blog e por isso, sou grato a ele. Esse blog que tem 10 leitores é, do ponto de vista da influência que exerce, insignificante; mesmo assim, o espírito republicano do senador fez com que ele aquiscesse em conceder a entrevista. Vai abaixo um pequeno texto do Gilberto Dimenstein, publicado na Folha de São Paulo sobre a cadidatura de Cristovam Buarque:

A bela história de Cristovam

Cristovam Buarque teve menos de 3% dos votos válidos, o que deveria colocá-lo na condição de um inexpressivo candidato. Mas é um vencedor.

Venceu, inicialmente, porque foi o primeiro candidato presidencial em toda a história do Brasil a colocar a educação como a prioridade das prioridades. Durante toda a campanha, bateu na mesma tecla, apesar de saber que isso lhe faria parecer chato. Disse o que acreditava; e, diga-se, não é uma invenção de campanha, afinal ele sempre acreditou na educação como uma chave para o desenvolvimento nacional. Está na sua biografia ter sido um dos principais criadores de uma das melhores idéias sociais brasileiras, a bolsa-escola.

Venceu, também, porque ele está navegando em uma onda contemporânea, que, com a eleição, lhe deu visibilidade e o fez recuperar o desgaste de ter sido ministro de Lula, demitido por telefone. Numa campanha de poucas idéias, Cristovam se apresentou como defensor de um projeto não apenas viável mas indispensável para o país.

Com seus 3%, que significam cerca de 2,5 milhões de votos, ele apenas adiantou o que, mais cedo ou mais tarde, um presidente terá de fazer se quiser mesmo tirar o Brasil da indigência mental e da pobreza material. Ter idéias, e lutar, e ficar sozinho por elas talvez não renda votos. Mas dá uma bela história. Já é uma coisa neste país de gente com muitos votos, poucas idéias -- e quase nenhuma história.

01 outubro, 2006

Segundo Turno

O Segundo Turno está confirmado. Lula precisará descer de seu pedestal e pela primeira vez desde o começo dos escândalos, sua famosa frase retórica: "Eu não sabia de nada", será insuficiente para convencer boa parte do eleitorado.

Amanhã o delegado que prendeu os meliantes petistas no hotel Íbis em São Paulo e que "vazou" para a imprensa as fotos da bufunfa apreendida, prometeu que dará uma entrevista coletiva para explicar porque decidiu divulgar as fotos para a imprensa. Dependendo do que disser o delegado, que ao que tudo indica tomou essa decisão por orgulho ferido, não esqueçam que após efeutuar a prisão a cúpula da PF o afastou do caso sem muitas explicações, as notícias para Lula serão ainda piores do que a prorrogação da disputa presidencial.

Muitos bandidos do PT de São Paulo conquistaram nas urnas o foro privilegiado, isto é, serão julgados pelo STF, entre os meliantes estão Genoíno e Palocci, mas o prosseguimento das apurações e a presão da sociedade e das instituições democráticas deverão mandá-los para o lugar que eles merecem: a cadeia.

Ainda teve a eleição para o senado de Collor, o que reforça, e falo isso com certa ira, a tese do brasilianista norte-americano Thomas Skidmore de que o brasileiro é cínico com os políticos corruptos e não dá à honestidade, uma importância capital para a avaliação de um político. Deverei ao longo da semana voltar a esse tema. A declaração de Skidmore foi publicada domingo, dia 1 de outubro no Correio Braziliense.