13 setembro, 2006

Jovens, bebidas, carros e mortes!

As notícias quando não postadas a tempo podem parecer vencidas e por isso sem importância. Como não ganho a vida como jornalista, mas como professor, não posso, sempre que tenho vontade, escrever novos posts; afinal, corrigir e elaborar provas, além de preparar as aulas são os ossos do ofício de quem trabalha em sala de aula.

Mesmo vencido, o assunto da notícia não perde sua importância: a morte de 5 jovens ao sair de uma boate no Rio de Janeiro me levou a algumas reflexões. Ouvi na mídia, e no dia a dia, comentários que atribuíam ao jovem motorista bêbado a pecha de irresponsável e assassino. Seria ele mesmo o único responsável? Não teriam os outros tanta ou mais culpa ainda, quando decidiram entrar num carro dirigido por uma pessoa reconhecidamente embriagada? O jovem motorista foi um assassino ou os caronieros foram suicidas?

Que acidentes de carro matam muitas pessoas no Brasil não é novidade. O que espanta é que esses números vêm aumentando nos últimos anos e as mortes são cada vez mais violentas. Em acidentes como esses a velha discussão reaparece: Falta educação no trânsito. Nas escolas básicas deveria existir um curso de direção defensiva, instruindo o adolescente quanto aos perigos e cuidados ao dirigir um veículo. Não acredito que o problema seja de pouca educação no trânsito, mas da certeza da impunidade quando se transgride alguma determinação na legislação de tânsito. As leis precisam ser mais duras e principalmente, devem ser cumpridas. O condutor infrator precisa saber que sua atitude será exemplarmente punida e não apenas no bolso, mas na apreensão do veículo e da habilitação. Em casos de morte da vítima, o condutor por homicídio doloso ou culposo precisa ficar preso e não deve ser liberado como acontece hoje em dia. Nossas leis antes de inibirem esses abusos, são um convite à infração, sobretudo se o condutor for filho ou filha de pais ricos e influentes.

Falando em pais, acho que eles poderiam de forma simples, tomar medidas que diminuíssem os riscos de seus filhos se envolverem em acidentes dessa natureza. Se meu filho chega em casa embriagado e dirigindo, devo, a bem de sua vida e da vida de terceiros, confiscar as chaves e proibi-lo de dirigir, até ele adquirir responsabilidade para conduzir um veículo. Se por outra, descubro que meu filho pegou carona em carro cujo condutor estava embriagado, medidas duras devem ser tomadas, se não quiser, qualquer dia, encontrar o corpo do meu filho prensado nas ferragens de um carro acidentado.

É muito triste que 5 jovens, todos irresponsáveis, penso eu, deixem a vida de forma tão estúpida! Até quando as escolas, os pais, a sociedade, tratará o consumo de álcool na adolescência como parte de um costume social? Bebida alcóolica é droga e está provado: denigre a moral, provoca o rídiculo e muitas vezes mata pessoas inocentes. Não se é homem ou adulto quando se chega embriagado em casa. Ser homem ou adulto é sobretudo ter responsabilidade e compromisso com a própria vida e a dos outros.

Muitos jovens, alguns com menos de 13 anos, já estão consumindo bebida alcóolica. Muitos jovens esperam a chance de ter um carro, ir a uma balada, encher a cara e terminar a existência numa árvore, num poste e entre as ferragens de um carro.

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