03 agosto, 2006

O Cínico e o Cinismo


Diógenes em seu barril antes de
ser importunado por Alexandre.





Aos 15 leitores desse blog, houve tempo em que só havia 1, o título desse post pode indicar que falarei mais uma vez dos políticos e da política. Não, dessa vez vou falar de coisa realmente séria.
Na antiga Grécia no Período Helenístico, época que o manda-chuva era Alexandre, o grande, desenvolveram-se algumas teorias filósoficas sobre Ética. Bons tempos aqueles em que se pensava sobre esse assunto. Uma dessas correntes foi o cinismo. Basicamente a doutrina cínica consistia em "afastar-se dos bens mundanos e concentrar-se na virtude como único bem digno de se ter", como ensina o filósofo Bertrand Russel em seu livro História do Pensamento Ocidental. Calma aí, diriam os 15 leitores que fizeram a caridade de acessar esse blog, esse cinismo não parece ser uma coisa negativa, por que então as palavras cínico e cinismo são hoje em dia um insulto? Bertrand Russel na obra já citada esclarece: "[os cínicos] tinham uma atitude oportunista perante a vida, enchendo as mãos nos tempos de fartura, mas sem se lamentar quando chegavam os dias de escassez; desfrutando a vida quando podia ser aproveitada, mas aceitando os reveses da sorte com um dar de ombros. Deste aspecto da doutrina a palavra "cínico" adquiriu seu significado pouco lisonjeiro" Em outras palavras, os cínicos eram indiferentes às coisas, às pessoas, aos bens materiais, se pudessem aproveitar, tudo bem, se não, paciência.
O mais famoso do cínicos, por incrível que pareça não está na lista dos Sanguessugas, foi Diógenes, que segundo a lenda vivia em um barril e certa manhã jogou fora uma cuia na qual bebia água porque considerou que não precisava dela, podia beber água com as mãos. A parte mais famosa dessa lenda vai transcrita abaixo:
"Diógenes levava uma vida tão primitiva quanto a de um cão, o que lhe valeu o apelido de "cínico", que significa "canino". Diz a lenda que ele mora num barril e que Alexandre certa vez foi visitar o famoso homem. O jovem macedônio pediu-lhe que formulasse um desejo, que seria atendido. "Afasta-te da minha luz", foi a resposta, e Alexandre ficou tão impressionado que retrucou: "Se eu não fosse Alexandre, gostaria de ser Diógenes".
PS: Pense bem antes de chamar um político de cínico, não ofenda a memória do velho Diógenes.

2 comentários:

Alessandra disse...

Seguindo a linha de raciocínio, Diógenes é chingado a todo tempo. Mesmo pelos próprios 'cínicos'

MtC disse...

Com um cínico como Diógenes,o cinismo poderia muito bem ser uma plataforma política - muito mais honesta, limpa e espartana que as campanhas que hoje presenciamos.