20 agosto, 2006

O bolchevismo do PT



Nunca um livro foi tão importante para entender nosso atual momento político quanto o que foi lançado pela editora Companhia das Letras, chamado: Stálin, A corte do czar vermelho, de Simon Sebag Montefiore. Recomendo a todos que não vêem a vida passar pela janela. Se meus amigos de esquerda lessem tanto quanto falam, também recomendaria o livro, mas sabe como é, esquerdista só lê livro com no máximo 10 páginas e ainda assim com figuras. Esse tem mais de 700 páginas, embora também tenha fotografias.

Ocorreu-me agora um livro dos anos 70, escrito por um autodidata de esquerda, Jacob Gorender, onde com uma espantosa honestidade intelectual, coisa rara num esquerdista, desmontou a tese do PCB à época, que afirmava ter existido no Brasil Colônia um regime feudal, onde os capitães donatários eram os senhores feudais, as capitanias seus feudos e os escravos seus servos, tudo muito simples. Pois bem, Jacob Gorender em Escravismo Colonial, desmontou essa tese, e olhe que ele era membro do partidão, dizendo que o que tinha havido era um sistema escravista que funcionava dentro de um sistema maior, o capitalismo mercantil. Ah se nossos intelectuais de esquerda tivessem a honestidade de um Gorender!

O livro sobre Stálin revela a verdadeira natureza do PT, de Lula e de seu governo. Há vários trechos emblemáticos, deverei vez ou outra recorrer a essa obra em posts futuros. O escritor, colunista e esquerdista Luís Fernando Veríssimo, um crítico contundente de governos corruptos, pelo menos foi assim no governo FHC, anda sem inspiração para falar de corrupção no governo Lula, por que será? Talvez porque, segundo a revista Veja, o governo Federal tenha comprado 3 milhões de exemplares de seus livros para distribuí-los a escolas públicas do país. O que isso tem haver com o livro de Stálin? descubram no próximo parágrafo.

Máximo Gorki, escreve Simon Montefiore, o mais famoso dos romancistas russos do século XX, não era muito apreciado por Lênin, mas caiu nas graças de Stálin no final dos anos 20. Nas páginas 123 e 124 do referido livro, sabemos o quanto esse escritor contribuiu e defendeu a chamada Grande Virada que representou a morte por fome de milhões de camponeses na Rússia, além de elogiar o trabalho escravos dos Kulaks em nome da causa revolucionária. Esse escritor recebeu muitas homenagens e presentes de Stálin, foi o preço de sua colaboração com o regime. Ele, e outros autores comprometidos com a causa eram no dizer de Stálin “engenheiro de almas”.

Luís Fernando Veríssimo foi comprado? não sei, mas que o governo comprou seus livros, comprou.

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