27 agosto, 2006

Mário Quitanda... essa nem a ABL fez















No sábado 26, uma repórter da Rede Record de Brasilia, cobria para o jornal local, a Feira do Livro da cidade. A moça, talvez nervosa, custa-me crer que tenha sido por ignorância, falou em alto e bom som: "A Feira do Livro de Brasília esse ano homenageia os 100 anos do poeta Mário Quitanda!" o Velho Quintana talvez risse, ou quem sabe voltasse a escrever os versos que vão abaixo:

A rua dos cataventos



Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arracar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

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