27 agosto, 2006

Bilac, só nos resta conversar com as estrelas...


Olavo Bilac. O que se passava em seus pensamentos?

O poema que vai abaixo me deixa envergonhado de rabiscar versos. Os meus, diante desses, é de uma pobreza digna do Bolsa Família. Meus professores de Português me causaram alguns males irreparáveis, meus erros nesse blog comprovam isso, mas devo dizer que eles me deram o prazer de apreciar poesia. Emocionar-se com um verso é humanizar-se! Imaginar as imagens que encerram cada verso é um exercício de sensibilidade intelectual. Que não se goste de política vá lá, é preciso saco para ouvir nossos políticos, mas que não se goste de poesia, não entendo. Vamos aos versos do Bilac


XIII


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto ...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

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