25 julho, 2006

Um pouco de Descartes não faz mal a ninguém

"O bom senso é, das coisas do mundo, a mais bem dividida, pois cada qual julga estar tão bem dotado dele, que mesmo os mais díficeis de contentar-se em outras coisas não costumam desejat tê-lo mais do que já têm. (...) o poder de bem julgar e distinguir o verdadeiro do falso, isto é, o que se denomina o bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens. A diversidade de nossas opiniões não provém do fato de uns serem mais racionais do que outros, mas tão- somente em razão de conduzirmos o nosso pensamento por diferentes caminhos e não considerarmos as mesmas coisas. Pois não basta ter o espírito bom: o essencial é aplicá-lo bem. As maiores almas são capazes dos maiores vícios(...)" - Discurso do Método

Nessas eleições se discutirá talvez quem foi menos ou mais corruptos. Quem foi ou será menos ou mais incompetente na condução da economia, quem tem mais ou menos "bondades" para o povo. Ler Descartes talvez nos previna dessa lorota.

O debate político está assim tão deturpado, tão viciado em corrupção, que assistiremos mais troca de acusações e menos discussões sobre o Brasil.

Todos falam em baixar juros, em fazer investimentos gigantescos em determinadas áreas, em gerar milhões de empregos, mas de onde virá o dinheiro? do orçamento? aumentado-se a carga tributária? não pagando a dívida externa? eles, os candidatos, não dizem claramente, e não falam porque ou estariam mentindo ou seriam desmentidos pelos números.

Quanto dinheiro dos Sanguessugas poderia ter melhorado o atendimento da saúde no Brasil? Quantos milhões previstos para serem gastos nessa campanha não melhorariam a educação pública no Brasil? Quantas mordomias, os parlamentares desfrutam e abusam com nosso dinheiro,( lembram do escândalo dos combustíveis?) Não poderia ser usado em investimentos que gerassem empregos?

Todos falam, munidos de bom senso e seguindo caminhos diferentes, que baixarão juros, promoverão o desenvolvimento e produzirão empregos, como se essas coisas fossem obtidas apenas pela ação da vontade. Se assim fosse, que governo já não teria feito tudo isso? Será que a direita, liberal ou conservadora; e a esquerda, totalitária ou sonhadora, jão não teriam produzido esses frutos se dependessem apenas delas?

Mudar o Brasil precisa de um trabalho lento, persistente, seguindo um caminho reto, onde governos, a despeito de suas ambições pessoais, não possam desviar-se , sejam mesmo impedidos de se desviarem , do objetivo final. Essa idéia de refundar tudo, de começar do zero é tacanha e destinada ao fracasso.



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