28 julho, 2006

ENTREVISTA: PERGUNTA 4

NP: Em seu blog, foram reproduzidas algumas perguntas feitas ao senhor no Chat da IG. Numa de suas respostas o senhor usou a expressão "cabeça de paulista", propondo uma mudança no paradigma do desenvolvimento regional. Qual sua política para o desenvolvimento do nordeste?

CRISTOVAM BUARQUE: Os problemas do Nordeste são um desafio nacional, não regional, e só podem ser enfrentados com uma estratégia de desenvolvimento nacional que incorpore uma política para a região. A criação de um órgão regional de desenvolvimento contribuirá para essa mudança. Para isto ela receberá força política e capacidade técnica. A temática incorporará diversos ministérios, obrigando-os a distribuir projetos e ações com base em metas de longo prazo que promovam a convergência dos indicadores econômicos e sociais das regiões. As regiões com os mais baixos indicadores de educação e inovação, como o Nordeste, devem receber uma parcela mais significativa dos investimentos federais, acelerando a melhoria regional num ritmo superior ao da média nacional. A federalização da educação contemplará um olhar regional, enfrentando as deficiências onde elas são mais agudas.

A gestão dos recursos hídricos numa região de escassez e irregularidade de água é fundamental, e a integração de bacias pode contribuir para o desenvolvimento regional, desde que respeite cinco condições básicas: a moderação dos impactos ambientais, a revitalização das bacias, a desapropriação das terras nas margens das adutoras para reorganização fundiária, e um sistema qualificado de gestão dos usos da água e dos conflitos decorrentes e uma análise séria de alternativas mais eficientes, econômica, social e culturalmente.

O Nordeste precisa mesmo é de uma grande “transposição de conhecimento”, como bem definiu o professor Lynaldo Cavalcanti: uma estratégia de desenvolvimento do Nordeste deve priorizar a elevação do nível de escolaridade e a capacidade científica e tecnológica da região.

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