23 julho, 2006

Cotas e o politicamente correto

O brasileiro é bonzinho, cordial, sabe receber o turista. O brasileiro é um povo caloroso, alegre, receptivo. E o Brasil? bem... o Brasil é uma brincadeira.
Analisando os Big Brothers, vejam o quanto me interesso por coisas importantes, percebe-se a natureza caridosa do brasileiro. Basta algum participante se declarar pobre, homosexual, torcedor do íbis, enfim, pertencer a alguma minoria perseguida, o público cai de amores, e trabalha para fazer justiça social. Temos o desejo de fazer o bem, e se uma ligação pode mudar a vida de uma doméstica, de uma pescadora, de um professor de literatura do interior da Bahia, então lá vamos nós fazer justiça social.

Sou contra cotas raciais nas universidades públicas! Antes de me acusarem de branco racista, explico que devo ter mais genes africanos em meu DNA que Pelé no dele. Antes de me acusarem de filhinho de papai, explico que os meus não terminaram sequer o Ensino Fundamental, atualmente minha mãe, que é india, voltou a estudar, e vivem modestamente em Monsehor Fabrício, suburbio de Recife. Sou contra porque isso aumentará o racismo.

Tenho orgulho de vários amigos, negros, não falo os nomes porque não pedi autorização a eles, que estudaram em escola pública e hoje estão fazendo doutorado na França, Alemanha e Inglaterra. Conseguiram, não porque eram negros, mas porque tiveram méritos!

Criar reservas, cotas, é um reconhecimento cabal de que nossa escola básica é um fracasso. Pior, é afastar para sempre as tentativas de melhorar a qualidade da escola pública, afinal, alunos ruins, com formação inadequada, desde que sejam negros, terão 20% das vagas nas universidades públicas.

No curso de ciência política, fui apresentado a uma moça, britânica, chamada Nancy Fraser, ela defendia a idéia de que devíamos superar essas coisas de gênero e raça. Respeitando as diferenças, não devíamos esquecer nossa maior igualadade, a condição humana.

Essa pesquisa que afirma ser a maioria dos brasileiro a favor da cotas, é esse exemplo da bondade social do brasileiro, analisando os números da pesquisa, e não apenas aqueles que saem na TV ou nos jornais, percebe-se que os grupos de maior renda e com maior nível de instrução, são contra as cotas. Essa maioria não é só boazinha, mas também desinformada. Lembram do referendo das armas? a maioria era a fovaor do Sim, quando começou a campanha para o plebiscito e a população passou a conhecer mais o problema, o que ganhou? Afirmo que aqui as coisas são semelhantes.

Nenhum comentário: