30 dezembro, 2006

Vou ser preso!

Amanhã, sim, já são quase 1 hora da madrugada, o apedeuta tomará posse do Brasil como querem os romeiros da bandalheira. Já escrevi em algum lugar que em primeiro de janeiro o demônio petista tomará posse do corpo dessa nação de tal forma que somente uma reza braba, com vigília e chama santa, como se faz na EQS212/213, será capaz de extirpar esse belzebul de nossa história.

A bagatela de 1 milhão de reais sairá é claro de nossos bolsos. Amanhã contudo, como um cidadão indiganado e inconformado, estarei lá para jogar bosta na Geni. Serei preso, serei chamado de direitista, até de terrorista, pois esse pessoal da esqueda, os esquerdofrênicos, são um tanto dramáticos, mas preso serei sim. Afinal, não se macula a posse de nosso Guia Genial do Cegos. Se ao invés de atirar contra o carro oficial meus impropérios, eu tivesse recebido mensalão, superfaturado ambulâncias, comprado dossiê, quebrado o sigilo bancário do caseiro, particpado da esbórnia na mansão do Lago sul, eu não estaria na cadeia, mas na festa da posse e na festa de recepção onde todos os homens de bem estarão logo mais!

Como perdi meu primeiro emprego!

Conforme prometido e nos estertores do ano de 2006, publico uma singela crônica sobre minha tentativa de conseguir um emprego formal. Espero que gostem!

Era o ano da graça de 1996. Eu ainda não tinha completado 20 anos, faria em novembro, e essa história se passa em agosto. Faltavam alguns dias para me formar no curso de Química Industrial e eu precisava arrumar emprego. Saí a campo à procura de um estágio que validasse o curso.

Nas aulas de Organização e Normas, que não me serviram para nada, fui aconselhado a ir bem vestido para as entrevistas de emprego. Como aluno obediente segui à risca o que recomendavam os professores, e hoje, sei que fiz mal. Numa vaga para operário eu parecia mais um candidato a gerente. Tolice.

Minha primeira tentativa de emprego formal - porque como a maioria dos brasileiros pobres, trabalhava desde cedo, e sem carteira assinada- foi na indústria de alumínio, a ALCOA, que fica em Igarassu, pertinho de Itapissuma e também de Itamaracá. Ao chegar na fábrica, depois de 90 minutos de ônibus, vi que uns 30 jovens como eu queriam a única vaga disponível. Seria uma luta árdua, mas para acabar com o suspense quero dizer que a perdi. O motivo dessa crônica é dizer porque perdi.

A primeira etapa foi uma prova de conhecimentos. Só teve questões de físico-química. Concentração para cá, normalidade para lá, volume, diluição, essas bobagens. Tirei 7, fui medíocre. Depois veio a entrevista com uma jovem engenheira chamada Flávia. Não me lembro de nossa conversa, apenas de um dado curioso: lá pelas tantas a engenheira me pergunta o que eu fazia nas horas vagas. "E pobre tem lá hora vaga!", pensei. Respondi mesmo o seguinte: "Escuto música!" E que tipo de música você gosta Zé Paulo? Ela perguntou de pronto. Legião Urbana, respondi. A engenheira sorriu, disse que também curtia Renato Russo e eu lá na frente dela sem entender porque ela queria saber de música quando eu estava em busca de um emprego.

Quase no final da entrevista fiz minha primeira grande besteira. Indagado se eu conhecia ou se eu tinha parente na fábrica, disse que parente não tinha, mas que conhecia sim uma pessoa que trabalhava na fábrica, inclusive foi essa pessoa que trouxe meu currículo para a empresa. A moça fechou a cara. Parece que meu patrocinador andou às turras com a minha potencial chefe. A chance de arrumar meu primeiro emprego formal acabara ali, embora ainda não soubesse disso e ainda cometesse outras gafes no processo seletivo.

Já disse a vocês que não gosto de psicólogos? À exceção de D Ivalda, D Betânia, D Carlenita e Sr. Kênio, psicólogos da ETFPE, nunca simpatizei com essa turma que estuda Freud, Jung, Skinner e nos obriga a assistir Laranja Mecânica. Foi justamente no teste comandado pela psicóloga que abracei meu fracasso. Primeiro um teste de lógica, não me lembro do teste, mas sei que não fui muito bem. Depois um teste de concentração, esse foi muito pior que o primeiro e o grande finale, o famigerado desenho.

Nunca fui bom em desenho. Na ETFPE pagávamos três cadeiras de desenho: à mão livre, passei com 6; geométrico, passei com 7; e técnico, nesse o professor me ajudou a passar. Não consigo traçar uma linha reta mesmo com régua. A infeliz da psicológa queria que eu desenhasse uma pessoa, pusesse um nome nessa pessoa e uma idade. Se você leitor desenha com a mesma facilidade com que respira pode me chamar de débil, mas o fato é que fui uma lástima nesse teste. Se tiver psicólogo por aí, explica por que se pede a um químico, engenheiro, arquiteto, motorista, esses testes estapafúrdios? Desenhei uma mulher tão feia que a Ideli Salvati seria miss ao lado dela. Para piorar eu desenhei a mulher sem roupa, com os seios de fora, não sabia fazer uma blusa para ela e pus o nome de Flávia, que por coincidência era o mesmo nome da engenheira que seria a minha chefe. Depois desse desenho encerrei minha participação no processo seletivo da ALCOA. Por que será?

27 dezembro, 2006

Vários assuntos

Fim de ano é sempre meio maçante, exceção é claro para as pobres almas que penam ou penaram em nossos aeroportos. Na política os assuntos esfriam, na TV a rotina de especiais de fim de ano deixam a programação, seja em TV aberta ou não, ainda mais monótona. O que resta para mim? os passeios no Parque da Cidade, a visita ao Memorial da República, e uma espiada no prédio que será a sede do novo antro do PT Nacional, aqui em Brasília. Aliás, essa nova sede fica numa das áreas mais feias e sujas do Plano Piloto. Para piorar, uma obra interminável do GDF vem provocando na área transtornos muitos próximos dos verificados nos aeroportos brasileiros. Em síntese: o novo antro do PT ficará num lugar feio, sujo e caótico, nada mais adequado para o partido.

Esse post tem outra finalidade: a de lembrar a meus queridos 11 leitores que abaixo existem dois posts que tenho um carinho especial. São eles: Amor, amor. Negócios à parte e Meu pedido ao presidente Lula.

Tenho pronta, mas ainda não sei se vou publicar, uma crônica sobre como fracassei na minha primeira tentativa de conseguir um emprego formal. Esta crônica deve ser a primeira de uma série que chamarei de Minhas Aventuras Profissionais. Como passarei longe dos aeroportos, restou-me relembrar o passado para narrar minhas aventuras.

Sou de Recife, e como bom pernambucano, tenho uma ligação digamos... telúrica com as festas populares de minha terra. Por isso, em fevereiro, quando o frevo começar a ferver nas ladeiras de Olinda e no Recife, postarei para vocês algumas canções que dão identidade ao carnaval de Pernambuco. Mas isso ainda tem tempo, estou preparando a edição.

Finalmente, a boa notícia! Encontrei por aqui, pelo Planalto Central, amigos que estudaram comigo em Recife, na boa e velha ETFPE. Fiquei sabendo que outros estão de malas prontas para cá. Nós que estudávamos para sermos químicos, técnicos em eletrônica, saneamento, edificações etc viemos para cá para trabalharmos como jornalistas, assessores parlamentar, advogados e professores. Eita vida que dá voltas!

24 dezembro, 2006

Missa do Galo!

Encontrei essas pérolas no blog da caótica e não resisti, estou transcrevendo o post na íntegra para vocês!

ORAÇÃO DE NATAL (Hugo Hamann)

Senhor, tende piedade de nós

Pelo projeto político do deputado Clodovil
Pelo "espetáculo do crescimento" que até hoje ninguém viu
Pelas explicações sucintas do ministro Gilberto Gil

Senhor, tende piedade de nós

Pelo jeitinho brejeiro da nossa juíza
Pelo perigo constante quando Lula improvisa
Pelas toneladas de botox da Dona Marisa

Senhor, tende piedade de nós

Pelo Marcos Valério e o Banco Rural
Pela casa de praia do Sérgio Cabral
Pelo dia em que Lula usará o plural

Senhor, tende piedade de nós

Pelo nosso Delúbio e Valdomiro Diniz
Pelo "nunca antes nesse país"
Pelo povo brasileiro que acabou pedindo bis

Senhor, tende piedade de nós

Pela Cicarelli na praia namorando sem vergonha
Pela Dilma Rousseff sempre tão risonha
Pelo Gabeira que jurou que não fuma mais maconha

Senhor, tende piedade de nós

Pela importante missão do astronauta brasileiro
Pelos tempos que Lorenzetti era só marca de chuveiro
Pelo Freud que "não explica" a origem do dinheiro

Senhor, tende piedade de nós

Pelo casal Garotinho e sua cria
Pelos pijamas de seda do "nosso guia"
Pela desculpa de que "o presidente não sabia"

Senhor, tende piedade de nós

Pela jogada milionária do Lulinha com a Telemar
Pelo espírito pacato e conciliador do Itamar
Pelo dia em que finalmente Dona Marisa vai falar

Senhor, tende piedade de nós

Pela "queima do arquivo" Celso Daniel
Pela compra do dossiê no quarto de hotel
Pelos "hermanos compañeros" Evo, Chaves e Fidel

Senhor, tende piedade de nós

Pelas opiniões do prefeito César Maia
Pela turma de Ribeirão que caía na gandaia
Pela primeira dama catando conchinha na praia

Senhor, tende piedade de nós

Pelo escândalo na compra de ambulâncias da Planam
Pelos aplausos "roubados" do Kofi Annan
Pelo lindo amor do "sapo barbudo" por sua "rã"

Senhor, tende piedade de nós

Pela Heloisa Helena nua em pêlo
Pela Jandira Feghali e seu cabelo
Pelo charme irresistível do Aldo Rebelo

Senhor, tende piedade de nós

Pela greve de fome que engordou o Garotinho
Pela Denise Frossard de colar e terninho
Pelas aulas de subtração do professor Luizinho

Senhor, tende piedade de nós

Pela volta triunfal do "caçador de marajás"
Pelo Duda Mendonça e os paraísos fiscais
Pelo Galvão Bueno que ninguém agüenta mais

Senhor, tende piedade de nós

Pela eterna farra dos nossos banqueiros
Pela quebra do sigilo do pobre caseiro
Pelo Jader Barbalho que virou "conselheiro"

Senhor, tende piedade de nós

Pela máfia dos "vampiros" e "sanguessugas"
Pelas malas de dinheiro do Suassuna
Pelo Lula na praia com sua sunga

Senhor, tende piedade de nós

Pelos "meninos aloprados" envolvidos na lambança
Pelo plenário do Congresso que virou pista de dança
Pelo compadre Okamotto que empresta sem cobrança

Senhor, tende piedade de nós

Pela família Maluf e suas contas secretas
Pelo dólar na cueca e pela máfia da Loteca
Pela mãe do presidente que nasceu analfabeta

Senhor, tende piedade de nós

Pela invejável cultura da Adriana Galisteu
Pelo "picolé de xuxu" que esquentou e derreteu
Pela infinita bondade do comandante Zé Dirceu

Senhor, tende piedade de nós

Pela eterna desculpa da "herança maldita"
Pelo "chefe" abusar da birita
Pelo novo penteado da companheira Benedita

Senhor, tende piedade de nós

Pela refinaria brasileira que hoje é boliviana
Pelo "compañero" Evo Morales que nos deu uma banana
Pela mulher do presidente que virou italiana

Senhor, tende piedade de nós

Pelo MST e pela volta da Sudene
Pelo filho do prefeito e pelo neto do ACM
Pelo político brasileiro que coloca a mão na "m"

Senhor, tende piedade de nós

Pelo Ali Babá e sua quadrilha
Pelo Gushiken e sua cartilha
Pelo Zé Sarney e sua filha

Senhor, tende piedade de nós

Pelas balas perdidas na Linha Amarela
Pela conta bancária do bispo Crivella
Pela cafetina de Brasília e sua clientela

Senhor, tende piedade de nós

Pelo crescimento do PIB igual do Haití
Pelo Doutor Enéas e pela senhorita Suely
Pela décima plástica da Marta Suplicy

Senhor, tende piedade de nós

Por fim
Para que possamos festejar juntos os próximos natais

Senhor, dái-nos a paz

23 dezembro, 2006

Meu pedido ao presidente Lula












O presidente Lula não lê esse blog. Isso não me deixa triste porque o presidente Lula não lê nada mesmo. Melhor do que o presidente Lula, são meus onze leitores fiéis: Patrícia NY, que pela Graça de Deus já deve estar com os seus em BH; André Werner, a querida Sônia, o simpático Cejunior, o prestativo David e os demais 6 leitores que por aqui passam de quando em vez. Mas se o presidente Lula, assim como que por milagre lesse esse blog, daria a ele um conselho de amigo: Oh presidente, você que suou a camisa em festividade com catadores de papel em São Paulo, que chegou a pôr no colo um neném, que posou para fotos todo ancho no meio dos seus, amanhã, de volta a Brasília, dê uma passadinha no aeroporto internacional JK para dar seu apoio aos trabalhadores da TAM que estão passando maus bocados. Aproveite e também se confraternize com os passageiros que pacientes esperam 5,6,7 horas para fazer um check- in na TAM, não abandone seus filhos nessa hora presidente. Dê uma passadinha lá e saiba o que o povo anda pensando sobre sua excelência e o seu governo. Se quiser, para não se sentir sozinho, traga o simpático ministro Waldir Pires e o presidente da ANAC, o povo vai adorar vê-los todos juntos.

Se caso o senhor ou seus áulicos lerem esse post, favor comentar se vai ou não atender esse pedido de um cidadão do Brasil e de Brasília, caso atenda, estarei amanhã bem cedo no aeroporto esperando o senhor com todo meu grito incontido de brasileiro pateta e otário.

Amor, amor. Negócios à parte.

Foi Nelson Rodrigues que disse: “ciúme de homem e ressentimento de mulher são fatais” Nessa antevéspera de Natal eis que um crime deixa atônita a sociedade de Brasília. Calma meus queridos 11 leitores, não se trata da morte de algum ministro ou político, são outros os bandidos da história.

A jovem Larissa Gomes, 23 anos, enamorou-se de um rapaz de 19 anos, chamado David Palmas, há duas semanas. Da conquista para os tiros foi um passo. Nossos amantes vivem na Ceilândia, uma cidade satélite muito simpática aqui do Distrito Federal, mas que apresenta altíssimos índices de criminalidade. Segundo as investigações da polícia, a jovem Larissa não suportou a traição de seu atual grande amor, e por vingança, junto com mais dois comparsas, matou com 6 tiros seu namorado. Se vocês estão pensando num triângulo amoroso, sinto frustrar suas expectativas românticas, ainda que trágicas. O motivo do crime passional foi o furto de 500 g de maconha feito pelo rapaz e que pertencia à sua namorada. Inconformada com a “trairagem”, nossa meiga Larissa, que cansada de procurar emprego encontrou uma vaga de traficante, decidiu dar cabo da vida do namorado. Vejam o que ela declarou à polícia quando foi presa: “Vingança se paga é assim. Confiei nele e ele vacilou, azar o dele”

Não entendo nada da Cannabis sativa, mas desconfio que 500 gramas dá para produzir uma boa quantidade de baseados. O rapaz, que não se sabe se era viciado, talvez quisesse o 13º salário e como não pode aumentar os prórpios rendimentos, essa prerrogativa é de bandidos engravatados e togados, acreditou naquelas juras de Larissa de que tudo que era dela era dele, e acabou se dando mal.

Fosse Larissa atriz global e o David PM, todas as revistas e programas patrocinados pelo D.I.V.A (Departamento de Investigação da Vida Alheia) estavam de plantão, exibindo simulações e colhendo depoimentos de parentes e amigos, mas como são apenas dois jovens pobres e excluídos, que não deram bola para a escola e vivem na Ceilândia, o máximo que conseguiram é ter sua trágica história de amor registrada no modesto blog do Costa Junior.

Um abraço para todos e Feliz Natal!

22 dezembro, 2006

Balanço do ano... na política.

Muitos já fazem um balanço do ano de 2006, por isso vou dar aqui minha versão sobre esse ano que se finda, embora o outro que se avizinha não parece trazer na política e na economia bons augúrios. Abaixo há um sucesso do Sá e Guarabyra da novela Roque Santeiro do saudoso Dias Gomes. Vou reproduzir a letra e destacar uma parte dela para que vocês, meus caríssimos 11 leitores, possam acompanhar a música com a letra. Para mim é um ótimo resumo do ano de 2006 na política. Um abraço a todos.



Sá E Guarabyra - Verdades E Mentiras

Responda depressa quem se acha esperto
Quem sabe de tudo que é certo na vida
Porque que a cara feroz da mentira nos pode trazer
tanta felicidade
Porque que na hora da grande verdade às vezes o povo
se esconde se esquece


Verdade....esconde esconde, jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Mentira.... esconde esconde, jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira

Às vezes é sua inimiga a verdade
Às vezes é sua aliada a mentira
Aquilo que a vida nos dá e nos tira
Não anda de braços com a sinceridade
Por onde será que é mais curto o caminho
Qual deles mais sobe
Qual deles mais desce

Verdade....esconde esconde, jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Mentira.... esconde esconde, jogo de esconde esconde
tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira

Tem que jura que a vida é virtude
Tem gente que faz o bem por falsidade
Não há no universo uma força que mude
O dom da mentira, o som da verdade
A lábia do sábio, a arma do rude
São Deus e o Diabo unidos na prece

Verdade....esconde esconde
jogo de esconde esconde
tudo tudo se esconderá
Mentira.... esconde esconde
jogo de esconde esconde
tudo tudo se esconderá
Verdade, mentira
Verdade ou mentira

esconde esconde
jogo de esconde esconde
tudo tudo se esconderá.... mentira
esconde esconde, esconde
tudo tudo se esconderá
verdade... esconde esconde,
jogo de esconde esconde
tudo se esconderá...mentira
esconde esconde, esconde
tudo tudo se esconderá

Um conto...

Não sei se vai dar certo, é apenas um exercício, mas vou tentar. Abaixo está um pequeno conto que escrevi tem dois anos. Desçam a lenha se não gostarem, mas comentem.

APENAS UM ENCONTRO.

Luís caminhava atônito pelas ruas alagadas do centro do Recife. Pensava unicamente na prova que faria horas mais tarde na faculdade. Uma porção de livros nas mãos que inutilmente ele tentava proteger da chuva. Na ânsia de alcançar o ponto do ônibus o pior aconteceu: atarantado e displicente, Lula esbarrou noutra pessoa, os livros que mal se equilibravam em suas mãos, caíram todos numa poça d’água. A menina constrangida mas ao mesmo tempo ciente de sua inocência tentou ajudá-lo, mas Luís um tanto ríspido dispensou a sua ajuda, recolheu os livros e seguiu o seu caminho.

Às 19:00 horas Luís já estava na sala de aula para fazer a prova. Era uma prova de cálculo e quem já precisou pagar essa cadeira na faculdade sabe muito bem o que Lula estava passando momentos antes de começar o exame. Às 19:15 todos que fariam a prova estavam na sala, mas o professor ainda não havia chegado, o que aumentava o nervosismo de todos. Havia aqueles que argumentavam que a prova seria adiada, o desejo da maioria aplaudiu essa análise, afinal de contas o professor de Cálculo não costumava atrasar, algo tinha acontecido e ele não poderia vir.


O professor realmente não veio, mas para não frustrar as expectativas dos alunos, designou uma aluna do mestrado para aplicar a prova, pelo menos foi o que disse a tal aluna, que se apresentou como Júlia. É evidente que a turma achou a solução ruim, mas não havia como fugir da realidade, a prova teria de ser feita. Luís tinha motivos maiores para estar incomodado. Tem dias que levantar da cama é o principal de todos os erros. Júlia logo reconheceu Luís e com um sorriso enigmático aproximou-se dele, entregou a prova e perguntou se os livros tinham secado. Luís, que já havia reconhecido intimamente que fora desnecessariamente ríspido com a moça que ele esbarrou e que estava ali como para exigir desculpas, não respondeu. Pegou a prova baixou a cabeça e começou a resolver as duas questões.


Extremamente concentrado na prova nosso amigo perdeu a noção do tempo e das pessoas que estavam na sala, quando deu por si, era o único fazendo a prova. Júlia, pacientemente, esperava Luís concluir as qustões. Próximo a acabar o tempo da prova ele levantou-se, dirigiu-se a Júlia e disse: “os livros não ficaram tão molhados” e entregou a prova. Júlia, com um ar cansado, deu um sorriso daqueles que só se percebe porque seus olhos ficaram um pouco mais apertados. Luís ficou incomodado com o silêncio dela e foi embora. Na metade do corredor considerou que talvez fosse necessário desculpar-se de forma mais explícita, tentar ser gentil e chamá-la para comer alguma coisa. Voltou. Ao entrar na sala seu intento precisou ser modificado. Júlia estava num desses beijos apaixonados com o seu namorado, foi ele quem percebeu a presença de Luís.


Você que está me lendo agora sabe o que é dar um branco? De repente perder a capacidade de falar? E saber que ficar calado é mais esquisito ainda? Pois é, Luís emudeceu. Maldita idéia essa a de voltar. Ele nem conhecia aquela moça, por que desculpar-se com alguém que provavelmente não veria de novo? Foi Júlia que quebrou o silêncio:

---- Esqueceu alguma coisa? Perguntou um pouco inibida.

---- Na verdade eu queria saber... se... , ele estava tentando criar uma pergunta naquele instante, o professor Macedo virá na próxima aula? Ufa ! ele conseguiu.

---- A semana que vem não será a da festa de São João? Não terá aula.

Luís quase desaba de remorso. Não bastasse a idéia infeliz que teve, fez uma pergunta completamente sem sentido. Já era tradição na faculdade a festa de São João, ela acontecia ha mais de dez anos e nunca havia aula nesse período. Ele fez um gesto como se tivesse lembrado desse fato naquele instante, virou-se e foi embora.

O São João desse ano cairia numa quarta-feira, mas a festa na faculdade seria numa segunda-feira. Essa festa era um momento de confraternização de alunos, professores e funcionários, mas a presença dos alunos era hegemônica, o que transformava a festa numa espécie de calourada. Fogueira, trio de forró, comidas típicas e muita bebida animavam os convivas. O arraial construído estava tomado, quase não se podia andar. A animação estava contagiante, até mesmo Luís, pouco afeito a festas sorria sem reservas com as estórias pouco críveis de Dudu, colega de sala. Dudu era uma dessas figuras cujo passatempo preferido é deixar pessoas como Luís, constrangida. Quase sempre Luís se incomodava, mas nessa festa, surpreendentemente ignorava as brincadeiras de Dudu. Numa última tentativa de tirar seu amigo do sério, Dudu perguntou em tom jocoso:

---- E aí Lula, vai assistir aula de Macedo hoje? E caiu na gargalhada como se estivesse presente à cena constrangedora vivida por seu amigo.

---- Dudu esse assunto vai render até quando? Eu sei que eu falei besteira, que não deveria ter voltado, mas agora é tarde. Luís sabia que não evitaria as brincadeiras de Dudu e reconhecia o erro que cometera.

---- Mas você não acha, e agora Dudu falava alto para que outros colegas que não estavam atentos à conversa prestassem atenção - para Dudu quanto mais público melhor - que chamar a assistente do professor para sair e quem sabe talvez seduzi-la, e assim garantir uma boa nota na prova, não foi um pouco de fantasia de sua parte? E mais, prestem atenção, falava Dudu ciente da audiência que conquistara, a linda moça estava no maior amasso na sala de aula. Moral da História: Não há como evitar uma nota ruim em cálculo, nem estudando, muito menos seduzindo a assistente do professor. Todos riram mais das pantomimas feitas por Dudu para narrar sua versão dos fatos do que propriamente dos fatos. Lula sempre se arrependia de contar as coisas para Dudu, mas ele no fundo era um bom amigo, só não desperdiçava uma oportunidade de chamar a atenção.

---- Esse era o seu plano Luís? Tentar me seduzir? Todos ficaram calados. Por coincidência até o trio parou o som para descansar um pouco. O coração de Luís gelou, Dudu não sabia o que dizer, pediu licença e foi embora. Os colegas foram se afastando um a um , ficou apenas Luís e Júlia. Ela repetiu a pergunta, talvez porque o nervosismo de Lula pudesse fazê-lo esquecer o que foi perguntado.

---- Júlia, você não conhece o Dudu, ele cria do nada estórias fantásticas, devia fazer Letras e não engenharia. Eu voltei porque queria me desculpar por não ter aceitado a sua ajuda naquela tarde, afinal de contas a culpa foi minha. Como eu estava com fome iria convidá-la, se você quisesse é claro, a fazer um lanche comigo, o resto é imaginação do Dudu. Luís estava espantado. Não tremeu a voz, disse toda a verdade e não estava parecendo um idiota como da outra vez.

---- Está bem eu acredito em você. Gostaria de dançar comigo? Adoro essa música - o trio voltou a tocar, mas dessa vez um forró mais autêntico, a música era Sala de Reboco. Foram dançar.

O que pode estar passando na sua cabeça leitor eu posso até imaginar, mas o que passava pela cabeça de Luís nem ele sabia. Péssimo dançarino, ele nunca aceitava um convite daquele, e de repente estava ali, dançando com uma menina que nas últimas duas semanas tropeçava em sua vida. Dançaram três músicas e pararam, talvez Júlia tenha cansado das pisadas no pé que Luís lhe dava. Conversaram a festa toda, ele mais à vontade falava de seus planos na faculdade, ela ouvia paciente e também falava de sua dissertação de mestrado. Um pergunta no entanto, estava se impondo. Luís tentava evitá-la, mas ela sempre voltava à sua cabeça. Decidiu fazê-la e começou meio reticente.

---- Posso te fazer uma pergunta meio esquisita?

---- Onde está o meu namorado? Disse Júlia adivinhando a pergunta e provando que já a esperava

--- Não! Falou tentando disfarçar, era se naquele dia ele ficou chateado com a pergunta idiota que eu fiz? Luís havia mudado a pergunta, mas mantido o objetivo.

---- Acho que não. Não comentou nada a respeito. Ele precisou viajar a São Paulo, a empresa que ele trabalha está oferecendo um curso em processamentos de dados e ele foi fazer. Luís eu preciso ir, obrigado pela dança e pela companhia.

---- Não esqueça de pôr gelo nos pés quando chegar em casa, eles te agradecerão, falou Luís tentando dizer algo engraçado. Despediram-se. E Luís guardou aquele rosto pelo resto da vida.

Estou de Férias!











Estou oficialmente de férias e com aquela sensação de não ter nada para fazer. Terei mais tempo para o blog, embora agora me falte assunto, ou melhor, inspiração para postar algo relevante. Vou navegar nos blogs dos amigos: André, Rayol, Carlos Emerson, Sônia, Paty NY, David, Blogildo, Luís Ricardo, e tantos outros que fiz na blogosfera. Já publiquei aqui antes, mas não custa nada publicar novamente essa magnífica poesia de Fernando Pessoa que ilustra meu espírito nessas férias que começam hoje.

Como ninguém é de ferro vou postar uma notinha:

Deputados querem fugir no avião da FAB

A maioria dos jornais e blogs fizeram uma leitura equivocada do pedido do deputado petista, Gilberto Machado, para que deputados do Nordeste fossem em aviões da FAB para suas bases. Não se trata de mais um privilégio absurdo, é covardia pura e simples. Quando em Salvador, uma louca meteu a faca no minúsculo ACM neto por causa dos 91%, muitos deputados passaram a ficar ressabiados com essa gente volúvel chamada eleitor brasileiro. Imaginem o que pode acontecer a um parlamentar nos aeroportos desse país? É melhor não arriscar.

LIBERDADE

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...

17 dezembro, 2006

Noivo ou noiva?

Fernando Pessoa no seu genial POEMA EM LINHA RETA, não deixem de ler, escreve : “Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.” Cada vez me convenço que estou aquém do meu tempo.

A Revista do Correio, um suplemento dominical do Correio Braziliense, que sempre traz matérias relevantes, não fugiu à regra nesse domingo, dia 17. A HORA DO NOIVO é a matéria de capa da revista. Os noivos estão ficando cada vez mais estranhos. Esse troço de metrossexual tem provocado efeitos deletérios na alma masculina. A festa de casamento, segundo a matéria, deixou de ser apenas para a noiva, agora também é do noivo. Vamos às esquisitices:

1 – Buquê do noivo. Isso mesmo meus caros! Nas festas modernas, os noivos também têm buquê para jogar. Pasmem, os solteiros disputam a tapas e empurrões esse troféu. Resta saber, a matéria não informa, se o noivo entra na igreja segurando o arranjo de flores.

2 – O noivo acompanha passo a passo os preparativos da festa. A desculpa não poderia ser mais cínica: “é para minha noiva não se sentir abandonada”. Sei... Esses noivos modernos querem dar pitaco em tudo. Escolhem a música, os arranjos da igreja, os doces, essas tarefas que a civilização destinou aos cuidados femininos. Na matéria, a pobre moça que se casou com esse noivo moderno, longe de se sentir abandonada, deu um “rela” em seu noivo, que talvez sonhasse em ser a noiva.

3 – Para os homens que já deram aqueles passos em direção ao altar, sabe que às vezes cambaleamos. Em alguns dá uma rápida vertigem; em outros, um universo de dúvidas e apreensões passam pela cabeça; mas todos, sem exceção, ficam emocionados quando entram na igreja. Os noivos modernos querem mais: querem entrar de liteira na igreja, como se fossem Cleópatras do século XXI, e ainda dizem que precisam legalizar o casamento homossexual. Outros, que talvez fizessem melhor trabalho viajando para Hollywood, optaram para entrar na igreja como se fossem 007, o James Bond, com trilha sonora e efeitos especiais.

4 – Até na lista de presentes esses rapazes que em breve serão chamados de Senhor, estão metendo o bedelho. Existe agora um novo serviço: lista de presente apenas para os noivos. Ficou assim: utensílios de cozinha para a noiva, já para o bar, mande para a casa do noivo. Se é para inovar, porque não mandam maquiagens, esmaltes, serra de unha, para a casa desses noivos modernos?

5 – O noivo moderno também não abre mão do “pacote de beleza”. Por módicos 800 reais, o noivo passa por um tratamento especial de pele, de cabelo, banhos de ofurô, manicure, essas coisas que ficam tão bem nas moças, mas agora os moços também querem. Procurei, mas a revista não informou, não há nada que fale de despedidas de solteiro.

6 – Você leitor, talvez me ache retrográdo, reacionário, conservador. Aceito esses adjetivos sem problemas se forem me dados porque não compactuo com essas... (eu não tenho a mesma verve do David) modernidades. Imagine que no casamento de seu amigo chega uma drag queen para animar a festa. Se investigar bem, das duas uma: ou a drag é antiga conhecida do noivo, ou serão dois grandes amigos depois da festa. Uma dessas drags diante do sucesso de suas performances em festas de casamento para divertir os convidados, declarou o seguinte: “Agora tenho que conciliar a agenda entre eventos gay e festas hetero” Até onde sei, casamentos, ao menos para os católicos, é um sacramento e não uma festa hetero.

PS: E o número de divórcios no Brasil aumentam a cada ano. E o número de mulheres sozinhas também.

Professor Emir... Sai daí.

Emir Sader é ridicularizado por muita gente, o que é uma injustiça. Outros ainda mais nefastos passam incólumes pelo enxovalho público. Há muito tempo atrás, numa entrevista ao programa Provocações, Emir Sader, entrevistado pelo Havengá, disse que sua maior tristeza foi a ditadura argentina ter lhe tomado a mulher, o grande amor de sua vida. Fiquei comovido.

Em artigo publicado no Correio Braziliense deste domingo, escreve como professor, sobre a ascensão de Pinochet ao governo do Chile em 1973. É claro que ele sataniza a direita, os torturadores e o infame Pinochet, mas silencia sobre seus congêneres de esquerda. Fiquem atentos a esse trecho: “ Assim se instaurou no Chile o sangrento golpe militar, que faria de Pinochet o Franco, o Hitler, o Mussolini, o Salazar, do nosso tempo” Fiquei com uma dúvida professor. Esses nomes são de que tempo? Não viveram todos no século XX? Aliás, por que esconder Stálin, Mao Tse Tung, Pol Pot, Fidel Castro? Acaso eles mataram menos? Ou as mortes que eles comandaram são moralmente justificáveis? Ah, Pinochet e as Forças Armadas do Chile deram um golpe, depuseram um governo legitimamente eleito. Hum... Algum desses líderes de esquerda foram escolhidos nas urnas? Não. Assumiram o poder nas armas e na marra.

O professor Emir poderia também ter lembrado do caos que estava o Chile no governo Allende, poderia ao menos por a culpa na direita, mas em seu artigo a impressão que dá é de um Chile feliz e desenvolvido que entra nas trevas no período de Pinochet. Como bom homem de esquerda, ele pinta Allende como um herói. Matou-se, mas não se rendeu. Alende ao menos era um homem de palavra, coisa que muito esquerdista no Brasil não tem. Prefere ganhar dinheiro traindo companheiros e ajudando a companheira.

16 dezembro, 2006

R$24500,00! 90,7% DE AUMENTO! EIS O EMPREGO DOS SONHOS!


Estive ausente alguns dias. Vocês não imaginam o que é fazer uma mudança debaixo de chuva e com outros atropelos que não quero recordar. A notícia da semana foi o aumento que os parlamentares deram a si mesmos de presente de natal. ( Esse Papai Noel se chama Classe Média que sustenta esses parasitas). De várias partes vieram protestos, indignação, revolta e uma certa vontade de cometer uma loucura. Já se disse que o brasileiro é cordial, pacífico, ordeiro, essas bobagens. O brasileiro é, acima de tudo, um otário!

Que é uma provocação do Congresso não há dúvida! Eles, os parlamentares, estão passando da conta. A corda já está esticada e pode arrebentar! Ah os anos de 1780 na França... poucas lições se aprendem com a História! A política dos Bourbon na França levou o reino a uma bancarrota e ainda assim, nobres e alto clero, não queriam abrir mão de seus privilégios. Resultado: Revolução!

Ah Zé Paulo, você acha que por essas plagas o povo brasileiro, aquele que paga imposto para sustentar deputado corrupto e mau caráter, vai tomar a bastilha? Infelizmente não! Estou furioso e digo que às vezes a Lei, a Ordem, a Justiça, só beneficiam os crápulas, os cínicos, os bandidos!

Os culpados!

Já faz um certo tempo que a decisão está tomada. Queira Deus que eu consiga realizar esse projeto. Vou escrever sobre alguns episódios de minha vida. Não esperem assuntos bombásticos. A vida de pessoas normais como eu, são assim... absolutamente sem graça. Esperem menos ainda, certas confissões de pecados juvenis. Este é um blog familiar. O que vou contar então? Vou contar algumas experiências pessoais que talvez tenham lá certo humor, ou pelo menos agora, depois de muitos anos, parecem engraçadas. Antes, porém, vou explicar como tudo começou. De onde veio essa minha pretensão, não ouso dizer vocação, não tenho o mesmo talento de Clarice Lispector, de escrever certas coisas.

Eu era uma criança pobre, esquálida e feia. Hoje, sou remediado, já apresento indícios de uma certa obesidade e já não horrotizo tanto as pessoas com minha aparência. Pois bem, eu tão carente de atrativos econômicos e físicos, não podia ser mau aluno. Pobre e feio vá lá, isso não se escolhe, mas burro, jamais!

Desde cedo procurava ler os clássicos: Shakespeare, Graciliano, Machado, Dostoievski, Tolstoi, e lia apenas para receber elogios dos mais velhos: “veja, tão jovem e gosta de ler”. Foram tantos os elogios que o que era um comportamento exibicionista, passou a ser um hábito prazeroso. Mais tarde, nas aulas de Redação e Língua Portuguesa, os professores, quem sabe mentindo ou apenas incentivando, diziam que eu levava um certo jeito para a literatura. Acreditando nos professores, passei a escrever contos, livros, poesias, tudo muito ruim, como esse texto que vocês lêem, mas que na época eu achava a coisa mais bonita do mundo. Ainda penso em publicar aqui no blog, alguns contos dessa época, mas uma certa timidez me impede.

Portanto, meus queridos 11 leitores, Se escrevo, se sinto como Lispector, a necessidade vital de escrever, a culpa foi dos meus professores de Língua Portuguesa: D. Niza Galiza Guimarães; Sr. Paulo Bandeira; o querido Sebastião do Amaral Lopes; D. Leoana; D Neuma; Dona Xênia; Sr. Ricardo Medeiros e D Márcia Mendonça.

PS: José Egyto Freire, parece que hoje ele é padre, foi o primeiro grande culpado. Não é que ele emprestava para um pirralho de 12 anos livros de Shakespeare, biografias e outros clássicos? Como eu não tinha máquina de escrever, não é que ele datilografava em máquina elétrica Olivetti meus textos toscos? Meu amigo Freyre que o tempo afastou, foi o primeiro grande culpado dessa minha pretensão em escrever.

Você é um ET? Desconfio que eu sou...

Ando um tanto preocupado com algumas bobagens. O que será de nossa Língua Portuguesa nos anos vindouros? Numa dessas quintas-feiras em Brasíla, de céu cinzento, mormaço e chuvas no fim da tarde, fui provocado por uma professora de português que me alfinetou nos seguintes termos: “reduzir a língua portuguesa a uma mera questão de vocabulário é o fim!” Ela é professora de português, eu sou apenas alguém que tem a pretensão de usar a língua com certo esmero. Muitos, e não é de hoje, reclamam de que uso palavras pouco usuais. Fico preocupado porque quando estudava, meus professores de português, na época em que professores de português valorizavam o vocabulário dos seus alunos, obrigavam-me a sempre procurar o significado de palavras que não conhecia. Uma vez construído o hábito e com algumas poucas leituras, adquiri, aqui e ali, em certo vocabulário que muitos, com gentileza, dizem ser rebuscado; outros, sem disfarçar a insatisfação, pedante. E assim prossigo, incompreendido por muitos e tolerado por poucos.

Outro dia, numa das escolas que dou aula, um amigo, desses que tem a arte de nos fazer rir mesmo quando não tem a intenção, disse que à noite, ao invés de eu ler a Bíblia, leio o dicionário. Outro chegou a afirmar que ao dar aula eu deveria levar uma legenda para os alunos entenderem alguns termos que uso. Diante disso, às vezes me sinto sim, um ET, um tripulante de uma nave espacial de um planeta longínquo.

Talvez, meus queridos 11 leitores, perdi alguns, vocês estejam agora aí, sentados, em frente ao micro, pensando o seguinte: ele se acha. Está todo ancho, dizendo que domina um vocabulário amplo. Antes de vocês me julgarem tão mal, muitos fazem isso não se preocupem, saibam que sou um neófito em nossa Língua Portuguesa. Sei tão pouco sobre ela, aprendo com muito esforço, para tentar compensar uma certa tibieza literária, algumas regras gramaticais. Por isso, incomoda-me o fato de saber que existem profissionais da Língua que, ou a menoscabam, ou acreditam que o vocabulário, sei lá, tem uma importância lateral.

Outro dia, numa aula para a 7ª série, usei o termo obsoleto. Os meninos me olharam com aquele ar de estudante que não entendeu patavina, mas tem certos pudores de admitir a incompreensão. Expliquei para eles o termo e fiz uma brincadeira: na hora do jantar, disse, quando a família estiver reunida, seja na mesa, seja no sofá da sala, porque para algumas famílias a TV é uma convidada de honra na hora das refeições, encontrem uma maneira de usar o termo obsoleto, como por exemplo: “Papai meu PC está obsoleto!”

Saber ou não essas palavras fará diferença na vida dos alunos? Talvez não faça a menor diferença. Mas também aprender Equação do Segundo Grau faça menos ainda. Aliás, aprender qualquer coisa com alguma finalidade pode até ser útil, mas é chato. Os gregos criaram o termo thauma para indicar o espanto que todos sentem diante de descoberta de algo que se ignora. Para os gregos, saber, pelo simples fato de deixar de ser ignorante, era o que importava. Hoje em dia, nossos jovens de classe média alta sabem se comunicar em inglês, mas não sabem a diferença entre eminência e iminência.

09 dezembro, 2006

Eu e Lispector


Hoje esse blog tá muito literário. Atendendo a uma solicitação da blogosfera, também escrevo umas coisinhas sobre Clarice Lispector. Não tenho muita familiaridade com essa escritora, que muitos bons autores consideram genial. Interessei-me por ela, na verdade pelo nome dela, no Ensino Médio, quando procurava me aproximar de uma menina, que também atendia pela graça de Clarice, mas o dela com ss. Assisti ao longa A Hora da Estrela baseado numa obra de mesmo nome, da autora. Se aproximação deu certo? basta dizer que me casei com a moça.

Nas minhas pesquisas, descobri que Clarice viveu em Recife, estudou no Ginásio Pernambucano, andou por ruas que caminhei quando menino e rapaz. Passei a sentir por ela uma afeição que se sente menos por admiração e mais por considerá-la de minha terra. A verdade é que ainda não desenvolvi minha sensibilidade para apreciar os textos de Clarice. Seu universo é um tanto esquizofrênico, suas originalidade, perturbadora para mentes limitadas como a minha. Seu texto revolucionário encontrou em meu espírito conservador uma resistência díficil, diria até, impossível de ser superada.

A sra. Lispector contudo, teve uma vida atribulada. Uma infância pobre, uma adolescência díficil. Muito diferente das de tantas meninas aqui do Plano Piloto. Desde cedo aprendeu que o trabalho, embora fosse uma imposição das condições financeiras adversas, não poderia suplantar o estudo. Hoje, quantos jovens que têm nos pais uma segurança e uma tranquilidade econômica, olvidam e negligenciam os estudos, relegando ou mesmo desprezando qualquer iniciativa de aprimoramento cultural?

abaixo tem um link que conta um pouco da trajetória dessa escritora que encantou muita gente, que me ajudou a me aproximar daquela que seria a minha esposa, mas que não conseguiu me tornar um leitor cativo de seus textos.

http://www.releituras.com/clispector_bio.asp


Florbela Spanca

Até onde sei, não é comum as pessoas deixarem a vida no mesmo dia em que entraram nela. São raros os casos em que o aniversário natalício também o é da morte. Dias que seriam lembrados com alegria, ganham, por fatalidade, ou por deliberação desesperada, uma aura de tristeza. Lembro-me por exemplo que o dramaturgo Shakespeare que costumava comemorar seu aniversário em 23 de abril, veio a falecer nesse mesmo dia.

Florbela Spanca nasceu a 8 de dezembro de 1894 e quando completava 36 anos, matou-se. Como imaginar que uma moça que cantava em seus versos um amor tão intenso, possa ter sido capaz de um ato desesperado desses? Talvez, o único lugar em que ela se sentisse viva e feliz, fosse no reino dos versos. Lá, era possível, é possível, imaginar o impossível!Contudo, quando a realidade se impõe e a dureza da vida nos corta, a sensibilidade de Florbela não suportou, e assim, ela desertou da vida.

Em homenagem a essa poeta portuguesa que amou mais do que devia, escolhi para publicar, por razões distintas, dois poeminhas dela. O primeiro é bastante conhecido no Brasil porque foi musicado por Fagner, o outro, por ter sido a primeira poesia que li dela. Então leiam Florbela Spanca.

Fanatismo


Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !


Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !


"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !


E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."


Livro de Soror Saudade (1923)

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Os versos que te fiz


Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.


Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder ...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !


Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda ...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !


Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!


08 dezembro, 2006

"Acharam o Paulo", não eu, o mais famoso!

































Não importa a idade. De 10 a 100 anos, qualquer um se encanta com um achado arqueológico. A magia de se deparar com uma prova material do passado é inexplicável, mas se esse passado se relaciona com a fé, a sensação é ainda mais fantástica. Pois bem, acabo de receber por e-mail, enviado pelo meu sogro, uma noticia veiculada pela BBC-BRASIL, que arqueólogos em Roma encontraram um caixão, que ao que tudo indica, guarda os restos mortais do apóstolo Paulo, o contundente São Paulo. Vejam a notícia:

ROMA - Arqueólogos anunciaram nesta quinta-feira, 7, que descobriram em Roma um caixão que contém o que acreditam ser os restos mortais de São Paulo. O caixão, que seria pelo menos do ano 390 depois de Cristo, foi encontrado em uma cripta embaixo da Basílica de São Paulo Extramuros, a maior igreja de Roma depois da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Escavações vinham sendo feitas no local desde 2002, e foram completadas apenas no mês passado. Há muito se acreditava que a tumba de Paulo estava na catedral, mas só agora, após as escavações, foi encontrado o caixão. Os arqueólogos tiveram que remover duas grandes placas de mármore para encontrar o caixão, que contém a inscrição "Paolo Apostolo Martyr" (Paulo, apóstolo e mártir). Buracos O esquife também tem buracos claramente visíveis, pelos quais os fiéis antigamente colocavam pedaços de pano para tocar os restos do santo. O padre Edmund Power, abade de um mosteiro beneditino que teve acesso ao caixão, disse que ele é branco e parece ser feito de um material semelhante ao mármore. Quando vivo, São Paulo viajou pela Ásia Menor, Grécia e Roma no século 1º d.C., e suas epístolas, incluídas no Novo Testamento, são consideradas por teólogos alguns dos mais influentes documentos da doutrina cristã. O santo teria sido decapitado em 65 d.C, no reinado do imperador romano Nero. O esquife deve ser colocado em exposição ao público em geral, mas o Vaticano ainda não anunciou se irá permitir, um dia, que seu interior seja examinado.

Meu Discurso

Os amigos da blogosfera andam reclamando de minha ausência, mas os motivos existem. Um deles diz respeito às festividades de colação de grau de uma turma do 3º Ano de Ensino Médio. Abaixo vou postar o discurso que proferi como Paraninfo dessa turma.

Meus Queridos e Minhas queridas!

Antes de tudo quero agradecer a cada um de vocês por terem confiado a mim a tarefa de pronunciar essas palavras. Sei que ao me confiarem essa tarefa, estavam na verdade encontrando uma maneira de me homenagear, por isso, obrigado.

Quero relembrar nesse momento um pequeno trecho do livro o Ateneu de Raul Pompéia, quando o personagem Sérgio se dirige à escola junto com seu pai, e à porta do Ateneu, o pai de Sérgio pronuncia a seguinte frase: “Vais encontrar o mundo meu filho”. O “mundo” tanto para Sérgio quanto para seu pai, naquele contexto, era o Ateneu, uma famosa escola do Rio de Janeiro. Antes de “conhecer” esse “mundo”, Sérgio o imaginava maravilhoso, organizado, justo, pleno de valores morais, como: decência, honestidade, lealdade, sinceridade. Todavia, meus queridos e minhas queridas, o Ateneu estava longe de ser o mundo da imaginação de Sérgio. Logo nos primeiros meses ele descobriu com espanto, com horror e em alguns casos, experimentando dor física e moral, que aquele “mundo” estava bem longe do Paraíso que ele imaginava. Professores maus, colegas desumanos que ridicularizavam os mais fracos, alunos desonestos que burlavam as normas, o diretor, o sr. Aristarco, homem ranzinza, falso e interesseiro que em segundos era capaz dos maiores elogios a um aluno na frente de seus pais e logo em seguida desferia contra esse mesmo aluno toda sorte de impropérios que denegriam e humilhavam. Por que falo do Ateneu? Por que recorro a esse romance pouco conhecido de nossa escola realista? Apenas para fazer uma paráfrase. Hoje cada um de vocês, acompanhado dos pais ou dos responsáveis não estão à porta do Ateneu para entrar, mas para sair. E com muito mais propriedade do que o pai de Sérgio, digo: vocês vão encontrar o mundo, meus queridos!

Talvez vocês estejam pensando: Não imaginamos que o mundo a que estamos prestes a descortinar, na universidade ou no trabalho, seja o mundo de maravilha, que sempre sorrirá para nós. É verdade, as coisas ultimamente andam tão toscas que esse tipo de fantasia já não povoa a imaginação de jovens como vocês. Contudo, nessa noite, quero dizer que embora o mundo seja muitas vezes injusto; é nele que vivemos! E embora as vicissitudes da vida ameacem nosso destino de felicidade, nada nos impedirá de realizar as coisas que sonhamos enquanto acreditarmos que podemos realizá-las. Na obra do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina, Severino está conversando em um mangue com um antigo retirante, Seu José Mestre Carpina. Desiludido, com as forças combalidas, ele, Severino, questiona se tudo o que sofreu do sertão ao litoral, valeu a pena. Obtém como resposta os seguintes versos: “Severino, retirante/ Muita diferença faz/ entre lutar com as mãos/ e abandoná-las para trás” O que pretendi dizer meus queridos, é que enquanto mantivermos a disposição para lutar, a perseverança em nossos sonhos, a coragem para nos levantarmos quando cairmos, nada, nem a injustiça do mundo, nem a maldade das pessoas, serão suficientes para abalarem nosso ânimo, nossa crença em dias melhores, nossa certeza de realizar os sonhos.

Finalmente, quero concluir essas palavras, não dando um conselho, mas fazendo um apelo: Em tempos de cinismo, desfaçatez, em tempos de mentiras sendo ditas como se fossem verdades mais puras, onde, como disse Rui Barbosa ao perder as eleições de 1919, De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.” Mesmo diante de um quadro dessa natureza eu faço esse apelo: não caiam nessa vala fétida e desonrosa que infelizmente tem atraído tanta gente.

Levem para esse mundo que vocês estão entrando agora, os altos valores. Se a maioria é cínica, mostrem a sinceridade com gentileza. Se a maioria é fútil, mostrem a profundidade de seus valores sem arrogância. Se a maioria mente, escamoteia, façam da verdade e da transparência suas mais marcantes características.

Antes de acabar, peço licença para homenagear nessa noite os verdadeiros heróis dessa vitória que estamos celebrando: seus pais! Senhores pais, recebam de nós as maiores homenagens dessa noite. Foram os senhores que conduziram seus filhos ainda pequenos a escola, que nunca duvidaram da competência deles, ainda que eles, talvez, nunca tenham escutado isso dos senhores. Hoje vocês testemunham o coroamento dessa vitória, experimentam, penso, uma grande satisfação, ao ver o filho, a filha, concluindo mais essa etapa da vida. Não há como não pensar: Foi difícil, houve atropelos, mas perseveramos, não desistimos e colhemos hoje o fruto dessa persistência, com a certeza que outros frutos, ainda mais saborosos, serão colhidos.

(Abaixo postei a música que encerrou meu discurso. Para ouvi-la é só clicar no primeiro botão)

Obrigado.




04 dezembro, 2006

COMENTÁRIOS DO PAS - ETAPA I

Olá meus queridos alunos! Viram? A prova do PAS não é esse bicho de sete cabeças que tantos imaginavam momentos antes do fechamento dos portões. Até as mudanças, aguardadas com certa apreensão por mim, foram muito positivas. No espaço abaixo vou comentar os itens de História. Não é o gabarito oficial, mas acreditem, é muito próximo.

Comecem pelo post abaixo e depois volte para esse.



ITEM 27: Outra novidade desse ano: Quatro alternativas, onde você deveria marcar apenas uma. A resposta correta é a letra C. Vejamos porquê: a letra A informa que o massacre aos índios existiu apenas na colonização portuguesa, está claro que não! A letra B afirma que tanto os astecas quanto os maias não ofereceram resistência ao conquistador espanhol. Está duplamente falso. Primeiro porque os astecas resistiram bastante às investidas de Hernán Cortez, mas acabaram derrotados em 1520; depois porque quando os espanhóis iniciaram seu processo de conquista da América, a civilização maia estava em decadência e praticamente não existia mais. A letra D é especial. O texto do Gilberto Dimestein comete uma parvoíce histórica ao justificar a escravidão africana no Brasil como conseqüência da preguiça do índio, de sua indisposição para o trabalho. Vimos em sala que os motivos foram outros: a) O genocídio dos povos indígenas que reduziu drasticamente a população nativa; b) a proteção da Igreja que tinha interesse na catequização dos povos indígenas e principalmente: no lucrativo comércio de escravos africanos o que fazia a Coroa Portuguesa, por razões mercantilistas, preferir a escravidão africana à escravidão indígena. Contudo, muitos índios foram escravizados, sobretudo no período inicial da colonização.

ITEM 35: O Modo de Produção que marcou a Civilização Clássica (greco-romana) foi o modo de produção escravista. Tanto na Grécia, no período clássico quanto em Roma, durante a república e o império, o trabalho era executado por escravos. Por isso, ao afirmar que nessas civilizações não houve escravidão o que permitiu o desenvolvimento de sociedades igualitárias, o item está ERRADO. O aluno também poderia lembrar das diferenças ou desigualadades entre plebeus e patrícios na Roma Antiga, ou mesmo entre Metecos e Cidadãos em Atenas; ou entre Esparciatas, Periecos e Hilotas em Esparta; para ter a certeza de que o item está comprovadamente ERRADO.

ITEM 37: Ao afirmar que na Idade Média, cuja grande expressão econômica foi o Modo de Produção Feudal, o trabalho servil foi pouco expressivo e que por isso a desigualdade social foi amenizada, o item está absolutamente ERRADO! A mão-de-obra servil foi uma marca do feudalismo, onde o trabalho do servo, que formavam a maioria da população na Europa feudal, foi predominante!

ITEM 38: Para mim um item chato. Para começo de conversa as primeiras informações estão corretas. O problema está em saber se entre a Nobreza Senhorial, formada pelos guerreiros, mas também pelo Alto Clero, existia hierarquia.. Eu marcaria ERRADO e recorreria, para justificar essa marcação, às relações de vassalagem entre Suserano e Vassalos.

ITEM 39: Se você marcou certo, parabéns acertou! Com efeito, a escravidão que durou no Brasil cerca de três séculos, deixou profundas marcas de desigualdade social em nossa sociedade. Não esqueça que foi com a lavoura de cana-de-açúcar que o trabalho escravo na colônia se consolidou.

ITEM 61: Para mim, outra surpresa! Não me lembro do PAS ter cobrado alguma vez civilizações orientais. O item está ERRADO! Se o aluno lembrasse que Salomão foi rei de Israel no período áureo desse reino, já saberia que não se trata de um mito grego, mas de um relato que se encontra no Livro de Reis, (Antigo Testamento) capitulo 3 versículos 16 e seguintes. É um relato hebreu e não grego, por isso, ERRADO.

ITEM 72: Se você marcou C, acertou! Com efeito, a Contra-Reforma, como vimos em sala, foi uma reação da Igreja Católica ao avanço da Reforma Protestante na Europa. Uma dessas ações, empreendida sobretudo pelos jesuítas, foi o trabalho de catequese dos povos nativos da América. D João III por exemplo, ao se decidir pela ocupação do Brasil a partir de 1530 justificou essa decisão na expansão da fé católica no Novo Mundo.

ITEM 73: Item perigoso para o aluno desatento. Embora a cultura européia tenha prevalecido na colonização, não se pode dizer que houve eliminação de elementos culturais dos indígenas e dos africanos. As práticas religiosas dos africanos, por exemplo, sofreram um processo de sincretismo com a religião católica, ou seja, elementos animistas da religião de certos povos africanos se incorporaram à religião dos portugueses.

COMENTÁRIOS DO PAS - ETAPA I

Olá meus queridos alunos! Viram? A prova do PAS não é esse bicho de sete cabeças que tantos imaginavam momentos antes do fechamento dos portões. Até as mudanças, aguardadas com certa apreensão por mim, foram muito positivas. No espaço abaixo vou comentar os itens de História. Não é o gabarito oficial, mas acreditem, é muito próximo.

Vou fazer dois Posts. O primeiro com 6 itens e o segundo com 7 itens. Espero que apreciem e comentem.

ITEM 10: Se você marcou a letra C acertou! As Grandes Navegações e a Expansão Marítima dos séculos XV e XVI mudaram o eixo econômico europeu do mar Mediterrâneo para o Oceano Atlântico. Não esqueça que um dos motivos dessa expansão era o de encontrar um novo caminho para as Índias e esse novo caminho teria de ser pelo Oceano Atlântico. À medida que a colonização européia na América vai se consolidando, o Atlântico passa a ser o grande eixo econômico da economia mercantilista.

ITEM 11: Esse item apresenta alguns problemas: Em primeiro lugar o item faz uma referência ao Liberalismo Econômico, conteúdo que será visto no Segundo Ano, ao se estudar o Iluminismo. Embora alguns gabaritos por aí tenham marcado o item como certo, acredito que ele esteja ERRADO, esperemos o gabarito oficial. Por que está errado? Vejamos: Na Idade Moderna o sistema mercantil se baseia nas práticas mercantilistas de Balança Comercial Favorável, Monopólio, Intervenção do Estado na Economia etc. Além do mais o sistema de Produção se baseia na Grande Propriedade Monocultora e escravista. Tudo muito distante do que se chamará no século XVIII e XIX de Liberalismo econômico. Enfim, os princípios clássicos do Liberalismo Econômico criado por Adam Smith se opunham por definição às práticas mercantilistas. Por isso, para mim o item está errado.

ITEM 14: O item foi muito bem pensado. O primeiro mapa oferece ao aluno e a aluna um referencial importante para traçar a rota que o item pede: saindo de Portugal até chegar a África do Sul. As correntes marítimas comprovam uma necessidade que os navegadores lusitanos tinham de navegar mais para o oeste quando atingisse certo ponto da costa africana. Essa manobra recebeu o nome de “Volta do Mar”. Sabe-se que foi através dessa manobra, indispensável para se chegar na ponta sul da África, que a esquadra comandada por Cabral acabou indo mais do que o necessário para o oeste, o que ocasionou a “descoberta” do Brasil. A velha discussão se foi de propósito ou não neste caso é irrelevante.

ITEM 24: Se você marcou CERTO, acertou! No sistema de Plantation não havia espaço para a pequena propriedade, era preciso a existência de latifúndios o que necessariamente concentra poder e riqueza nas mãos de uns poucos. Assim como as capitanias era uma doação real a um particular, as sesmarias eram lotes imensos dentro da capitania entregues pelo donatário aos sesmeiros que deveriam fazer seu lote prosperar.

ITEM 25: Se você marcou CERTO, acertou! Nas grandes propriedades, por exemplo nos engenhos, a Casa Grande era a residência do grande proprietário (Senhor de Engenho) e de seus familiares. Representava o poder e a riqueza na propriedade. Já os escravos, indispensáveis para a geração da riqueza na colônia, ficavam na senzala que normalmente estava próxima à Casa Grande. O modelo de colonização na América ibérica foi o de EXPLORAÇÃO, ou seja, se assentava na desigualdade entre Senhores e escravos.

ITEM 26: Esse item também apresentou para mim um certo problema. O que define a questão, é o aluno saber que mesmo após a independência do Brasil em 1822, o sistema escravista, herdado da época de colônia, se manteve inalterado. O Problema é que só no Segundo Ano esse tema: Manutenção da estrutura escravista no Brasil, será visto. De qualquer forma, se você marcou ERRADO, você acertou! A escravidão só termina em 1888 quando fazia ao menos 66 anos que o Brasil estava independente de Portugal.